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sexta-feira, 3 de março de 2017

BDSM Socorros - Como lidar com um ataque de pânico.

Quando falamos em Dominação, falamos de controlar a mente do bottom, isso vai muito além de sermos apenas persuasivos, jogos psicológicos são fantásticos, mas quando usados na medida certa.

Em uma sessão de disciplina, scareplay, até mesmo uma cena mais pesada no requisito psicológico, o bottom pode apresentar um ataque de pânico, devido ao fato de seu psicológico e físico ser levado ao limite sem que ele possa interferir.

Se o bottom não estiver com a saúde mental plena e consciente, ao invés de chegar ao subspace(geralmente em subspace a pessoa "desliga" e desmaia) este pode ter um ataque de pânico, o Top deve estar preparado e deve saber como agir para controlar este ataque, trazendo o bottom de volta a sua normalidade mental.

1- Reconheça os sintomas.

O bottom se acometido por uma crise de pânico irá apresentar estes sintomas:

-Dor ou desconforto no peito.
-Tontura ou sensação de desmaio.
-Medo de morrer.
-Sensação de asfixia.
-Náuseas ou dores de estômago.
-Dormência ou formigamento nas mãos, nos pés ou no rosto.
-Palpitações ou sensação de coração disparado.
-Sudorese, calafrios ou ondas de calor.
-Tremedeira ou agitação.
-Alucinações.

2- Ajude o bottom a normalizar a respiração.

-Afrouxe as roupas de seu bottom caso o mesmo esteja vestido.
-Coloque-o em posição confortável e faça-o respirar fundo e pausadamente.

3- Não deixe o bottom correr ou se debater.

-Segure-o pelas mãos ou abrace-o falando palavras de conforto a fim de acalmá-lo.

4- Use a Meditação a favor.

-Utilizando técnicas de relaxamento conduza o bottom a uma meditação, até perceber que este entrou numa espécie de transe. Corpo e músculos, completamente relaxados, de preferência fazer o bottom adormecer.

5- Procure ajuda médica.

Um ataque de pânico pode significar que o bottom necessita de acompanhamento especializado, talvez até mesmo o uso de medicamentos.

-Dê todo o suporte possível, marcando a consulta, acompanhando o bottom e ajudando no tratamento do mesmo.
-Atividades físicas, alimentação leve e a não ingestão de substâncias estimulantes ajudam a inibir acessos de síndrome do pânico e transtornos psicológicos.

Lembrem-se a Dominação vai muito além de realizar sessões com técnicas e tempo de prática.
Um bom Dominador precisa estar preparado para lidar com situações inesperadas e adversas.

Até a próxima!
Bloody Kisses.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Bases SSC x RACK - Qual a diferença?

Texto de Bia Baccellet

Antes de qualquer coisa, preciso fazer uma breve explicação sobre o que vem a ser as "bases" do BDSM.

Sabe o significado de "base"? Aquele que diz que "Base é a parte inferior de alguma coisa, considerada como seu suporte" ou "Alicerce" ou ainda "Base - parte ou aspecto essencial de alguma coisa; princípio; origem".

Consultando dicionários mil pela internet afora conseguimos vários significados pra palavra base, todos com a conotação de "princípio", "origem" ou "fundamento".

É exatamente esse significado que as "Bases" do BDSM possuem. Elas são o fundamento, o suporte, o princípio, a origem de uma relação BDSM qualquer que seja, fixa ou não. É o princípio que "guia" a condução de uma relação.

Então a primeira coisa que se deve fazer ao decidir praticar BDSM com alguém é definir a "base" sobre qual essa relação vai se dar. Já que, qualquer coisa que seja, começa pelo começo, pela "base".

Existe uma quantidade razoável de bases, capazes de deixar uma pessoa doida de tanto pensar em como escolher. Mas fundamentalmente o BDSM tem duas bases mais usadas, e é nelas que vamos colocar nossa atenção. Talvez em um outro texto possamos abordar as outras bases, mas acredito que esse será suficiente pra ajudar na sua escolha.

A primeira "base" criada no BDSM foi o SSC. E é ainda hoje a mais usada. Em inglês é Safe, Sane and Consensual e em nossa língua é São, Seguro e Consensual.
Na verdade o SSC foi criado bem antes de o BDSM ter essas quatro letrinhas, ainda se chamava SM, e era uma forma de conscientização entre os praticantes de sadomasoquismo de era necessário ter bom senso para praticar enquanto comunidade. Nosso objetivo não é focar no requisito histórico e sim na funcionalidade. Então prossigamos.

