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terça-feira, 27 de outubro de 2015

As grandes diferenças entre BDSM e abuso.

Escrito por Don Marco Alighieri


1 - BDSM é feito de KINKS Sadomasoquistas.

Coisas que para muitos são vistas como desagradáveis, mas para os praticantes constituem em algo que percebem como erótico ou sensual, misturam ao sexo, etc... havendo prazer mútuo para quem aplica e quem recebe.

Abuso é simplesmente um ato aonde uma pessoa se aproveita da outra, incluindo aqui a prática de crueldade na qual esta outra NÃO está tendo prazer. E sim, é possível alguém praticar "abuso à título de BDSM" (o que a Wilma de Azevedo classifica como os Sadomasoquismo Malicioso e Psicopático, em contraste com o Sadomasoquismo erótico).
Mas a distinção do efeito final é evidente.

Abuso - mesmo quando disfarçado de BDSM - resulta no mínimo em DESPRAZER, em EXPLORAÇÃO e no máximo em DANOS ao parceiro.

Obs.: Diga-se de passagem? A típica confusão feita entre o KINK - e aquilo que o originou - é um dos caminhos que leva ao "abuso à título de BDSM".
É aquela situação em que se tenta impor à alguém o papel de um escravo do mundo real confundido-se este com o escravo do BDSM ou algo similar.

2 - BDSM é LIVREMENTE CONSENTIDO.

Ênfase no livremente, que significa claramente que "tudo pode ser não só iniciado, como também interrompido à qualquer momento pelos praticantes".
E também significa que NINGUÉM PODE SER COAGIDO DE FATO À ABSOLUTAMENTE NADA nas práticas do BDSM.

Abuso? Pode ser até "consentido", quando alguém é induzido à aceitá-lo. Há sempre manipulação, constrangimento e/ou coerção nesses casos, onde o livre consentimento é minado.
Mas quase sempre não é consentido de forma alguma. Nesse casos é simplesmente imposto de forma autoritária, com ameaças, agressões, etc.

3 - BDSM é praticado com ZELO pelo parceiro.

Aqui as coisas ou são sãs e seguras, ou tem riscos responsavelmente calculados e aceitos. Mas nada constitui uma "total idiotice irresponsável", aonde hajam grandes chances de um dos envolvidos parar em um hospital, manicômio, cemitério e/ou cadeia - seja por um acidente muito fácil de acontecer inerente ao que é feito ou por objetivo da prática em si.

Abuso? Não tem qualquer preocupação com isso. É o oposto do zelo pelo parceiro. Aqui no mínimo o parceiro é reduzido à um objeto de uso (de fato, não como parte de um fetiche). E no máximo é um saco de pancada.


sábado, 12 de setembro de 2015

O que realmente quero dizer quando digo que gosto de dor


Traduzido por Bia Baccellet
Escrito por Elvira_Hancock
Escrito originalmente no Fetlife

Eu escrevi isso no meu celular no caminho para o trabalho um outro dia, pensando sobre como a dor pode ser apreciada durante uma cena por pessoas que dizem, quando perguntado diretamente, que não gostam de dor. Eu estava pensando sobre como ninguém gosta da sensação real de dor. A dor é um mecanismo de sobrevivência do seu corpo, para avisá-lo que isso que está acontecendo é potencialmente perigoso para sua saúde. Para ser um aviso eficaz, tem de ser desagradável, e vai ficando progressivamente mais desagradável quanto maior for o perigo em que estiver. Dada a grande gama de disfunções cognitivas existentes, eu suponho que pode haver algumas pessoas cujos cérebros são incapazes de experimentar a dor como prazer mas isso seria muito raro, e se você for uma dessas pessoas, por definição, você não vai sentir a dor como prazer e não vai gostar de dor.

Então, eu fui inspirada a articular meus pensamentos sobre o que significa a gostar de dor, e especificamente o que quero dizer quando digo que gosto de sentir dor, em um texto mais longo. Peço desculpas antecipadamente para analisar em excesso ... no final das contas, se você gosta, você gosta, certo? Mas eu sou uma garota dos "porquês".

