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sábado, 12 de setembro de 2015

O que realmente quero dizer quando digo que gosto de dor


Traduzido por Bia Baccellet
Escrito por Elvira_Hancock
Escrito originalmente no Fetlife

Eu escrevi isso no meu celular no caminho para o trabalho um outro dia, pensando sobre como a dor pode ser apreciada durante uma cena por pessoas que dizem, quando perguntado diretamente, que não gostam de dor. Eu estava pensando sobre como ninguém gosta da sensação real de dor. A dor é um mecanismo de sobrevivência do seu corpo, para avisá-lo que isso que está acontecendo é potencialmente perigoso para sua saúde. Para ser um aviso eficaz, tem de ser desagradável, e vai ficando progressivamente mais desagradável quanto maior for o perigo em que estiver. Dada a grande gama de disfunções cognitivas existentes, eu suponho que pode haver algumas pessoas cujos cérebros são incapazes de experimentar a dor como prazer mas isso seria muito raro, e se você for uma dessas pessoas, por definição, você não vai sentir a dor como prazer e não vai gostar de dor.

Então, eu fui inspirada a articular meus pensamentos sobre o que significa a gostar de dor, e especificamente o que quero dizer quando digo que gosto de sentir dor, em um texto mais longo. Peço desculpas antecipadamente para analisar em excesso ... no final das contas, se você gosta, você gosta, certo? Mas eu sou uma garota dos "porquês".

Na minha experiência, as pessoas que respondem "não" à pergunta "Você gosta de dor?" Cometem o erro de pensar que as pessoas que respondem "sim" experimentam a sensação física de dor de forma diferente, quando na verdade, a diferença está na resposta emocional e física à essa sensação desagradável. Masoquistas gostam de como a experiência holística de dor em uma cena negociada os faz sentir, e essa experiência muda sua percepção intelectual de dor de algo inerentemente negativo, para algo que tem qualidades positivas. Quando você associa a dor com coisas positivas, então você pode até aprender a aceitar a sensação desagradável como uma sensação de prazer, mesmo que a sensação física não mude. É claro que eu estou me referindo especificamente à dor causada durante as cenas negociadas com pessoas em que você confia em oposição a, por exemplo, visitas ao dentista, dor crônica, ou violência aleatória.

Eu vou descrever aqui algumas das respostas de dores emocionais e físicas positivas que tenho durante e depois, uma cena.

Agradando o meu parceiro

Fico feliz quando meu sádico está feliz. O jogo entre um sádico e um masoquista é uma dinâmica incrível que funciona durante o tempo que eles estão desfrutando a cena. O sádico pode amar provocar medo e lágrimas em seu masoquista, mas apenas durante o tempo que lhes é dada licença para fazê-lo, e um masoquista vai empenhar-se ainda mais para agradá-lo.

Ficar naturalmente drogada

O medo produz adrenalina, e dor prolongada libera endorfinas. Para citar Wikipedia: A principal função das endorfinas é inibir a transmissão de sinais de dor; Elas também podem produzir uma sensação de euforia muito semelhante ao que é produzido por outros opióides. Tradução: Uma longa e intensa sessão te deixa muito chapado.

Prazer sexual intensificado

Se o jogo de impacto inclui sexo, então, como Tifa_Lockhart falou em um comentário, o contraste do prazer e da dor em conjunto aumenta a toda a experiência. O alívio do sexo após a dor é como mergulhar em um lago depois de uma longa caminhada.

Confiança e vínculo

Quanto mais extrema é a sessão mais confiança é exigida por ambas as partes, mas até mesmo uma sessão leve exige confiança mútua e respeito que desenvolvem um vínculo mais poderoso do que o sexo sozinho jamais poderia.

Superando 'limites' pessoais

Eu tenho um enorme sentimento de realização pessoal em pensar que eu superei meu limite, e, em seguida, tentar superar cada vez mais. Levantadores de peso e masoquistas têm algo em comum aqui.

Clareza e foco

Dor nos traz força para o momento presente e nos dá clareza e foco. Nós não estamos pensando sobre a lista de compras, ou o conserto do telhado, ou o cara problemático do trabalho quando estamos amarrados à cama recebendo spanking. É uma forma de meditação.

Viver a vida plenamente

Em uma escala prazer de -10 a +10 pessoas sãs querem experiências +5 ou maior, dentro do que conseguem experimentar. Mergulhar e férias na Itália, sundaes de chocolate e abraçando filhotes. Ninguém, incluindo eu, quer os -10 de experiências, porque isso é muito ruim. Mas eu ainda prefiro o negativo ocasional 6 ou 7, do que uma vida inteira de 0 (digamos, sentado assistindo a próxima temporada de The Bachelor) porque eu me sinto crescendo a partir dele. Estou em mudança e redefinindo quem eu sou. Não, uma noite sendo torturada em uma masmorra pode não ser 'agradável' da mesma forma literal que comer um sorvete em um dia quente na praia, mas este prazer é derivado do fato de que não é fácil. Contribui para a minha personalidade de uma maneira muito mais rica do que se eu passasse a minha vida evitando a dor e os extremos da vida.

Controle e perspectiva

Isto não é razão para desfrutar de dor, como um feliz efeito colateral. Voluntariamente escolher expor-se a dor que causa prazer ajuda você a entender que toda a dor, física e emocional pode ser diminuída com algum esforço e perspectiva correta, e eu acredito que esta é uma habilidade que fica mais forte e mais fácil à medida que você pratica. Eu encontrei-me andando da loja para casa no outro dia com 5 sacos pesados de mantimentos, enquanto calçava saltos. Era extremamente desconfortável. Em vez de sofrer com isso eu pensei para mim mesma "Uau, sentir aquela dor em meus ombros e pés, significa que você está vivo, significa que você é jovem e apto o suficiente para andar 500 metros carregando mantimentos enquanto usa saltos. Um dia, você não será, então aprecie. Por causa da maneira que eu tinha emoldurado isso na minha cabeça eu realmente aproveitei a volta para casa com um sorriso no meu rosto.
Eu não sofri nenhum trauma violento em minha vida, mas quando você escolhe deliberadamente colocar-se numa situação de violência consensual, ela pode ajudar a retomar o controle e reformular um passado negativo. Eu, obviamente, entendo que quando algo ruim acontece, você tem que ser um monge budista para ser capaz de não ter quaisquer sentimentos negativos sobre isso, mas o meu ponto é que, é sempre possível escolher sua atitude na vida, e o masoquismo pode ajudar a melhorar essa habilidade.

Eu sei que muitos de vocês realmente não se importam com o porque gosta de dor, e que este post pode ser uma piada realmente simples explicada em um ensaio de 1500 palavras, mas o assunto é fascinante para mim e escrever me ajuda a esclarecer meus pensamentos. Talvez ele também ajudará a explicar as coisas um pouco para aqueles que não se identificam como masoquistas. Como sempre, eu estou interessada em seus pensamentos.

E agora eu estou desejando uma boa surra ...;)

sábado, 18 de abril de 2015

RED FLAGS


Predadores sexuais e Dominadores abusivos estão por toda parte.
Antes de relacionar-se com alguém na internet ou em qualquer outro lugar, você tem que estar ciente dos perigos do comportamento abusivo.

Muitas vezes a pessoa encontra-se em relacionamento que parece "ok" ou ela acredita que tudo "é quase perfeito" - quando, na verdade, não tem ideia de quão doentio ou abusivo seu relacionamento realmente é.
Se você encontrar-se a questionar seu relacionamento pode realmente existir alguma razão subjacente.
Às vezes pode parecer que você simplesmente duvida de si mesmo. Essa dúvida acontece com todo mundo e não há nada de errado com isso. No entanto, se o seu questionamento se deve ao jeito como você é tratada por seu parceiro, então você pode ter razões para se preocupar, uma vez que podem ser sinais de abuso.

Muitas vezes as pessoas querem estar em um relacionamento "tão ruim" que elas vão tolerar abusos insalubres e emocionalmente prejudiciais por seu parceiro. O abuso não significa necessariamente abuso físico. O abuso emocional pode ser tão prejudicial, se não mais. O abuso emocional pode quebrar a autoestima de um indivíduo e seu sistema de valores – toda a maneira como eles se veem.

Em alguns casos, o indivíduo pode ter medo de falar, temendo que o seu parceiro vá deixá-lo e ele se sente emocionalmente paralisado pelo medo de ficar sozinho. Mas isso não tem que ser o caso. Não há nenhuma razão para o abuso físico ser tolerado, e o mesmo acontecerá com o abuso emocional.
As red flags não são exclusividade do BDSM, existem em qualquer tipo de relação. Mas no nosso meio como a entrega é muito mais forte, os riscos também são infinitamente maiores.