A segunda "base" criada foi o RACK. Criado para trazer um nível maior de conscientização quanto aos riscos, já que a interpretação literal de "seguro" estava sendo levada a extremos de ser "100% seguro". Em inglês é Risk-Aware Consensual Kink e em nossa língua Perversão Consensual Consciente do Risco.
A diferença básica entre o SSC e o RACK é o "Risk-Aware" onde fica explícito que deve haver consciência do risco ao submeter-se às práticas sadomasoquistas.

Até aqui todos vivos? Ou já deu nó na cachola?

Vamos desfazer esse nó então.

Quando uma pessoa diz que pratica com base no SSC, ela quer dizer que:
  • Procura minimizar os riscos ao máximo, diminuindo ou eliminando se possível qualquer possibilidade de algo dar errado. Isso não exclui o fato de que algo pode dar errado, apenas garante que a pessoa fará de tudo pra que esse risco seja o menor possível.(Seguro)
  • Usa o bom senso na escolha dos materiais e dos "brinquedos" que vai usar, respeitando limites previamente acordados.(Seguro)
  • Está consciente e de plenas faculdades mentais, livre do efeito de drogas, entorpecentes legais ou ilegais, tendo capacidade de consentir livremente e de "juízo perfeito".(São-Consensual)
  • Está consciente de que mesmo que seja minimizado o risco, ele existe, mas aceita se submeter às práticas, sendo respeitados os limites previamente acordados.(Consensual)
  • O consentimento pode ser "retraído" a qualquer momento, bastando pra isso proferir uma "palavra de segurança", previamente acordada, sendo essa palavra um "stop" pra o que quer que esteja acontecendo, já que ela "retira" o consentimento naquele momento.(Consensual-Seguro).
Quando uma pessoa diz que pratica com base RACK, ela quer dizer que:
  • Procura não extrapolar os riscos, diminuindo a possibilidade de algo dar errado. Isso não exclui o fato de que algo pode dar errado, apenas garante que a pessoa terá atenção ao nível de risco acordado.(Risk-Aware) 
  • Usa o bom senso na escolha dos materiais e dos "brinquedos" que vai usar, respeitando limites previamente acordados.(Risk-Aware)
  • Está consciente e de plenas faculdades mentais, livre do efeito de drogas, entorpecentes legais ou ilegais, tendo capacidade de consentir livremente e de "juízo perfeito".(Consensual)
  • Está consciente de que mesmo que seja minimizado o risco, ele existe, mas aceita se submeter às práticas, sendo respeitados os limites previamente acordados.(Consensual)
  • O consentimento pode ser "retraído" a qualquer momento, bastando pra isso proferir uma "palavra de segurança", previamente acordada, sendo essa palavra um "stop" pra o que quer que esteja acontecendo, já que ela "retira" o consentimento naquele momento.(Consensual)
E agora a GRANDE DIFERENÇA:
  • Está consciente do nível de risco que cada atividade pode oferecer, tendo estudado previamente quais riscos são esses e administra esses riscos de forma satisfatória pra ambas as partes que "negociam". Ou seja, com a consciência do real risco das práticas que estão no acordo, pode-se negociar um limite de risco maior caso desejem.(Risk-Aware)
Então o SSC é café com leite e o RACK é coisa de gente grande né?

Claro que não. É possível perfeitamente executar práticas muito arriscadas na base SSC, se for respeitada a premissa de que foi feito todo melhor esforço pra reduzir e minimizar o risco que tal prática oferece. (Já que no restante é tudo praticamente igual)

Vou propor uma situação que pode parecer até cômica, mas que é muito recorrente no nosso meio, e que já gerou um bocado de polêmica comigo:

Situação: O Dominador quer ordenar que sua submissa fique por um dia inteiro sem calcinha.

Base SSC:
  • Levar em conta os locais que a submissa frequenta.
  • Levar em conta se ela tem transporte próprio ou usa transporte público
  • Levar em conta se trabalha e se usa banheiro coletivo no trabalho
  • Levar em conta se usa móveis compartilhados no trabalho ou se tem mobiliário exclusivo(cadeiras, bancos e etc)
  • Levar em conta se usa uniforme, vestido, saia...
  • Levar em conta se está menstruada ou se tem algum impeditivo de natureza pessoal
Após analisar isso tudo o Dominador verifica se vai expor a submissa a um risco desnecessário, correndo o risco de contrair doenças/irritações na região genital ou causar constrangimento desnecessário na rua e/ou trabalho, e vai avaliar se vale a pena o risco, e pode fazer "adaptações" de acordo com o que ele avaliar mais seguro naquela situação.