Na minha experiência, as pessoas que respondem "não" à pergunta "Você gosta de dor?" Cometem o erro de pensar que as pessoas que respondem "sim" experimentam a sensação física de dor de forma diferente, quando na verdade, a diferença está na resposta emocional e física à essa sensação desagradável. Masoquistas gostam de como a experiência holística de dor em uma cena negociada os faz sentir, e essa experiência muda sua percepção intelectual de dor de algo inerentemente negativo, para algo que tem qualidades positivas. Quando você associa a dor com coisas positivas, então você pode até aprender a aceitar a sensação desagradável como uma sensação de prazer, mesmo que a sensação física não mude. É claro que eu estou me referindo especificamente à dor causada durante as cenas negociadas com pessoas em que você confia em oposição a, por exemplo, visitas ao dentista, dor crônica, ou violência aleatória.

Eu vou descrever aqui algumas das respostas de dores emocionais e físicas positivas que tenho durante e depois, uma cena.

Agradando o meu parceiro

Fico feliz quando meu sádico está feliz. O jogo entre um sádico e um masoquista é uma dinâmica incrível que funciona durante o tempo que eles estão desfrutando a cena. O sádico pode amar provocar medo e lágrimas em seu masoquista, mas apenas durante o tempo que lhes é dada licença para fazê-lo, e um masoquista vai empenhar-se ainda mais para agradá-lo.

Ficar naturalmente drogada

O medo produz adrenalina, e dor prolongada libera endorfinas. Para citar Wikipedia: A principal função das endorfinas é inibir a transmissão de sinais de dor; Elas também podem produzir uma sensação de euforia muito semelhante ao que é produzido por outros opióides. Tradução: Uma longa e intensa sessão te deixa muito chapado.

Prazer sexual intensificado

Se o jogo de impacto inclui sexo, então, como Tifa_Lockhart falou em um comentário, o contraste do prazer e da dor em conjunto aumenta a toda a experiência. O alívio do sexo após a dor é como mergulhar em um lago depois de uma longa caminhada.

Confiança e vínculo

Quanto mais extrema é a sessão mais confiança é exigida por ambas as partes, mas até mesmo uma sessão leve exige confiança mútua e respeito que desenvolvem um vínculo mais poderoso do que o sexo sozinho jamais poderia.

Superando 'limites' pessoais

Eu tenho um enorme sentimento de realização pessoal em pensar que eu superei meu limite, e, em seguida, tentar superar cada vez mais. Levantadores de peso e masoquistas têm algo em comum aqui.

Clareza e foco

Dor nos traz força para o momento presente e nos dá clareza e foco. Nós não estamos pensando sobre a lista de compras, ou o conserto do telhado, ou o cara problemático do trabalho quando estamos amarrados à cama recebendo spanking. É uma forma de meditação.

Viver a vida plenamente

Em uma escala prazer de -10 a +10 pessoas sãs querem experiências +5 ou maior, dentro do que conseguem experimentar. Mergulhar e férias na Itália, sundaes de chocolate e abraçando filhotes. Ninguém, incluindo eu, quer os -10 de experiências, porque isso é muito ruim. Mas eu ainda prefiro o negativo ocasional 6 ou 7, do que uma vida inteira de 0 (digamos, sentado assistindo a próxima temporada de The Bachelor) porque eu me sinto crescendo a partir dele. Estou em mudança e redefinindo quem eu sou. Não, uma noite sendo torturada em uma masmorra pode não ser 'agradável' da mesma forma literal que comer um sorvete em um dia quente na praia, mas este prazer é derivado do fato de que não é fácil. Contribui para a minha personalidade de uma maneira muito mais rica do que se eu passasse a minha vida evitando a dor e os extremos da vida.