Existem muitas pessoas por aí usando o estilo de vida BDSM como uma forma de abuso. Dentro de cada situação há sinais de aviso que vemos, ou infelizmente, às vezes não vemos até que seja tarde demais. Há muitas pessoas que dizem que são Dominadores e não são, ao invés disso eles são abusadores, predadores, intimidadores, e manipuladores. Este artigo foi elaborado para ajudar as pessoas a entender o que é uma “red flag” ou bandeira vermelha, e espero que impeça que alguém se machuque ou principalmente, que machuque alguém.

Algumas pessoas pensam que só porque leram todos os livros e assistiram todos os filmes sobre o tema, que são Dominadores instantâneos. Só porque ele ou ela tem alguns floggers não significa que eles sabem como usá-los ou que eles são Dominadores sob outra forma.

Só porque alguém lhe ordena ou tenta controlar a sua vida não significa que ele é um Dominador.
Ser um Dominador é uma mistura variada de pontos fortes e fracos combinados em conjunto com todas as mediocridades humanas normais. Leva-se toda uma vida para aprender e crescer para ser um Dominador, e aqueles que acreditam no contrário podem não ter uma verdadeira compreensão do conceito.
Mesmo quando se acha capaz de reivindicar o título de Dominador, Mestre, Mistress, Senhor, ou Senhora, Deusa, ainda estamos aprendendo, o aprendizado é uma estrada sem fim que nos permite viajar para as dimensões emocionantes e novas desta aventura chamada BDSM.

Cada Dominador faz as coisas de uma maneira diferente, e só porque o que eles fazem é diferente do que eu ou você faz, não quer dizer que eles fazem errado, só faz com que seja diferente. No entanto, há uma diferença entre ser apenas diferente e ser perigoso.

Não somos sindicalizados, não temos um livro que dita o que pode ou não ser feito, O BDSM só possui duas regras não opcionais para ser praticado. 
Consenso e bom senso.

O que se segue é uma lista de sinais de alerta para as relações potencialmente abusivas. São apenas diretrizes e sugestões para ficarmos atentos, não são julgamentos sobre o valor da outra pessoa.

- Se você se submete a alguém por temor, então você serve a um valentão não a um Dominador. 
-Se você se submete a alguém porque recebe presentes caros, então ele é um cafetão não um Dominador. 
-Se você se submete a alguém, porque ele ameaça lhe deixar se recusar, então ele é um manipulador, não um Dominador. 
-Se você se submete a alguém, porque senão pode apanhar então ele é um abusador não um Dominador. 
-Há demasiadas pessoas na nossa sociedade que manipulam, abusam, mentem para os outros em um esforço por ganhar o seu respeito. Há uma série de sinais de alerta, embora não sejam vistos facilmente. 
-Você tem medo de seu Dominador? 
-Ele ameaça lhe deixar caso você não o obedeça? 
-Ele ameaça recorrer à violência? 
-Você já ganhou ou perdeu muito peso ao estar com ele? (Isto não inclui a perda de peso intencional ou ganho) 
-Ele faz você se sentir culpada se você não consegue ou não quer fazer alguma coisa?
-Ele faz com que se sinta feia e indesejada? 
-Você já se sentiu como se tivesse sido estuprada depois de fazer sexo com ele?
-Será que ele ignora suas necessidades, tais como tratamento médico, alimentos ou roupas? 
-Ele já questionou sua lealdade quando você questiona o comportamento dele? 
-Ele a restringe de ter amigos ou sair para vê-los? 
-Ele restringe seu contato com a família? 
-Ele fica chateado com você quando você tenta falar sobre os problemas que estão tendo? 
-Ele sempre faz você se sentir como se não fosse boa o suficiente ou que pode ser facilmente substituída? 
-Ele ignora suas necessidades médicas ou físicas (isto não inclui a incapacidade devido a dificuldades financeiras)? 
-Você já pegou o em uma mentira? 
-Ele tira sarro ou deprecia suas crenças religiosas? 
-Ele lhe dá motivos para ter a sua honestidade questionada? 
-Ele desaparece por longos períodos de tempo sem nenhuma explicação e se recusa a discutir isso com você ou fica irritado quando você pergunta? 
-Ele a força a praticar algo onde você se sente desconfortável? 
-Você já se sentiu suja depois de estar com ele? 
-Você já sentiu que ele está escondendo alguma coisa importante? 
-Ele lhe bate sempre que está com raiva? 
-Ele já lhe disse para não falar com outras pessoas sobre o seu relacionamento? 
-Ele a restringe de falar com os seus escravos ou submissos passados? 
-Você tem medo de discutir algo com ele? 
-Ele já ameaçou ou ficou furioso quando você disse a ele um não? 
-Ele já lhe emprestou sem o seu consentimento? 
-Ele já trouxe outro indivíduo para o relacionamento, sem consultá-la ou sem o seu consentimento? 
-Outras pessoas já lhe disseram para ser cuidadosa ou manifestaram preocupação com o seu bem-estar? 
-Ele já falou mal de você para outro Top ou bottom? 
-Após uma cena ou sessão você experimentou uma quantidade anormal de depressão ou ansiedade? 
-Durante a relação você já pensou em cometer suicídio? 
-Ele a faz sentir que a sua opinião não importa? 
-Ele a pune sem explicar por quê? 
-Ele expressa ciúmes sempre que você menciona outros relacionamentos BDSM ou não que já teve no passado? 
-Ele tira o seu dinheiro e se recusa a dar-lhe o suficiente para cobrir suas necessidades básicas? 
-Você já se sentiu sozinha, mesmo na presença dele? 
-Ele a pune publicamente ou na frente dos outros? 
-Ele sempre se recusa a falar sobre o próprio passado? 
-Ele ignora seus limites ou palavras de segurança?

Essas são apenas algumas das centenas de situações que podem ser definidas como abusivas. Algumas das situações descritas acima podem ocorrer de forma “saudável” dentro da relação desde que acordadas previamente. Existem bottons que gostam da privação de liberdade, da humilhação, mas se esse não é o seu caso. Atente-se.

Se esse comportamento está dentro de sua área de consentimento, com isso quero dizer, se você concorda em ser tratada dessa maneira, se você concorda com o fato de que você pode ser doada a outro Dominador, ou pode ser humilhada em público... Ok.

Se não é assim, então talvez haja a necessidade de conversarem sobre o que vocês entendem sobre os limites, e as estruturas do relacionamento.

Se o comportamento foi feito por descuido ou feito de forma não intencional, então eu sugiro falar com o Dominador e deixar que ele ou ela saiba como o comportamento deve ser mudado. Se o comportamento foi feito por raiva ou malícia, então talvez você precise reavaliar o regime que você tem atualmente em seu relacionamento.

Esse texto é para ajudar a perceber a diferença entre a servidão e abuso consensual.

Ninguém merece ser maltratado; infelizmente, por vezes, um indivíduo não percebe que está sendo, ou acredita não ter alternativa.

Todos tem o direito de ser tratados de uma forma que eles se sintam confortáveis.

(Por ter sido escrito por um Dominador, sua visão é de uma submissa do sexo feminino, mas pode-se aplicar a ambos os sexos)

sexta-feira, 6 de março de 2015

"NA BERLINDA BDSM" - RICHARD SAVIOLLI

A entrevista com o Sádico Richard Saviolli, aconteceu dia 20/11/14, em nosso grupo no facebook. Abaixo a entrevista revisada e editada.

Bia Baccellet: Iniciamos agora a entrevista com Richard Saviolli. Após a apresentação do nosso convidado as perguntas poderão ser feitas. Boa noite a todos!!!!!

Richard Saviolli: Primeiramente uma boa noite a todos.
Chamo-me Richard Savioli, e Vince é meu apelido social/real. Meus amigos me chamam de Vince e eu prefiro. Sou puramente sádico, não tenho envolvimento com a DS e possuo 24 anos. Moro em São Paulo, capital. Acho que é o suficiente, sou péssimo com apresentações, então que comece as perguntas

Bia Baccellet: Como teve seu primeiro contato com o BDSM? Conte-nos um pouquinho da sua história...

Richard Saviolli: Bia, meu primeiro contato com o BDSM foi pela internet, isso é o mais estranho. Sempre fui curioso, desde criança fuço as coisas, então nos tempos do orkut, por volta de 2005, acabei por encontrar comunidades sobre BDSM no orkut e entrei.
Desde então tomei interesse e descobri o needleplay, fui me descobrindo aos poucos, descobri do porquê gostar de furar coisas, vivia fuçando as agulhas da minha mãe e afins.
Por volta de 2007 já sabia de muita coisa e acabei por integrar o BDSM aos meus RPG'S virtuais e relações reais, percebi que muitas pessoas, até com seus 40 anos, tinham as mesmas dúvidas que tive, foi então que foquei-me em querer ensinar.
Acho que essa foi a parte mais gratificante da minha vida, quando descobri que tinha vocação para ensinar uma massa, de não deixar eles a deus dará como me deixaram. Muitos tops e mestres viram um potencial em mim e me chamavam para moderar seus grupos, marcar encontros pela região onde morava(zona leste) e assim comecei com essa vida de "ensinar e ser ensinado".
Com 18 anos eu já era dono da BDSM Brasil e estava deveras ansioso, porém estou muito satisfeito que o meu esforço gerou resultados e servi de incentivo a outros jovens.