Base RACK:
  • Levar em conta os locais que a submissa frequenta.
  • Levar em conta se ela tem transporte próprio ou usa transporte público
  • Levar em conta se trabalha e se usa banheiro coletivo no trabalho
  • Levar em conta se usa móveis compartilhados no trabalho ou se tem mobiliário exclusivo(cadeiras, bancos e etc)
  • Levar em conta se usa uniforme, vestido, saia...
  • Levar em conta se está menstruada ou se tem algum impeditivo de natureza pessoal
  • Informar à submissa todos os riscos que envolve em "sair sem calcinha"(inclusive de contrair doenças/irritações por conta disso) e quais prejuízos ela pode ter, e se ela mesmo ciente dos riscos, concordar, então a ordem será dada.
Nesse caso, o risco será assumido por ambas as partes, mesmo que haja prejuízo visível, o nível desse risco a ser aceito(Risk-Aware) é decidido de comum acordo, podendo ser maior do que o tolerado no SSC, ou apenas "não minimizado".

Então, a escolha da base nada tem a ver com a prática que vai ser feita, como é comumente falado, que a prática "X" é RACK, ou a prática "Y" é SSC. Qualquer prática pode ser feita usando qualquer uma das bases, pois não é a base que define a prática, a base define o "suporte", o "fundamento", o "alicerce" da relação entre os envolvidos.

Por definição o RACK vai exigir muito mais conhecimento das práticas e atividades pelas pessoas, para que possam definir juntos que nível de risco é aceitável a ambos, ou se, o prazer vale a pena o risco(caso seja muito alto).

Se você é novo ou iniciante e negocia com alguém já experiente e que deseja usar a base RACK com você, é responsabilidade do praticante experiente fazer o ""risk-aware" contigo, explicando todos os riscos que envolve as práticas acordadas e colher seu parecer sobre o nível de risco que você deseja experimentar, a consciência do risco não obriga ninguém a aceitar um nível maior do que suporta/tolera.


Obs.: Lembrando que, SSC ou RACK você deve manter o bom senso sempre, pessoas são sujeitas a limites tanto físicos quanto psicológicos. Respeitar acordos é primordial em qualquer base, seja qual for.

terça-feira, 1 de março de 2016

Rituais Individuais e Liturgias - Consentimento

Texto de Vulpes Az

Muito se fala do SSC, mais ainda do termo consensual. O SSC virou sinônimo de "tudo pode, tudo vale" (Já tenho um texto antigo que trata sobre o tema, mas pretendo fazer um mais aprofundado e atualizado) não é incomum ver alguém dizer que "se está dentro do SSC, tudo bem". São inúmeros os post, comentários, histórias em que o conceito do consentimento é constantemente desvirtuado de seu sentido e significado.

Consentimento é um substantivo masculino que expressa a ação de consentir. Significa dar permissão ou licença para que determinado ato seja praticado.

O consentimento é uma expressão livre de vontade, de forma que seja tomada uma atitude para que um fim seja alcançado. É uma maneira de concordar e conceder aprovação a alguém.

De “Expressão livre de vontade” entende-se que quem a expressa não pode estar em estados alterados de consciência (bêbado ou drogado), coagido, confuso ou sob grave ameaça. Qualquer fator externo que influencie ou a determine macula sua validade, podendo transformá-lo em coisas diversas como coação, fraude, erro, engano, engodo, etc etc...

Da mesma forma, não é absoluto tampouco irrevogável. MUITO PELO CONTRÁRIO. A pessoa que consentiu pode se arrepender ou mudar de ideia a qualquer momento antes e até mesmo DURANTE o ato e o outro não pode fazer nada a respeito. No máximo tentar convencer em manter o consentimento. Uma vez dado, pode ser revogado, alterado, diminuído, arrependido a qualquer momento.

Questão importantíssima e controversa é acerca da presunção do consentimento. Há quem entenda que é possível se presumir o consentimento, contudo não acho cabível dentro do contexto fetichista. Em verdade, até acredito que não seja possível a presunção de consentimento dentro de um contexto BDSM pois, prega a boa prática e a liturgia, que deve-se haver o mínimo de negociação antes de se iniciar qualquer prática. Essa negociação é a confirmação que o bottom consente que seja feito o que o Top pretende.

Além, o fato do Top ter a questão "moral" e "litúrgica" de se manter sempre dentro do que foi acordado é fato que corrobora que o consentimento, dentro do contexto fetichista, prescinde SEMPRE do consentimento EXPRESSO (em oposição ao presumido). A presunção é algo sensível. Um Top não pode aplicar no bottom determinada prática X, "só por que gosta de Y".