Controle e perspectiva

Isto não é razão para desfrutar de dor, como um feliz efeito colateral. Voluntariamente escolher expor-se a dor que causa prazer ajuda você a entender que toda a dor, física e emocional pode ser diminuída com algum esforço e perspectiva correta, e eu acredito que esta é uma habilidade que fica mais forte e mais fácil à medida que você pratica. Eu encontrei-me andando da loja para casa no outro dia com 5 sacos pesados de mantimentos, enquanto calçava saltos. Era extremamente desconfortável. Em vez de sofrer com isso eu pensei para mim mesma "Uau, sentir aquela dor em meus ombros e pés, significa que você está vivo, significa que você é jovem e apto o suficiente para andar 500 metros carregando mantimentos enquanto usa saltos. Um dia, você não será, então aprecie. Por causa da maneira que eu tinha emoldurado isso na minha cabeça eu realmente aproveitei a volta para casa com um sorriso no meu rosto.
Eu não sofri nenhum trauma violento em minha vida, mas quando você escolhe deliberadamente colocar-se numa situação de violência consensual, ela pode ajudar a retomar o controle e reformular um passado negativo. Eu, obviamente, entendo que quando algo ruim acontece, você tem que ser um monge budista para ser capaz de não ter quaisquer sentimentos negativos sobre isso, mas o meu ponto é que, é sempre possível escolher sua atitude na vida, e o masoquismo pode ajudar a melhorar essa habilidade.

Eu sei que muitos de vocês realmente não se importam com o porque gosta de dor, e que este post pode ser uma piada realmente simples explicada em um ensaio de 1500 palavras, mas o assunto é fascinante para mim e escrever me ajuda a esclarecer meus pensamentos. Talvez ele também ajudará a explicar as coisas um pouco para aqueles que não se identificam como masoquistas. Como sempre, eu estou interessada em seus pensamentos.

E agora eu estou desejando uma boa surra ...;)

sábado, 22 de agosto de 2015

Destruindo mitos do BDSM


Texto de Don Marco Alighieri

Vi uns textos escritos por uns sem-noção esparramados pela internet recentemente, então aqui passarei alguns de seus conceitos pelo meu crivo, derrubando certos mitos ou engodos que estão sendo sustentados nesses casos.

"No BDSM você é mais amado, seu parceiro é mais honesto e fiel, sua relação é mais feliz, seu orgasmo mais gostoso e..."

- ...E a grama é mais verde né Bob Esponja?
NÃO... 1000 vezes NÃO! Isso aqui é pura idealização...
Viagem na maionese das piores, que só uma pessoa sem experiência real, bom senso ou objetivos coerentes teria. BDSMers e baunilhas encaram os mesmos exatos problemas em suas relações. A única vantagem que temos aqui, vem de quem de fato aproveita o tema "realização de kinks mútuos" para criar uma maior cumplicidade com o(s) parceiro(s) e, à partir daí, então troca falsos moralismos e hipocrisia por uma postura aonde assume seus desejos, vontades e necessidade de uma forma mais franca e cristalina.

De resto? É tudo a mesma coisa.

E o mesmo eventual canalha, abusivo, hipócrita, traíra, etc... que existe no baunilha também existe no BDSM. - NÃO SE ILUDAM!

"O BDSM lhe dará mais prazer sexual. Vai gozar com chibatadas. E..."

- E...? Não... Está MUITO errado isso aqui....
O fato é que proficiência técnica no BDSM, e proficiência sexual são coisas diferentes. É possível alguém ser um bom BDSMer como um todo - inclusive dominando algumas técnicas rebuscadas e, ao mesmo tempo, ser "um completo desastre na cama" (um total inepto em levar seu parceiro à um orgasmo). E vice-versa.

De resto?

Não deve-se confundir algum clímax prazeroso, excitação sexual ou qualquer outra coisa apreciável que possa ser obtido em certas técnicas com o orgasmo que é obtido com estimulação tipicamente da glande ou do clitóris. (Esse tipo de confusão é um erro primário, típico de quem não tem conhecimento de causa ou experiência consolidada.)

"No nosso verdadeiro BDSM a submissão é plena e ilimitada."

- OK... se isso for a fantasia que você realiza no seu Kink, beleza.
Você pode inclusive gritar isso na sessão ou relação à vontade para seu parceiro ouvir e curtir o seu entusiasmo. Só não vá confundir isso com a mecânica pela qual as coisas REALMENTE funcionam.

Na mecânica? NENHUMA submissão do verdadeiro BDSM é ilimitada de fato em sentido algum - e muito menos "plena" ao ponto de não haver livre-arbítrio da parte do Bottom.

"Fulano nasceu Dom/Domme, e por isso Ele(a) manda e seus bottoms obedecem de verdade."