Cammy Veras: Boa noite! O que espera de uma submissa para que lhe sirva?

Richard Saviolli: Cammy, não espero muito sendo bem sincero. Por não sugeri a ideia da DS, acabo por ser muito mais flexível que dominadores ou disciplinadores.
Acho que o que espero é que a minha Bottom cresça junto a mim, pegue o interesse por ler, testar, conversar, exceder limites e coisas do tipo.
O que espero é que ela não fique estagnadao u esperando eu tomar atitudes por ela, isso não é tipo de "play" que gosto, gosto de Bottoms mais ativas, conversadores e até teimosas. Diria que gosto até das brats por serem "bocudas.
Agora no ponto inverso; Não gostaria de ter uma bottom que se anulasse, creio que ela deixaria de evoluir e aprender o que ensino nas entrelinhas. O que mais me chama atenção em uma Bottom não é o seu corpo, mas sim suas práticas, então acho que toda Bottom primeiramente deva ter orgulho de si mesma. Se ela não tiver orgulho de si, não amar a si mesma, nem eu poderei me orgulhar dela.

Morgana Stoker: Boa noite a todos e em especial ao nosso entrevistado. Aproveito pra parabenizar ao Richard pelo belo trabalho na comunidade, tiro meu chapéu pra quem tão jovem já detém tanto.conhecimento e se disponibiliza a passar isso adiante. Como foi sua primeira sessão de needle? E qto aos acidentes, já vivenciou algum? Beijo!

Richard Saviolli: Boa noite, Morgana muito obrigado pelos elogios. A minha primeira sessão foi complicada, não vou omitir ou me fazer de perfeito. A primeira sessão foi estranha, de verdade, pegava as agulhas e não sabia direito os calibres e nem como perfurar de maneira profissional, mas ao final das contas tudo ocorreu bem.
A primeira sessão real de needle play que tive foi por volta de 2008, eu aidna estava com uma ex que prefiro não citar o nome, ambos tinhamos curiosidade e tentamos. Fiz um círculo bem torto de agulhas nas costas dela, usei sabonete umidecido neutro e antibactericida, depois usei o álcool 70 com algodão e comecei.
Já nesta sessão aprendi muito, coloquei algumas agulhas de forma muito "superficial" e percebi que a pele poderi rasgar se eu errasse, fiquei com medo de sangramentos, mas n o me deixei tomar por medos ou receios, se eu assumi a responsabilidade de estudar e colocar uma, teria que fazer direito e prestar atenção.
O meu problema maior foi na retirada, ainda não sabia "pinçar" para retirar as agulhas e acabou sangrando mais do que deveria, a minha ex estava sossegada, enquanto estava em quase desespero porque não sabia se era ou não para sangrar. No final eu passei álcool com algodão e após um minuto mais ou menos não havia uma gota de sangue e ela riu de mim e mto mde brincadeira.
Foi muito divertido, mas preocupante. A primeira experiência a gente nunca se esquece.

Morgana Stoker: Obrigada pela resposta! Te fiz essa pergunta Pq sabia q vc contaria como foi, de verdade, sem querer ser super herói bdsm...hahahaha. Meu primeiro needle foi bizarro tb, mesmo usando agulhas no dia a dia. Mas... a parada é essa. Somos humanos né?

Rita De Cassia Longo Longo: Boa noite .. acompanho seus comentários no grupo de BDSM .. enfim.. existe alguma pratica que vc sente prazer mas que nao faria ? Se existe qual é ? .

Richard Saviolli: Rita De Cassia, essa é uma coisa que costumo não falar, mas como sou bem "face limpa" vou dizer.
Uma coisa que sinto prazer, mas que é impossível eu praticar por ser um crime em todos os âmbitos é uma coisa chamada "Ero Guro",
Ero = Erotismo.
Guro = Bizarro.
Em resumo é bizarrice erótica, são mandas e hq's que possuem estupro, violência, genocídio, estripamento e essas coisas bem "bizarras" misturadas à sexualidade. Não sinto prazer em ver pessoas reais passando por essas situações, isso que é estranho.
Minha mente possui um bloqueio com isso, tenho nojo de genocidas e estupradores, porém no HQ isso me excita. creio que seja a famosa diferença entre fantasia e realidade.
Que eu não faria é só isso mesmo.

Alexsandra Da Costa Leite: Boa noite a todos, em especial ao entrevistado, Richard Saviolli, poderia comentar mais sobre agulhas? Visto que tb adoro usá-las.

Richard Saviolli: Alexsandra, a sua pergunta foi bem abrangente, mas vamos ver se consigo responder.
O risco das agulhas não estão nelas em si, mas na forma em que são utilizadas, creio que seja um material que só deva ser usado por quem conheceo mínimo do mínimo da anatomia humana.
Um exemplo disso é uma veia importante que fica localizada no bumbum, muitos acham que por ser uma área verde para spanking, também é para agulhas.
Acho agulhas lindas, maravilhosas e delicadas, muitos acham que dói, mas eu nunca vi dor real na prática. Acho que o que move os needleplayers é o prazer visual, o prazer psicológico e até o sangue da pós sessão.
Aproveitar esse engate e falar para quem gosta sempre encherter um descarpack e enchê-lo até a marca de segurança, jogar esses materiais no lixo é crime.
Há também a parte da saúde, perfurar um diabético ou pessoa que está com problema na coagulação do sangue é uma grande "furada".
Mas ao todo amo agulhas.

Bia Baccellet: Quais as práticas que mais aprecia, além das agulhas que já mencionou?

Richard Saviolli: Bia, muitas das coisas que tenho vontade de fazer/aprecio são impossíveis por causa do alto valor do material. Gosto de tudo que envolva tortura e sadismo, já até pesquisei valores de réplicas de maquinárias medievais como o esmaga seio e outros itens usados pela igreja católica, mas claro que os adaptaria para o prazer e não para a morte.
Uma prática que aprecio e não acho quem me ensinar, porque acho muito delicado para tentar sozinho só com material da internet ou vídeo, é a escarificação. Aprecio muito, acho divino.
Das básicas gosto de spanking, ball-gags, bondage, estupro teatral. Também amo lidar com o medo, fear play, já tranquei EX dentro de um armário(PS, ela não tinha claustrofobia. Sou contra abusar de fobias) e a deixei por horas ali de castigo.
Realmente tudo o que gosto está voltado para o sadismo físico e psicológico, não me vejo em uma cena DS. 

Bia Baccellet: Mencionou acima que prefere as "bocudas" ou brats como chamamos. Como você consegue chegar no limite do que é saudável e tolerável com uma brat? Brats são famosas por serem provocadoras para serem castigadas, mas como saber o limite da provocação? Até onde é saudável para uma brat ir, sem deixar o Top "P da vida" e com vontade de "descer a lenha" por estar passando dos limites?

Richard Saviolli: Bia, acho que é necessário uma ótima e longa conversa quando se fala das teimosas e isso vai variar de pessoa para pessoa.
Um exemplo do que difere um de outro, é que a brat vai colocar uma meia 7/8, roçar-se em mim, mandar beijo, pedir para transar, ter sessões, ela vai me provocar, ela vai dizer que não quer, vai responder em tom maneirado.
Já não vejo uma submissa vindo semi-nua e esfregando as nádegas em mim porque isso poderia me desrespeitar. A diferença para mim é essa, de provocação, a submissa não vai provocar porque pode irritar o top e o prazer dela é obedecer, já a brat vai provocar porque ama isso.
Odeio ser mimado e gosto de provocação, então a brat não pode em hipótese alguma me chamar de bebê, meu amor, ficar de beijinho e abraço carinhoso, elogios constantes e afins porque realmente odeio isso, esse é o meu limite.
Quanto a não passar dos limites, isso também vem de uma boa conversa, porque o BDSM deve ser consensual e o castigo não deve ultrapassar os limites do Borrom. Odeio quando utilizam formas bizarras de punir o Bottom, exemplo; Saber que o bottom passa mal com scat e utilizar isso como castigo, saber que o bottom tem medo de altura e amarrá-lo no terraço, essas coisas não se brincam, fobias podem levar a óbito, a pessoa pode enfartar ali.
Então o casal vai ter que se conhecer muito bem antes de pensar em quis castigos aplicar. O castigo não pode ser agradável ao Bottom, senã não é castigo, mas também não pode ser exagerado.

Bia Baccellet: Revelou que não curte D/s, porquê?