Alguém pode levantar a questão do consensual non-consent (não sei bem como traduzir esse termo para o português ahahah) segue abaixo uma definição traduzida e adaptada:
"Também chamado de meta-consentimento ou consentimento "em branco". É um acordo mútuo onde o Top é capaz de agir como se o consentimento fosse dispensado. É um acordo em que um consentimento abrangente é dado com antecedência, com a intenção de que seja irrevogável na maioria das circunstâncias. Isso muitas vezes ocorre sem conhecimento prévio das ações exatas planejadas.

É considerado uma demonstração de extrema confiança e compreensão. É controverso dentro da comunidade BDSM, muitas vezes desaprovada devido a preocupações sobre o abuso e segurança. É uma prática mais comum em relações TPE e 24/7.

Em partes limitadas da comunidade BDSM on-line, "consential non-consent" é usado para se referir ao jogo de estupro (ou rape play), que inclui o uso de palavras de segurança. Este uso do termo é comumente desaprovado, especialmente entre os praticantes do TPE. Pessoas experientes no BDSM geralmente desencorajam os outros a usar "consential non-consent" para indicar jogo estupro. Esta atitude surge a partir da crença de que é uma falha de comunicação que potencialmente pode levar a danos psicológicos graves e irreparáveis."
Feita a definição cabe ressaltar que essa prática, apesar das particularidades, ainda se encaixam no que foi dito ao longo do presente texto. Note que a diferença do consential non-consent é apenas que o consentimento é ANTECIPADO, e que tem a INTENÇÃO  de ser irrevogável, mas de fato não o é. Vale ressaltar também que a prática consential non-consent é uma prática avançada,  exceção à regra, praticada por casais experientes e com relações duradouras.
Muitas vezes falar não basta e desenhar é necessário então junto abaixo algumas tirinhas que exemplificam bem do que se trata tudo que disse até agora
1 - O fato da pessoa ter aceitado algo anteriormente não a obriga a fazê-lo caso mude de idéia

2 - O fato da pessoa ter feito algo uma vez, não quer dizer que ela aceitará ou estará obrigada a aceitar sempre

3 - Estados alterados de consciência, inconsciência, desmaios, embriaguez ou qualquer outra forma que não seja lúcida e expressa não são formas de consentimento



4 - A posição de bottom não o obriga a nada com qualquer Top. Em caso de Dono/posse deve-se seguir o que foi acordado na negociação

5 - O fato de ter recebido ajuda ou ter sido auxiliado em algo não obriga ninguém a nada. Consentimento não é retribuição imperativa


6 - Parecer não é ser!
Para mais textos do autor clique aqui

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A comunicação em uma sessão BDSM


Artigo de Lady Aurora Spenser

Hoje vamos abordar a importância e a utilidade da comunicação do bottom com o Top em sessão. Isso contribui não somente pra segurança, mas também para estabelecer a conexão, relação de confiança e companheirismo da relação dentro e fora da sessão. O bom trabalho em equipe sempre proporciona melhores resultados, isso até no BDSM (risos). 

Nas práticas de imobilização o bottom deve confiar no Top, mas o que é pouco dito é que o bottom pode e deve auxiliar o Top durante a sessão.
Nas práticas com cordas o bottom pode ajudar sinalizando formigamentos e nunca deixar ao ponto de dormência por muito tempo para avisar ao Top, pois isso é sinal de que a circulação sanguínea está comprometida por pressão demais em pontos indevidos e dependendo de onde for pode causar até desmaios.
Às vezes enquanto se faz a imobilização, as cordas podem acabar deslizando pras dobras dos membros. Sinalizem seu Top pra evitar dormência e até cortes nessas regiões.
Sinais de Alergia ao material das cordas ou até mesmo outros materiais de imobilização como couro, metais e etc, devem ser comunicados ao Top. Caso o bottom sinta coceira, ardência, pinicamento (exceto as cordas de juta natural, pois estas pinicam mesmo pelo fato de ao trançar as cordas o material sempre deixa uns fiapos pra fora, quando se retira as cordas e normal também sentir coceiras), formação de bolinhas, bolhas ou aspereza de pele avisar o que está ocorrendo.
De uma forma geral, tudo o que sentir de diferente em sessão, principalmente se os praticantes ainda não se conhecem há muito tempo, avisar o que está sentindo sempre irá ajudar quem está conduzindo e não há razão para que o bottom ache que está a desautorizar seu Top por comunicar tais coisas.
Sessão é feita por duas pessoas ou mais, se a dupla ou o grupo não tiver uma comunicação fluente por qualquer que seja a razão, a segurança da prática ficará comprometida.

Um BDSM saudável sempre estará dentro do mais seguro possível.

Espero que tenham gostado, comentem, avaliem.

Bloody Roses.