- LOL... Aqui temos uma enorme falácia, que quase sempre é apregoada para o autor tentar autopromover-se, ou até mesmo justificar um comportamento autoritário. Temos muitos líderes natos que no BDSM são Submissos. Assim como temos pessoas sem essa habilidade e que por aqui ajustam-se como Dominadores. Em ambos os casos, a D/S ficando restrita à sessões ou à certos momentos específico, o que não só funciona muito bem e gera uma catarse interessante à ambos como também é - na prática - algo feito por uma enorme parcela dos praticantes. E não há nada de errado nisso. Assim como, na prática, qualquer um no BDSM idealmente tem que estar obedecendo qualquer coisa que seja porque de fato quer. (E não porque precisa.)

O inverso disso é que seria um tipo de FALSO BDSM, aonde a coisa não é consentida mas sim imposta.

"O verdadeiro masoquista ama a dor e o desconforto, e adora ostentar suas marcas."

- Já começa errado porque nem todo masoquista "ama a dor".
Masoquismo pode estar baseado em ter prazer com QUALQUER coisa que - tipicamente - seja tida como desagradável. E isso pode ser dor, humilhação, medo, ciúme, raiva, nojo, incerteza, perda de controle, limitação nos movimentos e uso dos sentidos, cócegas, etc... E, obviamente, qualquer um vai ter LIMITES para os níveis e os tipos de coisa que aprecia. Passa LONGE de alguém por aqui "amar qualquer dor". E logicamente, nem todo mundo gosta de ostentar marcas. (Alguns masoquistas inclusive terão "ficar com marcas de determinado tipo no corpo" como LIMITE.)

"BDSM é baseado na mais verdadeira entrega."

- Entrega do quê?
Da encomenda de acessórios fetichistas que alguém comprou pela internet?
Bom, aqui temos é mais uma firula colocando "Dominação e Submissão" como componente central e vital do BDSM.
Erm...
Sem querer ser chato?
Vamos à uma explicação do tio Don Marco Alighieri...

Na realidade o componente central e vital do BDSM é o "SadoMasoquismo".
Essencialmente porque "querer ceder o controle à alguém" (submeter-se) não deixa de ser uma forma de masoquismo. (Afinal, isso é tido como desagradável normalmente.) Mas "apreciar algo que normalmente é tido como desagradável" (masoquismo) NÃO é necessariamente uma forma de submissão à vontade de outra pessoa. (Tanto que há o "Topping-from-the-Botom" - que pode ser exemplificado no clássico "Quero que você me estapeie e me chame de vagabundo." dito e prontamente atendido por muitos por aí...)

E assim segue...

TUDO do BDSM, incluindo Bondage, Disciplina E Dominação/Submissão pode ser compreendido como subtipos de SadoMasoquismo!
E tacitamente? Porque o termo SadoMasoquismo é o mais usado e aceito desde os primórdios para se referir à prática como um todo.

Duvida? Ok... Façamos um simples teste...
Jogue "SM practices" ou similar no Google ou outro buscador:
- E encontrará o BDSM na primeira página.

Substitua por "DS practices":
- E terá artigos sobre tecnologia de rede e até um videogame portátil da Nintendo.

Troque "practices" por "relationship" em ambos os casos?
- E a pesquisa com DS trará um artigo só sobre Dominação e Submissão, enquanto que a pesquisa com SM trará - antes de um artigo análogo, específico sobre SadoMasoquismo - um artigo sobre o BDSM como um todo!

Se quiser chorar? Espernear? Me xingar no twitter?
Fique à vontade.
- Só não venha negar fatos.

"Feminista (ativista) e Submissa (bottom do BDSM) são antônimos."

- Bom, SE estamos falando de uma submissa que esteja dentro do BDSM consentido livremente, aonde apenas realizam-se kinks mútuos dos envolvidos de uma forma responsável e coerente com o objetivo da prática? Não tem NADA A VER uma coisa com a outra.

Feministas são mulheres que, em geral, estão buscando condições de igualdade na sociedade. E isso aqui é uma luta de campo político, social e/ou cultural dependendo do foco de cada uma delas e/ou de seus grupos.