Richard Saviolli: Bia, não gosto de dar ordens, ter uma pessoa submissa ao meu lado. Envolvi-me com duas submissas, uma tinha a ideia de um relacionamento TPE, ela não fazia algo sem a minha autorização, tinha medo de me decepcionar e acabava por não fazer nada.
Eu escolhia as roupas dela, cor de unha e tudo mais, mas senti um abismo dentro de mim, eu estava entediado, não tinham surpresas, eu sabia que o que eu mandasse, ela faria.
No final a relação não tinha novidades, não tinha o clima que gosto. Não sou uma pessoa para mandar da forma que pede um relacionamento DS, não gosto sequer de criar regras básicas para um relacionamento. Prefiro deixar as coisas acontecerem, só basta um contrato para saber limites e está ótimo.
Realmente não "nasci" para ser dominador. haha

Marcia Leite: Boa noite Richard Saviolli!!! Qual sua opinião, sobre o Sw?

Richard Saviolli: Marcia, apesar do termo switcher ter chegado depois junto com o dom e sub, porque antes não tinham esses termos, acho que o switcher é o que mais se aproxima da velha da velha guarda, por quê ?
O BDSM nasceu dos militares motoqueiros da Leather, e ali quem queria ser TOP tinha que ser primeiramente Bottom. Você tinha que merecer o cargo, não era apenas assumir-se algo e pronto.
Pensando por esse lado, eles eram swichers em sua maioria, pois obtinham prazer e gostavam da parte Bottom, e por fim gostavam ou não da parte top quando chegavam ao topo de uma hierarquia.
Então essa ridicularização com os SW é ridícula. Pegar o que você disse que sim, vou fazer uma crítica aos críticos.
Antes de falar mal de Switcher, essas pessoas deveriam estudar a história do BDSM pelo menos, porque se a pessoa quer falar, que ela ao menos saiba do que vai falar. Odeio gente que fala o que não sabe e se afunda na própria ignorância.
Para mim swtichers são tão adeptos quanto tops e bottoms, nada de mais, nada de menos.

Bia Baccellet: Qual a sua opinião sobre o que hoje se chama BDSM virtual, onde as pessoas não se envolvem fisicamente, fazendo "sessões" na web cam?

Richard Saviolli: Bia, acho normal. Sou do tipo de pessoa que comprrende os lados ao invés de julgá-los sem compreensão.
Estamos em uma era virtual, só não creio que a parte SM possa ser aplicada virtualmente porque o sadomasoquismo exige duas pessoas no mesmo ambiente, ou seja, uma aplicando e outra sentindo a aplicação.
Para resumir essa parte fica assim; Para ser sadomasoquismo é preciso de um sádico "batendo" na masoquista, se for algo "self" como em webcam acaba por ser apenas masoquismo.
Porém a parte DS vejo sim possibilidade de chamar de BDSM, porque uma pessoa manda e a outra obedece, o DS é basicamente isso. Se o Dom manda a Bottom dele por o plug, maltratar a si mesma e afins, ele está exercendo o seu poder sobre a pessoal, afinal ela está a obedecê-lo, e há mais dois fetiches ai além da DS, o de exibicionismo e voyeurismo.
Muitos discordam de mim, mas nunca vi argumento que invalidasse uma DS virtual. Sendo bem sicnero, a coleira virtual está há anos ali na "hierarquia das coleiras", porém ela é bastante contestada.

Marcia Leite: Richard Saviolli, qual a sua opinião sobre 50 tons de cinza?

Richard Saviolli: Marcia, acho normal. Esses dias vi um comentário que resumiu tudo o que eu sempre quis dizer; BDSm'ers reclamando de 50 tons de cinza é como piloto da aeronáutica reclamando de top gun ou um praticante de esgrima reclamar dos filmes do Zorro.
Por que ?
Porque o livro não é BDSM, ele é um Soft Porn, todo Soft Porn possui elementos fetichistas em algum nível, mas são livros feitos para jovens leigos e pessoas adultas, já casadas, que nunca tiveram experiências assim por causa do cônjuge limitado.
Então vamos ao público foco e à estratégia; É uma baita de uma jogada, o filme envolve elementos fetichistas interessantes de forma extra soft, o que é de interesse de todos que querem experimentar algo novo, como isso pode ser ruim ?
O problema nunca foi a ficção, mas aqueles leitores ou críticos que não sabem separar ficção de realidade. Dai acabam por procurar essoas do mesmo jeito que as do livro, enquanto outros criticam coisas reais por causa de um livro, isso não faz sentido, de verdade.
Só achei ruim a parte de usar um personagem com patologias para ser o fetichista, isso acaba por realçar que essasp essoas possuem algum desvio, mas voltamos à parte da ficção, isso não é realidade. A Anastasia nunca foi submissa e isso é nítido, ela só queria transar com o cara dos sonhos.
Bem, não tenho mais o que dizer. Sei que o livro cumpre o que ELE PROMETE. 
Ele não pode cumprir um intuito que foi criado por quem não o escreveu, então se for para fazer uma avaliação crítica, prefiro ser bem realista e "crítico de verdade", sem mimimi ou drama.

Bia Baccellet: Como é ser dono de um grupo tão grande como o BDSM Brasil? Quais os maiores desafios?

Richard Saviolli: Bia, é uma mistura de cansaço e orgulho.
O grupo já foi deletado por volta de 5 vezes, então eu voltava e o refazia. É muito cansativo porque exige muita atenção e imparcialidade, ainda mais paciência. É muito trabalhoso, muitos teriam desistido no meu lugar porque estressa e estressa muito.
Os maiores desafios estão na imparcialidade. O grupo possui regras e essas devem ser respeitadas, é difícil banir um amigo de infância, a noiva, a namorada masoquista e etc... porque eles desrespeitaram as regras.
Assim como é difícil não banir aqueles membros chatos e ignorantes porque eles não quebraram as regras ainda, por mais irritantes que sejam.
O maior problema pessoal é a "imagem", porque como dono daquele grupo, qualquer erro que eu cometer, qualquer coisa que suje a minha imagem, vai me "ferrar" em grande escala, porque não vai ser apenas o Richard, mas o dono da BDSM Brasil.
As pessoas podem transformar facilmente um pequeno erro se transformar em um grande desastre em relação a mim, então é muito chato se envolver com pessoas e sempre manter a "rédea curta" ou ficar receioso por ser uma imagem pública.
Muitos sonham em ser populares, alguns querem estar n meu lugar, mas não têm a mínima ideia do que é ter fake(homem em perfil de mulher) te caçando vendo se você trai a esposa, dando em cima de você. Gente fuçando suer timerline para achar um erro e ir lá postar em 300 grupos para ferrar a sua imagem.
Sério, é muito stress, e vale lembrar que faço isso de graça, então é bem difícil aturar tudo isso sem ter lucro sobre. É um trabalho honesto para pouco lucro.
Mas estou muito, muito, muito satisfeito com pessoas que vêm ao meu private dizer que amam o grupo, que adoram o meu trabalho, que me admiram e tudo mais. Esse é o melhor pagamento que posso ter, acho mais gostoso do que ter meus milhares e não ter com quem compartilhar.


Helena Pimenta: Richard, vim só para deixar um beijo pra você e fazer tietagem...rsrsrsrs... sabe que te gosto muito! Vou aproveitar para perguntar - se ninguém tiver perguntado, claro, vou te ler amanhã - : tem limites?! como os estabelece, pensa em trabalhá-los?! (Bia...beijos...saudades... saindo e voltando amanhã para ler  )

Richard Saviolli: Helena, não pretendo trabalhar os meus limites pessoais, sou bem arrogante e me seguro para não falar besteiras.
Quanto às práticas, estabeleço-os logo de início, digo que gosto disso, daquilo e daquilo outro, dai se a pessoa não gostar eu sequer começo. Procuro pessoas com prazeres no mínimo similares para que não haja quebra de limites, assim posso praticar o prazer de ambos de forma despreocupada que não vou ultrapassar os limites de ninguém.
Agora, uma coisa é certa, se a pessoa não gosta de dor, nem de agulhas ou cortes é sem chance até de iniciar a relação. Não gosto de "forçar práticas", então procuro pessoas parecidas.

Bia Baccellet: Qual foi a maior encrenca que já se meteu sendo dono do seu grupo? Qual a maior "treta" que já aconteceu?

Richard Saviolli: Eita, Bia a maior treta que me lembro foi com uma Bottom que foi ao meu grupo dizendo ser estudante de psicologia, ela dizia que todo adepto do BDSM hardcore era doente e que ela conseguia provar isso(Sem prova alguma, incrível).
Foram meses de brigas, brigas e brigas até que a "diversão acabou" e acabei por bani-la. Essa briga foi deveras divertida. Triando isso tiveram várias brigas internas que geraram o banimento de muitos membros, muitos mesmo.

Giulia Farnese de Fernando: Richard Saviolli, boa noite, uma vez que não é adepto de relações Ds, como extrai de uma prática o melhor dela? Por exemplo, na Ds o dominador acaba conhecendo muito bem o corpo e os limites do botton, porém em plays avulsas isso normalmente não é possível. Outra dúvida: quando diz que não tem Ds, significa que só pratica de maneira avulsa ou mantém parceiras ou parceiros fixos, porém sem a parte da dominação?

Richard Saviolli: Giulia, acredito que seja o contrário. Fora da sessão o Top conhece mais o humor e estilo de vida do Bottom, mas é na sessão que ele conhece, na prática, os limites da Bottom, pois é ali que tudo entra em prática, tanto que a DS tem uma tríade chamada EPE que é DS, mas a DS está presente apenas durante as sessões.
Tenho parceiras fixas sim, atualmente moro com uma e estou satisfeito. A dominação que pratico só está presente durante o sadismo, porque é muito difícil separar uma coisa da outra, quando dou uma ordem no meio da sessão Sm, acabo por exercer a DS neste momento, então na prática não é tão fácil separar um do outro.
Mas fora da sessão meu DS é zero, não há regras explícitas não. Espero que tenha entendido o meu ponto de vista

Bia Baccellet: Como é a relação entre sua vida BDSM e família? Eles sabem desses seus gostos particulares? Se sabem, foi natural a revelação ou foi um evento traumático?

Richard Saviolli: Bia, sempre fui "espertinho" e bem arrogante. meus pais sabem, a minha família sabe, tanto que duas das minhas tias querem ir ao Fetlife Party aqui de SP, eu as convidei e elas ficaram maravilhadas.
A descoberta foi como a das outras coisas, sempre fui muito independente, com 14 anos coloquei meu primeiro piercing e já trabalhava, com 17 me assumi ateu e a família é cristã.
A parte que mais recebo apoio é da minha mãe, ela nem liga. Como eu morava com eles e minha mãe arrumava os armários, ela via lá as agulhas, máscaras de couro, chicotes, cane e etc... era bem divertido.

Giulia Farnese de Fernando: Richard Saviolli, entendi perfeitamente. 
Seguindo em frente, como sádico pratica sadismo psicológico? Se sim, poderia nos dar um exemplo e qual cuidado utiliza com tal prática?

Richard Saviolli: Giulia, o sadismo psicológico é delicado, eu diria que dependendo do caso é uma red flag.
Exemplos de sadismo psicológico são humilhações e ofensas, também se encaixa aqui o prazer por ver a pessoa com cara de choro, irritada por causa de um ato do top.
Uma questão que bato e que vivi uma vez é deveras delicada. Uma menina acima do peso me procurou no Itaim Paulista, marcamos encontro porque ela estava em "crise".
A situação foi triste, o ex dela era sádico, mas da forma mais cruel que existia, ele tirava foto dela e realçava a barriga e escrevia "gorda nojenta" sobre, ele a huimilhava de verdade, ela estava em depressão e quase tentada ao suicídio.
A situação foi ridícula, então a indiquei um psicólogo e que fosse à polícia fazer uma queixa para que ele ficasse longe dela.
Este não foi um caso BDSM, mas serve de aviso para ter cuidado com quem se intitula sádico. A DS é mais "leve" por ser submissão e dominação, o Sm é mais hard porque vamos lidar com dor de verdade, com maltratos, ofensas, spankings, agulhas e lâminas.
Então é bom saber muito, muito bem com quem nos envolvemos.

Bia Baccellet: Fazendo uma ponte entre BDSM e religião. Você se declarou ateu, acha que religião(qualquer que seja) é incompatível com BDSM, ou não há nenhuma relação entre ser religioso e BDSMer e são perfeitamente compatíveis?

Richard Saviolli: Bia, creio que só o cristianismo não se encaixa com o BDSM, as outras religiões, ainda mais pagãs, podem render cenas muito legais de BDSM. Algumas religiões acreditam em deuses do prazer, fertilidade e afins, alguns fazem orgias em homenagem às deusas e também praticam fetiches.
Só acho que o cristianismo não combina porque ele mesmo condena, uma cidade inteira foi queimada só por fazer sexo anal/homsosexual, então é uma religião que eu mesmo não gosto.

Bia Baccellet: Entrevista encerrada!!!! Muito obrigada Richard Saviolli pela ótima entrevista e pela disponibilidade!!! A todos uma ótima noite e até a próxima!!!!!

A entrevista original pode ser visualizada em nosso grupo no Facebook.

domingo, 28 de setembro de 2014

"NA BERLINDA BDSM" - DÉBORA GOYA

A entrevista do dia 05/09/14 foi com a Domme Débora Goya, que aconteceu em nosso grupo do facebook.

Abaixo a transcrição da entrevista na íntegra.


Bia Baccellet: Iniciamos agora a entrevista com a Domme Débora Goya. Após a apresentação da entrevistada as perguntas estarão liberadas. Boa noite!!! Apresente-se!!!!

Débora Goya: Boa noite! Sou Débora Goya, 38 anos e sou Domme iniciante, atuando há 1 ano e meio no BDSM. Um prazer estar aqui e grata à Bia Baccellet pela oportunidade!

Bia Baccellet: Como conheceu o BDSM?

Débora Goya: Boa noite, Bia! Bom, o primeiro contato se deu mais ou menos em 99 qdo fui a uma festa totalmente alternativa e chegando lá tinha um cara de quatro no chão, coleira e guia, passeando pelo lugar. Ele parou na minha frente e pediu pra que batesse várias vezes na cara dele. Nem sabia da existência do BDSM propriamente dito, mas gostei da experiência e aí que me falaram do que se tratava e fui pesquisar mais a respeito.

Fernando Resende: Sente-se à vontade quando um sub demonstra o desejo de ser estrangulado (se é que já interagiu, é claro, com algum que tivesse esse fetiche)? É que noto que é uma prática bastante popular entre subs, mas não muito simpática à maioria das dommes, que preferem não praticar...

Débora Goya: Boa noite, Fernando! Sinceramente, eu curto bastante! Mesmo nos meus tempos de bau, eu praticava - de leve rs - isso com um parceiro outro que me permitiam. Ou seja, me sinto sim à vontade quanto a realização desta prática. Mas por saber da minha condição de iniciante, mesmo já experimentado antes, sou cautelosa, às vezes até demais. rs Mas faço numa boa, tenho bastante prazer nisso

Bia Baccellet: Como descobriu sua posição(dominadora)? Nunca teve interesse pelo outro lado do chicote?

Débora Goya: Bia, nas minhas relações baunilhas, eu senti gostei de comandar, tive muitos problemas por conta disso, por ser mandona, autoritária, querer as coisas do meu jeito. rs E conversando uma vez com a Karla sobre isso, foi quando me dei conta desse meu lado Domme de ser. rs Fora estes aspectos, tenho alguns outros q acho q são bem característicos de dominadora, que é ser ciumenta e possessiva. E qto ao outro lado, tem algumas coisas que eu acho legais e até pratico com um sub com quem saio eventualmente, onde domino a maior parte do tempo, mas que me sinto extremamente confortável em permitir que ele faça algumas coisinhas comigo, mas nada demais, nada que chegue ao ponto de me classificar como SW. rs Um puxão de cabelo, uma pegada mais forte, coisas do tipo. E um pouquinho de dor, eu assumo q gosto de sentir, mas só.

Helena Pimenta: Boa noite, Débora Goya, disse acima que seu primeiro contato foi em 99, mas que é Domme iniciante, há 1 ano e meio no BDSM. Por que essa lacuna no tempo? O que a trouxe definitivamente ao BDSM?

Débora Goya: Boa noite, Helena! Bom, essa lacuna se deu justamente por não ter por perto pessoas conhecidas que frequentassem o meio. Nesta festa q fui, fui com um amigo q tb não sabia do que se tratava. Mas sempre li a respeito, tinha o site de Sistinas, onde lia muito sobre o tema, mas nunca me aprofundei, embora gostasse muito. Até que no ano passado, conversando com uma amiga, ela me revelou seu lado sub. E q era casada com seu dono. Aí, ferrou de vez! Passei a pesquisar arduamente sobre o tema, conversava horas com ela pelo skype debatendo sobre o assunto, me interando cada vez mais sobre e até que me mudei de mala, cuia e alguns floggers de que ganhei de presente para o "submundo". rs

Gabriel SrRasputin Souza: Uma de praxe... Quais suas práticas preferidas e qual prática ainda não realizou mas morre de vontade?

Débora Goya: Boa noite, Gabriel! Minhas práticas favoritas são podolatria, spanking e inversão. E uma prática que nunca fiz e tenho muita vontade é mumificação.

Gabriel SrRasputin Souza: O fato de ser iniciante foi citado. Sentiu alguma forma de preconceito por isso?

Débora Goya: Sobre a sua outra pergunta, Gabriel, em relação ao preconceito... Eu nunca senti. Eu não escondo de ninguém que sou iniciante. Se houve preconceito, foi velado. E muito bem, pq nunca senti mesmo. Mas acho que devo ter sofrido sim.

Simone Ana: boa noite Débora Goya, o que acha de slave moneys?