Submissas do BDSM são mulheres que - por alguma razão - se excitam com ou apreciam de alguma forma a sensação de perda do controle. Podendo esse controle, dado que é consensual, ser retomado à qualquer momento. Logicamente não necessariamente estão interagindo com homens... Podem estar inclusive se submetendo à mulheres também. E - óbvio - se tratando de um kink, não podem ser pessoas sendo de fato exploradas ou escravizadas. Não há nenhum antagonismo entre uma coisa e outra, que não seja fruto de confusão ou ainda de exageros de algum tipo.

A única ressalva?
É se alguém por aí estiver confundido "submissa do BDSM" com "mulher que, na sociedade, é submetida ao homem" (machismo). E aqui sim, teríamos aquela situação de exploração, aonde tal mulher é desprovida de autonomia, forçada à uma posição de inferioridade real, ficando sob coerção de vários tipos de dependências (geralmente emocional, sexual, financeira, etc...) - e daí essas dependências passam então a ser usadas para obrigá-la à servir acatando ordens de homens em geral e de seu marido em particular enquanto que seus direitos e necessidades de vários tipos são relegados à segundo plano. E - para todos os efeitos - no BDSM esta pessoa não poderia ser qualificada como "submissa (bottom) de seu marido" de acordo com as boas práticas dado que está sendo COAGIDA de várias formas à obedecer (não consentindo livremente) - e passa também longe de estar à realizar um kink, e dessa forma a situação é incoerente com o verdadeiro objetivo do BDSM. Caindo então precisamente no perfil de alguém subserviente ou vítima de um parceiro abusivo. (Essencialmente alguém sendo prejudicado pelo que faz, no lugar de alguém fazendo o que gosta, e que irá apresentar sintomas de quebra e típicos danos psicológicos ao longo do tempo.)

Obviamente? Alguém que faça tal confusão entre os termos - defendendo este antagonismo - ou não compreende de fato o BDSM, ou está à utilizar seus conceitos indevidamente.

FIM

(Por enquanto... Até a hora em que inventarem mais besteiras novas.)

sexta-feira, 10 de julho de 2015

COMO IDENTIFICAR UM BOM DOMINANTE

Artigo retirado do Fetlife.
Escrito no mural de The_Firm_Bear
O autor do texto é desconhecido

"Encontrar um homem não é tarefa fácil para submissas. Parece que muitas mulheres não entendem as Red Flags "Cuidado".

- Um homem dominante não vai começar com, 'Prostre-se de joelhos após o recebimento da minha mensagem!' Parece haver muitas queixas de mulheres sobre este tipo de estratagema como primeira introdução, e esta é a única razão para 'bloquear seguir em frente'. (Gostaria de aconselhar mulheres a usar essa tática muitas vezes e liberalmente, em vez de se envolver em guerras de argumento ou discussões ... a vida é muito curta.). Ignore o Insta-Dom.

- Um homem dominante não vai parecer 'desesperado' por sua atenção. Obter encontros ou transar não é seu problema; ele pode encontrar as mulheres em sites de encontros/fetichistas, no trabalho, ou na mercearia. Ele conhece as mulheres, e elas se sentem atraídas por ele. Muitas mulheres, fetichista ou baunilha, preferem um homem que assuma o controle, tanto no quarto como na vida. Se um 'Dom' torna-se frenético, ansioso ou desesperado porque você não responde toda hora, as chances são de que ele tem dificuldade em lidar com o sexo oposto. A boa notícia é: desespero é fácil de detectar.

- Um homem dominante na maioria das vezes vai ser bem sucedido, um dissidente, ou pelo menos feliz em sua profissão escolhida. Se ele teve algum azar em seu passado, será fugaz, pois ele vai se esforçar incansavelmente para colocar o seu universo de volta em ordem, algo obrigatório a sua existência. Se o seu pretendente definha na miséria, desemprego por anos, ou odeia seu trabalho, muito provavelmente o seu domínio é apenas um disfarce para apaziguar a sua falta de sucesso. Embora ele não seja o milionário, é um homem que é feliz, confiante, único, e/ou bem sucedido em seu trabalho.

- Um homem dominante será muito interessado em você, e não apenas nas suas necessidades sexuais (embora essas certamente vão chamar a atenção dele). Ele vai ver você como um quebra-cabeça, e desejará dar sentido a esse enigma. O cara dominante ama o desafio e, em essência, é por isso que tantas submissas encontram desilusão no mundo baunilha; a maioria dos homens não procuram desafio na sensualidade, eles temem. Mulheres submissas são os maiores desafios como amantes e elas tem muitas fantasias. Muitas vezes essas fantasias requerem um homem que se comporte fora dos moldes normais, e isso exige habilidade e criatividade. Como você tem muitos critérios, isso será de grande interesse para ele.