Débora Goya: Boa noite, Simone! Eu nunca tive uma experiência com money slave, ou slave money, como vc colocou. Mas na minha ideia, eu acho que deve ser interessante, mas acho q isso deve ser utilizado apenas no q concerne à sessão ou caso a pessoa seja meu acompanhante numa festa. Não acho legal usufruir disto para assuntos pessoais, como pagar minhas contas e etc. Acho válido para aquisição de acessórios, brinquedos, presentes e mimos pra mim. Além disso, não acho legal, pra mim soa como oportunismo. Mas claro q isso é minha visão. Cada qual com sua negociação.

Cammy Veras: Boa noite! Já passou alguma situação de perigo em uma sessão? Se sim, poderia nos contar como foi?

Débora Goya: Boa noite, Cammy! Nunca passei perigo em nenhuma sessão. Até mesmo pq eu levei um certo tempo até fazer uma sessão mesmo pq eu queria me sentir segura pra realizá-la sob o prisma do SSC, preferi estudar bastante (e continuo estudando) a teoria e por conta disso, não tive muitas sessões. As que tive, sempre foram tranquilas. Sem contratempos ou perigos.

Karla Romero Castellini Dourado: Débora... gostaria de saber sua opinião pessoal sobre o sadismo... Quais fatores dão mais prazer, como acha mais legal desenvolver e conduzir uma cena desta forma...

Débora Goya: Boa noite, Karla! O sadismo pra mim, é divertido. Quando comecei, não sabia desse meu lado sádico. Por mais que lá em 99 eu tenha curtido bater na cara do rapaz na festa. rs Mas quando percebi este aspecto em mim, eu quis mais. E percebi q me é muito mais prazeroso tacar o terror psicológico na criatura do que a dor física, embora eu também goste de machucar. rs E a melhor forma de se desenvolver e conduzir este aspecto, sem dúvida alguma é buscando conhecer bem a pessoa com quem vou dar vazão a este meu lado. Seja numa sessão avulsa ou numa D/s. O conhecimento do outro e de si mesmo, acho q é a base para uma boa e segura conduta do sadismo.

Morenah Kesabel: Boa noite à todos! O que considera imprescindível para um sub seu? E porque?

Débora Goya: Boa noite, Morenah! Bom, num primeiro instante, que ele seja solteiro. rs Ou que pelo menos possa ficar marcado. Mas à medida que vamos conversando, acho imprescindível a pessoa estar realmente disposta a servir. Não me refiro, nesse momento, a me entregar seu poder de cara, isso é algo que conquista à medida que a relação cresce. E claro, dependo muito também da forma como conduzo essa relação. O sub tb deve atender ao menos às minhas práticas preferidas, ser educado, saber conversar sobre diversos assuntos e que seja sincero no que realmente busca e quer. E sem enrolações.

Karla Romero Castellini Dourado: Débora, é comum ouvir Dommes que separam o sexo do BDSM, ou até mesmo julgam que determinados atos sexuais não cabem em sexo com submissos.... o que acha a respeito?

Débora Goya: Oi Karla! rs Bom, eu acho que isso é uma opinião pessoal que varia de Domme pra Domme e no meu caso, eu não tenho problemas quanto à isso. Mas, nas sessões que já realizei, sexo com penetração, eu só fiz com um sub apenas. Eu gosto muito de sexo, não acho errado uma Domme permitir a penetração do sub, acho q isso em nada influencia na perda de poder da mesma (eu não me sinto assim), porém, tem muitos subs que não possuem essa visão e confundem as coisas, assumindo algumas vezes posturas indevidas em relação à Domme, desrespeitando-a. Aí cabe à ela conversar e ver qual a melhor forma de resolver essa questão.

Gabriel SrRasputin Souza: Vi que vc é wicca (ou pratica algumas coisas ligadas à esta religião). Existe algum ponto de encontro entre os 2 meios? De que maneira se antagonizam e/ou se completam?

Débora Goya: Gabriel, eu não misturo uma coisa com a outra, acho que não tem sentido mesclar o q pra mim se trata de desenvolvimento espiritual com BDSM. Mas acho que um ponto onde ambos possam se encontrar, talvez seja na liberdade ou no incentivo de simplesmente ser quem você é, assumindo as responsabilidades pelos seus atos.

Helena Pimenta: Débora Goya, a Senhora menciona que gosta de "tocar o terror psicológico na criatura". Daí deduzo que uma das suas práticas é a Dominação Psicológica. Quais os cuidados que a Senhora sente que são necessários para praticar sem causar danos na peça? Quais os cuidados posteriores à sessão e também a relação se for uma D/s finalizada (onde há a transferência de Poder) para trazer de volta ao bottom o seu próprio poder?

Débora Goya: Bom, como disse anteriormente, Helena , a base de tudo é uma conversa franca, uma negociação honesta e clara sobre o q se gosta e limites. Explico muito bem e de forma extremamente sincera como sou e do que gosto e a partir daí, de posse deste conhecimento sobre o outro, conduzo conforme o q me ocorre na hora, sou muito espontânea, mas sempre respeitando limite alheio e observando muito bem a reação do outro, pra evitar danos. Embora má, sou muito carinhosa. rs E muito cinestésica tb, então, se eu percebo q mesmo sem a peça pedir safe, ela ficou um pouco mexida após a sessão, trago sim para o meu colo se achar necessário, dou carinho, afago e converso, pergunto como a pessoa está se sentindo, como foi a sessão, pontos altos e baixos e com base no que ela me responde, vou tentando trazer a pessoa aos poucos de volta. Não tenho como falar mais detalhadamente sobre, pq nunca aconteceu comigo algo que tenha abalado profundamente a peça. Mas, admito, q talvez pela minha pouca experiência, por mais q eu goste de tocar o terror, vou na manha, justamente por temer dar algo errado e eu não saber como conduzir a situação

Simone Ana: curte dar tarefas aos subs? quais costuma aplicar (se for o caso)

Débora Goya: Simone, nunca dei tarefas ao sub, sendo bem sincera. Mas acho a ideia legal, pois é uma demonstração clara de domínio também. Sinto não poder discorrer muito sobre, por não ter tido a experiência ainda.

Edu Castellini Dourado: Débora Goya Boa noite amiga querida...!!! Quais as praticas que considera imprescindíveis em uma boa sessão de FEMDOM que conduza...?

Débora Goya: Boa noite, Edu! Bom, embora eu tenha as minhas preferências, nem sempre todas acabam rolando na sessão. Mas NUNCA dispenso a podolatria. rs Eu já gosto de começar com o sub aos meus pés. Adoooro demais essa prática e o resto, vai rolando de acordo com o desenrolar da sessão. Mas sempre tem humilhação, tapas na cara, na bunda, adoro OTK!

Marco Bauhaus Mishima: Como lida com a distância que existe entre o BDSM real - aquele que praticamos de fato - e o BDSM idealizado - aquele que muitos que leram livros, contos, etc... esperam encontrar - Débora?

Débora Goya: Boa noite, Marco! Bom, eu procuro "sentir" bastante o sub que vem conversar comigo pra saber qual é a visão dele sobre o BDSM e se percebo q ele tem essa idealização toda sobre o tema, passo pra ele a minha visão, que naturalmente foge de muito que é apresentado na literatura. Como muitos são iniciantes tb e até mesmo amigos baus q tem curiosidade sobre o tema, explico que por mais q seja diversão, é algo a ser levado muito a sério e com responsabilidade. E sempre recomendo buscar o máximo de informação a respeito, discutir com outras pessoas sobre, até conseguir se desvincular desta visão romantizada em livros sobre o BDSM. Não sei se consegui responder totalmente sua pergunta, mas é a forma como busco lidar com o q vc me questionou

Bia Baccellet: Sente alguma dificuldade em encontrar subs? Quais são os maiores empecilhos para encontrar um sub?

Débora Goya: Ótima pergunta, Bia! Sim, sinto MUITA dificuldade em encontrar subs. E os maiores empecilhos creio que sejam a minha inexperiência, ainda tenho muito que aprender sobre, o q me deixa às vezes um pco perdida, eu confesso. Tem tb o fato de ser aquele tipo de Domme educada, simpática, atenciosa e alguns vêem isso como razão para não respeitarem a hierarquia. E sem contar que me deparo com muitos "pseudo subs" - rs - que na verdade usam a submissão para chegarem a mim, mas que na verdade só querem praticar a inversão. rs Nada contra, cada um dá o q quiser dar, mas não é só isso q eu procuro, portanto, tb acrescento à esta lista, a falta de sinceridade de alguns, pq muitos falam q querem servir, mas na verdade isso é desculpa pra darem a bunda.

Bia Baccellet: Qual sua opinião sobre cinquenta tons de cinza? Veio pra trazer gente nova ou só atrapalhou a coisa de vez?

Débora Goya: Bom, Bia, eu não li nenhum dos livros da trilogia 50 tons, mas pelo q ouvi e li falar a respeito, acho q foi certamente um pontapé pra muitos q tinham interesse no tema de forma velada, buscarem mais informações sobre, já que virou moda, naquele lance de "todo mundo tá indo, então eu tb vou." Mas infelizmente, uma pequena proporção q tomou conhecimento do BDSM por estes livros, q realmente buscam saber de fato o q é BDSM, enquanto a massa, pensa que é mais porta para putaria, pro sexo fácil. Realmente lamentável.

Bia Baccellet: Domina somente subs homens? Já dominou uma mulher? Se não, dominaria uma mulher?

Débora Goya: Bia, domino apenas homens, embora práticas, tenha realizado algumas com mulheres. Não me vejo dominando mulher, até pq a vejo como igual, mesmo sendo ela submissa.

Bia Baccellet: Entrevista encerrada!!! Muito obrigada a Débora Goya pela entrevista, foi ótimo!!! A todos os membros do grupo boa noite e até a próxima!!!

Débora Goya: Eu quero agradecer à todos q participaram com sua perguntas, espero ter sido clara e coesa nas respostas, peço desculpas pela demora em responder algumas e por não saber detalhar alguns assuntos devido ao fato de ser iniciante, mas fiquei feliz por essa oportunidade de falar o que penso sobre BDSM. Um boa noite à todos e até a próxima! Sejamos felizes!

As entrevistas acontecem semanalmente no grupo do facebook Iniciação ao BDSM.

https://www.facebook.com/groups/233584086812714/permalink/324120461092409/

Para visualizar é necessário ser membro do grupo.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

"NA BERLINDA BDSM" - DANIEL PAULINO

O entrevistado do dia 28/08/2014 foi o Dominador Daniel Paulino, em nosso grupo do Facebook.

Abaixo a entrevista na íntegra.

Bia Baccellet: Iniciamos agora a entrevista com o Dominador Daniel Paulino. Perguntas liberadas após a presentação. Boa noite e por favor apresente-se!!!!

Daniel Paulino: Boa noite a todos. Meu nome é Daniel Paulino, também conhecido como Sr_Beren. São Paulo capital, 25 anos, quase dois anos como Dominador. Um prazer participar da entrevista.

Bia Baccellet: Como conheceu o BDSM Sr_Beren? Fale um pouco de sua trajetória de descoberta.

Daniel Paulino: Então Bia, meu primeiro contato com o BDSM foi enquanto eu morava na Alemanha. Eu tive um relacionamento um pouco complicado com uma brat, que hoje apesar de não ser mais minha, ainda é minha melhor amiga.
A gente teve uma primeira sessão um tanto quanto "acidental" e depois disso eu me descobri no papel de Dominador.

Helena Pimenta: Boa noite, Bia Baccellet e Senhor Daniel Paulino. Senhor, na chamada foi citado que vivenciou o BDSM na Alemanha, o que poderia nos falar sobre... e quais são as diferenças mais marcantes que notou até aqui?

Daniel Paulino: Helena: então, a diferença é bem grande. Acho que tem duas coisas que são as mais gritantes:
1o. os dungeons. Na Europa os dungeons são muito, muito maiores do que aqui no Brasil, lá existem poucas festas onde você não tem mais de 300 pessoas reunidas. A diversidade de cenas publicas é muito maior, e o mais importante, lá não existe esse "preconceito" contra sexo, é a coisa mais comum uma sessão terminar, ou envolver sexo dentro de um dungeon.
2o. as regras. Na Europa as pessoas tem uma visão muito diferente das regras dentro do BDSM. Existe muito menos discussão a respeito de esteriótipos, por exemplo, eu tive algumas amigas Dommes e masocas, que treinavam os escravos pra usar floggers ou bullwhips. Ao mesmo tempo você tem as regras pragmáticas muito mais estritas, as festas costumam todas ter um dresscode absolutamente mandatório, e coisas como submissas acompanhadas sem coleira em uma festa seriam um "pecado mortal".

Cammy Veras: Boa Noite Senhor, o que uma sub deve atender para ser uma boa sub para o senhor?

Daniel Paulino: Boa noite Cammy, bem, acho que o mais importante em uma sub é estar disponível pra se entregar. Uma coisa que eu sempre digo é que submissão não é algo que se "tira" de ninguém. Do mesmo jeito que o Dominante precisa ser uma pessoal 100% confiável e responsável, para merecer essa entrega, se a submissa não estiver disposta a ceder, não pode existir uma relação D/s.

Helena Pimenta: O que quer dizer com: " submissas acompanhadas sem coleira em uma festa seriam um "pecado mortal", poderia falar mais a respeito?

Daniel Paulino: Helena, existem algumas regras de etiqueta que são importantes pra uma festa, especialmente uma onde se espera cenas públicas, funcione direito. Uma delas é que submissas acompanhadas devem sempre usar uma coleira, pra evitar aquela situação chata de "ah, desculpa, eu não posso brincar, meu dono não deixa"

Bia Baccellet: Então prefere um BDSM mais litúrgico, com mais regras?

Daniel Paulino: Bia, eu não diria litúrgico. Eu não espero que ninguém, que não minhas submissas, me chame de Senhor ou qualquer coisa do tipo, mas, existem algumas regras que existem pra facilitar o convívio, especialmente em lugares onde acontecem cenas. Agora quanto às minhas próprias submissas, eu gosto de criar a nossa própria "liturgia", acho que as regras acentuam a laço numa relação D/s.

Simone Ana: Boa noite Daniel Paulino, no seu ver então o que o BDSM já "regionalizado" (duro será tentar entender a colocação rs) tende a perder em referencia ao que se vivencia la fora?

Daniel Paulino: Simone, bem a diferença é bem grande entre o BDSM aqui e lá. Acho que a cena aqui no Brasil ainda tem muito o que crescer, muito o que aprender. Mas não me sinto confortavel em dizer pior ou melhor.

Cammy Veras: Quais as práticas que lhe dão prazer? Quais ainda não praticou mas pretende desenvolver e quais não se interessa?

Daniel Paulino: Cammy, das praticas eu sou um apaixonado por flogging. O som, a sensação, as marcas, eu simplesmente adoro. Outra coisa que me dá muito prazer é orgasm training/control/denial, eu costumo dizer que não existem palavras mais doces do que "May I please come, Sr?" Que eu ainda não fiz acho que sobrou só a suspensão, Shibari/Kinbaku são paixões recentes. Que eu não tenho interesse eu diria blood/needle play, e que não faria de forma alguma, scat.

Edu Castellini Dourado: Bom boa noite amigo Daniel Paulino minha primeira pergunta...!!!! Como eram as regras do Dungeon Publico no clube da Alemanha onde praticava....?

Daniel Paulino: Edu, regras oficiais só existiam 3: RED é a safeword universal, Sexo só com camisinha, e sem fotos, em hipótese alguma. Agora, você tem toda a etiqueta, como subs acompanhadas devem usar coleira, sub não devem sentar em lugares mais altos do que os dominantes, etc...

Karla Romero Castellini Dourado: Daniel... é muito comum ouvir uma sub ser indagada sobre o que é pra ela a submissão... o que ela entende por servir... Gostaria de saber sua opinião sobre o oposto.... O que é Dominar para você? O que você entende como conduzir outra pessoa? (em questão de deveres/direitos, etc)

Daniel Paulino: Karla, eu acho que Dominação é acima do que qualquer coisa sobre assumir a responsabilidade. Quando uma submissa se entrega pra você, ela está colocando muita coisa nas suas mãos, e isso faz com que você seja responsável pelo bem estar dela, pela segurança dela, até mesmo o prazer dela passa a ser sua responsabilidade. Ser um bom dominante significa tomar essa responsabilidade pra você, e garantir que durante toda a relação, você esteja usando o poder que aquela pessoa colocou nas suas mão para melhorar a vida dela. O meu prazer como Dom está exatamente nessa transferência de poder, tanto no "controle", em si, que eu exerço na submissa, como nesse cuidado, que é minha obrigação por assumir o controle.

Helena Pimenta: Li em algum lugar que o termo "dominação psicológica" só é visto e usado no Brasil. Quais são as suas impressões a respeito de tal prática?

Daniel Paulino: Não sei onde você viu isso Helena, mas posso te garantir que está errado. No meu circulo nós sempre falávamos sobre dominação psicológica. Pra mim, ela é uma parte fundamental em qualquer relação D/s, e honestamente é minha parte favorita. Poucas coisas me dão mais prazer do que sentir que a minha submissa sente "necessidade" da minha autoridade, da minha autorização.

Simone Ana: Sessões avulsas. Tem alguma posição a respeito?

Daniel Paulino: Simone, não vejo o menor problema com sessões avulsas. Pra mim não é o mesmo prazer de uma relação D/s completa, mas cenas em geral são bem divertidas também.