- Um homem dominante é provável que seja muito bom na cama. A maioria dos homens têm suas mãos cheias com habilidade no sexo baunilha. O homem dominante gosta dos dois(baunilha e fetichista) ou não tem interesse em tal jogo elementar, pelo menos não o tempo todo. Fazer uma mulher ter orgasmo muitas vezes deixou-o entediado, então ele agora procura uma mulher que vai desafiá-lo em outros níveis. O cara dominante vai ter uma boa compreensão da anatomia feminina, e persistirá em encontrar as chaves para o seu corpo e mente. Ele terá feito sua lição de casa e já experimentou muitas amantes. Ele será um pouco do Don Juan, se não o próprio Don; não um mulherengo per se, mas certamente sexualmente avançado.

- Um homem dominante pode ter todo o aparato de fetiches (chicotes, correntes, e outros enfeites), mas ele não vai precisar deles para ser dominante. Um sussurro, uma palavra, um olhar, um ar de superioridade, e um toque são a essência de seu talento. A confiança é a sua arma de escolha, e não se vangloriar de sua masmorra. Aqueles que exaltam seus brinquedos demais podem deixar a faltar em outros departamentos.

- Um homem dominante vai ser muito cauteloso em selecionar você, porque ele sabe que você tem grandes desejos, esperanças e sonhos, e é ele que tem que viver de acordo com eles. Acima de todas as coisas que ele vai querer é ser bom para você. Ele tenta escolher sabiamente, mas pode, à primeira vista cometer muitos erros em suas escolhas enquanto ele encontra seu caminho.

- Um homem dominante vai cometer erros e não terá medo de admiti-los. O cara dominante sabe que ele não é onisciente, pois ele é humano. Um cara que acredita que ele nunca comete erros ou não admite com bom ânimo é mais provável que não seja dominante.

- Um homem dominante nunca vai enviar-lhe uma foto do pau na primeira saudação e é altamente improvável que ele vá ter uma foto dessa em seu perfil.

- Um homem dominante não vai te implorar por fotografias nuas. Na verdade, ele não vai implorar por nada. Ele vai simplesmente esperar até que você esteja morrendo de vontade de mandá-lo suas fotos picantes sem ele soliticar e vai aceitá-las com a postura de um Senhor(ou como uma rocha, dependendo da foto).

- Um homem dominante nunca vai mentir sobre ser casado ou já ter uma namorada. Se ele é casado com baunilha, ele vai simplesmente dizer isso. Se ele está namorando baunilha, ele vai terminar com ela antes de se aventurar com outra (a menos que ele esteja fazendo uma coisa poli e vai trazê-la junto, ou em um relacionamento aberto). O cara dominante é simples, vai deixar claro seus verdadeiros desejos e necessidades, e se ele estiver interessado, será o passo seguinte dar essa informação. Se ele está traindo a sua esposa baunilha, ele vai dizer isso. Ele fez sua escolha e está disposto a lidar com isso.

- Um homem dominante não vai mentir sobre coisas importantes, embora ele certamente irá manter alguns de seus pensamentos em segredo. O Dom que se sente bem fazendo você engolir golden shower à força(uma prática consensual) pode não te falar muito sobre isso no começo, pois poderá te assustar. Isto não é em si uma mentira, ele só está tomando as medidas adequadas, dando a informação na velocidade que ele pensa que você é capaz de absorver (ele pode muito bem descartar tais pensamentos quando ele começar a conhecer você, ele irá descartar seus pensamentos muitas vezes). O 'Dom' mentiroso terá uma agenda que não tem relação com suas necessidades(vai mentir apenas para satisfazer as próprias necessidades, sem se preocupar com os sentimentos do parceiro). O cara verdadeiramente dominante não quer se relacionar com alguém para quem ele não pode ser bom. Um homem que tenta obter uma mulher que ele não pode lidar com ou vice-versa está desesperado.