Marco Bauhaus Mishima: Daniel, boa noite. Muito bacana você também ter uma experiência lá de fora. - É mesmo outro universo. Vamos as minhas perguntas... O que pensa a respeito do que chamam de BDSM Virtual? Da predominância de praticantes deste nos grupos de BDSM na internet Brasileira? E dos conceitos as vezes um tanto quanto idealizados ou exagerados que eles apregoam nos grupos?

Daniel Paulino: Olha Marco, eu sinceramente não tenho o menor interesse por BDSM virtual. Não sei sobre as pessoas que praticam, mas eu não sinto, nem sequer vontade de "dominar" alguém de quem eu nunca senti a "pele". Não acho que pode haver o nível de entrega que uma relação D/s requer em uma relação puramente virtual.

Marcia Leite: Boa noite Daniel Paulino....gostaria de saber sua opinião sobre sessões virtuais? Só virtual, funciona?

(Essa pergunta foi respondida dentro da resposta dada acima a Marco Bauhaus Mishima)

Helena Pimenta: Já que disse ser uma das suas práticas preferidas, poderia, por favor, nos falar a respeito dos cuidados que tal prática (Dominação Psicológica) necessita? Em um possível rompimento da relação, como lida para "devolver" os poderes à sua peça? Faz acompanhamento posterior ao fim da relação?

Daniel Paulino: Olha Helena, D/s é sempre complicado, a troca de poder cria um tipo de relação de dependência que é um pouco imprevisível. Infelizmente todas as minhas relações passadas acabaram de maneiras que impossibilitaram esse "after care", o exemplo mais notável sendo minha última submissa na Alemanha, que não conseguiu lidar com o fato de que nós descobrimos que eu iria mesmo ter que voltar ao Brasil.

Marcia Leite: Qual sua opinião sobre SW?

Daniel Paulino: Marcia, esse é um assunto sobre o qual eu compartilho a opinião do grande amigo Edu. Dominação e submissão não é preto e branco, existe um espectro continuo, e diferentes pessoas se encaixam em diferentes pontos desse espectro. Eu me vejo em um dos extremos desse espectro, na verdade, tenho problemas com autoridade em muitos aspectos da minha vida por isso, mas pra alguém que está mais no centro, nada mais natural do que se submeter a pessoas mais Dominantes e Dominar pessoas mais submissas.

Bia Baccellet: Dominaria um sub homem ou somente domina mulheres?

Daniel Paulino: Bia, olha faria sim alguma coisa tipo uma cena de spanking ou algo assim com um sub homem, porque o sadismo é um prazer em si só. Agora, não vejo como separar o D/s do aspecto sexual, e portanto, não, eu não dominaria outro homem.

Marcia Leite: Qual sua opiniao sobre cinquenta tons de cinza? Ajudou ou so atrapalhou?

Daniel Paulino: Marcia, olha, eu tenho "mixed feeling" a respeito disso. Por um lado, ajudou a divulgar a cena, o que é bom, atrai gente interessada e diminue o preconceito. Por outro lado, o livro tem uma visão terrivelmente distorcida do que é BDSM, e você precisa sempre corrigir essa visão que as pessoas aprendem por lá.

Bia Baccellet: Hoje conseguiria se desligar completamente do BDSM e levar uma relação completamente baunilha? O quanto esse estilo de vida está impregnado dentro de sua vida cotidiana?

Daniel Paulino: Bia. Eu não acredito nisso. Hoje ser Dom é parte de quem eu sou, e isso vai se manifestar, de um jeito ou de outro, em qualquer relação. Mesmo em relações não romanticas, como eu e meu orientador de doutorado, é possível notar a diferença que o fato de eu assumir a minha tendencia a dominar tem.

Marco Bauhaus Mishima: Eu sabia que responderia isso, Daniel. Penso exatamente o mesmo. E coleira sempre foi tida como um compromisso de altíssima seriedade. Entre pessoas que se conhecem muito bem, e praticam a um tempo. O que acha dos encoleiramentos relâmpago? Pessoas exigindo compromisso de quem mal conhecem e as vezes nem pisou em uma cena com elas?

Daniel Paulino: Marco, minha opinião é a mesma que sobre "casamento relâmpago". É uma aposta de altíssimo risco, pode dar muito certo ou muito errado.

Lino Naderer: por qualquer motivo que seja algo que já foi negociado antes da sessão ou antes do relacionamento teve que ser deixado de lado ou modificado?

Daniel Paulino: Lino, já me aconteceu de limites que a sub achava ser capas de ultrapassar acabarem sendo "hard limits". Mas é uma questão de enxergar isso e respeitar.

Angela De Ícaro: Qual sua opinião sobre as redes sociais.? Mais ajudam, ou mais atrapalham o meio?

Daniel Paulino: Angela, acho que as redes sociais tem um efeito positivo sim. Fica muito mais facil divulgar/organizar as coisas por aqui, e na minha opinião isso compensa de longe os efeitos negativos.

Bia Baccellet: Hoje há uma tendência forte de pessoas que se aproximam do BDSM pelo motivo errado, dizerem que é uma coisa ruim, por conta de experiências negativas. Eu costumo dizer que BDSM não é lugar para gente mal resolvida e que não é consultório psicológico. Por qual motivo acredita que as pessoas vem até o BDSM para curar seus medos e neuras psicológicas?

Daniel Paulino: Olha Bia, quando você está lidando com uma pessoa "centrada", o D/s pode ser uma ferramenta terapêutica fantástica, e isso atrai muita gente. Por exemplo, a maioria das pessoas que se cortavam e pararam com isso, que eu já conheci, tiveram ajuda de um bom Dom(me).
Agora, infelizmente, não dá pra tratar tudo usando D/s, se o que falta na pessoa é o básico de estrutura, ela precisa da ajuda de um profissional que saiba lidar com todos os aspectos do problema dela, e não de um Dominante que, a curto prazo, só pode mexer com comportamento.

Bia Baccellet: Pra você inteligência é fator mandatório para a escolha de uma parceira? Se considera sapiossexual?

Daniel Paulino: Com certeza Bia, uma amiga minha sempre me disse que eu sou um dos poucos filósofos, no sentido original, de uma pessoa apaixonada por entender, e portanto, pra me satisfazer por completo, uma parceira precisa ser capaz de manter um nível de discussão intelectual, por mais arrogante que isso pareça.

Bia Baccellet: Você considera que formar um grupo de amigos, ou um clã, ou uma casa, é fundamental para o crescimento dentro do BDSM? Dividir experiências e conhecimentos e ter amigos praticantes fortalece as relações BDSM?

Daniel Paulino: Bia, eu sou mesmo a favor das tais casas, acho que é sempre útil e agradável estar cercado de pessoas que você confia e admira pra dividir as experiências/construir mais conhecimento. Isso não significa que que viva fechado dentro de uma "panela" e não interaja com as outras pessoas do meio.

Bia Baccellet: Sendo sapiossexual assumido, encontra hoje, dificuldade em encontrar uma parceira? Sei que já possui uma menina, tem intenção em aumentar sua casa?

Daniel Paulino: Hahahaha, Bia, olha essa primeira pergunta é bem salgada viu. Mas, mesmo soando arrogante, eu tenho que admitir o quão feliz eu sou por ter encontrado na minha primeira submissa um par perfeito nesse quesito. Quanto a questão de aumentar a casa, essa eu deixo pro futuro, minha primeira submissa é nova no meio e eu quero que essa relação esteja 100% estruturada antes de pensar em trazer mais alguém pra junto de nós. Agora, sendo um apaixonado pelo "play", playpartners são bem vindas, desde que elas entendam direito qual a minha relação com a minha primeira submissa.

Bia Baccellet: Já aconteceu algum acidente em sessão, ou algo inusitado, talvez engraçado? Pode nos contar?

Daniel Paulino: Hahaha, Bia, minha primeira sessão foi um acidente em um certo sentido. Antes dela eu mal sabia o que era BDSM, só sabia que ela "gostava de apanhar". Essa brat forçou a minha mão até que a sessão "aconteceu". Felizmente nós eramos muito amigos e tudo ficou bem, ela acabou sendo a primeira pessoa pra quem eu dei uma coleira, e até hoje é minha melhor amiga. De engraçado, acho que o melhor foi uma sessão, com essa mesma menina, em que ela veio pra me beijar depois do spanking e eu, gripado, acabei espirando nela. Eu fiquei sem saber o que fazer, mas ela, com toda a elegância deste mundo, abaixou a cabeça e disse "Thank you, Sr".

Bia Baccellet: Entrevista encerrada. Muito obrigada pela ótima entrevista Sr_Beren. Foi realmente incrível ter partilhado sua experiência e vida conosco. Aos demais boa noite e até a próxima!!!!!!

Daniel Paulino: Meu muito obrigado a todos, em especial a Bia pelo convite, foi um grande prazer! Se alguém tiver alguma duvida ou comentário, sinta-se a vontade para entrar em contato.

As entrevistas acontecem semanalmente no grupo do facebook Iniciação ao BDSM.

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