- Um homem dominante não vai ser rude em sua abordagem. Ele será hábil em te descobrir, te abrir, fazendo você se sentir à vontade ou no limite (dependendo do seu gosto). Seus esforços parecem sem esforço; distante, às vezes. Ele vai crescer em você. Capturá-la. Esclarecê-la e tornar claras coisas que pareciam embaçadas. Você vai se sentir melhor ao se comunicar com ele (mesmo que seu desejo seja viver em humilhação). Apenas um impostor vai tentar te colocar pra baixo, a fim de se colocar em patamares mais elevados. Um dominante quer te ver se elevar, e não cair.

Em essência, assumir uma submissa é ao mesmo tempo revigorante e satisfatório, e também uma experiência de humildade. Ele pode errar constantemente, especialmente se ele é novo. No entanto, ele vai sempre, sempre se esforçar para ser melhor, e embora busque o desafio, ele vai evitar o que ele sabe que não pode lidar, ou vai em algum futuro próximo ser incapaz de lidar. Pode levar algum tempo, mas ele vai entender seus próprios limites, bem como a sua mulher.

A submissa é um caminhão de desafio (pergunte aos seus ex-amantes baunilha), e assim o homem dominante precisa de você como precisa de ar. Ele quer sua adoração não apenas pela adoração em si, e sim pelo que ela causa, é um chamado para ir além do normal, se aventurar no reino do risco, atravessando o abismo escuro, perigoso e traiçoeiro, esperando que a luz do sol do sucesso invada, oferecendo-lhe algo glorioso . É simplesmente por isso que ele procura sua adoração; porque ele fez por merecer e merece.

Se um homem não busca riscos e desafios em sua vida, se ele deseja adoração sem se desfazer de seu ego, se ele não persiste continuamente em direção à excelência em lidar com uma mulher, como ele faz em muitas coisas, ele não é um homem dominante.

~ Autor Desconhecido

Tenho certeza que isso poderia ser aplicada a Dommes tão bem, mas eu não queria mudar a escrita, mas espero que o ponto seja entendido."


sexta-feira, 29 de maio de 2015

SADISMO PSICOLÓGICO X DOMINAÇÃO PSICOLÓGICA

Texto de Don Marco Alighieri


Por "psicológico" entendam tudo aquilo que "não é físico".

SADISMO PSICOLÓGICO, em contraste com o sadismo convencional - que é o spanking, trampling, uso de velas, etc... ,é :

- O uso de ofensas, xingamentos, humilhações puramente verbais... (Desde que o Bottom seja masoquista e curta essas práticas.)

- Discurso que crie medo ou receio no Bottom durante a cena. (Um tipo de roleplay muito comum nesse sentido, por exemplo, é quando o Top age e fala como se fosse um carrasco medieval. Ou como se fosse um personagem de filme no estilo do Hannibal Lecter. Ou ainda como se sua cena fosse um ritual de magia negra. Etc... )

Obs.: NÃO confundir roleplay de sadismo psicológico com ameaças reais. Por mais extremos os elementos que entrem na cena, trata-se de um ato consensual.


DISCIPLINA, que por sua vez, é um fetiche inteiramente baseado no psicológico – podendo agregar elementos físicos e outros fetiches nela mas não sendo dependente deles.
Nesse fetiche o Top assume a postura de uma autoridade (professor, instrutora, mestra, lord, rainha, etc...), coloca o Bottom para fazer “tarefas com algum benefício por completá-las” ou “castiga o Bottom por seu mau comportamento”.

- E nesse fetiche, o Bottom não é plenamente obediente como na D/s... Em várias versões, inclusive, o Bottom comporta-se como um “personagem arteiro” para ser castigado de propósito.

Obs.: Sendo, logicamente, tanto prêmios quanto castigos coisas que o Bottom consente em fazer. E a Disciplina deve sempre constituir “um jogo” entre as partes (não um elemento de chantagem, ameaça real, etc...). – Tipicamente é praticada só na cena ou em tarefas pontuais.

DOMINAÇÃO PSICOLÓGICA...?
Eu diria que é a "maior de todas as zebras que eu já vi" no BDSM.
Porque? Bem... Na prática TODA dominação/submissão é, por natureza, puramente psicológica (Ou seja, não depende de implementos e contatos físicos ou de outros fetiches, podendo ou não eles serem utilizados – E tipicamente, qualquer elemento físico na cena cai ou na categoria do BONDAGE ou do SADOMASOQUISMO).
Mas... Esse termo tem lá sua razão de existir... Algumas pessoas utilizam de "recursos avançados" em sua dominação. Chamam isso de Dominação Psicológica.

- E nem sempre isso é coerente com a consensualidade.
Para "separar o joio do trigo", vou mencionar tudo o que entra nesse contexto e marcar o que é prática abusiva ou equivocada.


[COERENTE COM O CONSENSUAL]

1 – NEGOCIAÇÃO: O ato de se convencer o Bottom a realizar uma prática nova ou contra a qual ele tenha um preconceito (opinião SEM nenhum fundamento). Nessa prática o Top vai utilizar seu carisma, dar e manter a palavra de que terá cuidado, passar segurança ou até mesmo oferecer um prêmio ao Bottom por aceitar experimentar aquela prática (este último sendo um componente de Disciplina). 

Obs.: É necessário respeitar um limite confirmado pelo Bottom, pois pode inclusive constituir uma fobia ou trauma. Isso é uma das premissas da negociação. Também é importante que o Bottom sempre esteja consciente dos riscos de todas as práticas – do contrário caracteriza manipulação.

2 – LEITURA: O ato de se utilizar procedimentos para se captar tendências do Bottom, então trazendo a este práticas que sejam afins à suas tendências. Entre os procedimentos poderia citar o mentalismo (leitura quente ou fria), leitura de sinais corporais, dedução lógica, empatia, etc.

Obs.: Essa prática também ajuda muito a tornar a cena mais intuitiva. É praticamente um pré-requisito para quem queira praticar a tríade CCC.

3 – CONDUÇÃO: O ato de se compreender detalhes íntimos do Bottom com técnicas, e de se utilizar esta informação tanto para trazer práticas afins quanto para mentorar o Bottom – ajudando-o à se descobrir. Entre as técnicas, menciono inteligência emocional, programação neolinguística, psicologia, análise, psych profilling, etc.

Obs.: Condução tem um imenso potencial em transformar o Top em uma forte referência para o Bottom, e é excelente força motriz para relacionamentos. Mas não pode constituir manipulação (utilização unilateral, em benefício do Top e detrimento do Bottom).

4 – MAESTRIA: Prática na qual o Top torna-se uma forte referência para o Bottom, conquistando uma profunda confiança e respeito. Basicamente é o ato de honrar sempre a palavra, demonstrar cuidados com o Bottom, respeitar sua constituição física e mental, demonstrar conhecimentos e experiência superiores, etc.

Surte efeito a longo prazo e não deve ser confundida com o ato de se impressionar o Bottom com declarações falsas, atuações teatrais, simular conhecimento ou coisa parecida.

5 – ADESTRAMENTO: É na prática uma forma de Disciplina, aplicada nas cenas, nas quais o Bottom executa tarefas sob as ordens do Top – podendo receber prêmios e “castigos”. Em alguns casos, são também passadas tarefas fora das cenas, se for o caso de um relacionamento D/s. É na prática um tipo de jogo entre Top e Bottom.

Obs.: Lembrando que o castigo – para ser consensual - tem que ser uma coisa com a qual o Bottom concorde (explicitamente ao combinar a cena ou implicitamente ao não invocar a palavra de segurança ou pedir para renegociar – dependendo do estilo). 


[SITUAÇÃO ATÍPICA]

Em alguns casos, transes hipnóticos, estados meditativos e demais estados alterados de consciência similares obtidos sem o uso de substâncias químicas podem ser componentes de cena. Algumas pessoas chamam erradamente estas práticas de “dominação psicológica”, sendo na realidade “transe erótico” a nomenclatura correta.

Obs.: Estas práticas são de alto risco, mas ainda assim possíveis de serem praticadas consensualmente com pelo menos a concordância do Bottom.


[INCOERENTE COM O CONSENSUAL - NÃO DEVE SER FEITO]

1 – MANIPULAÇÃO: O ato de se forçar a barra com o Bottom, usando falsas promessas, informações deturpadas, mentiras, “liturgias” que atentem contra a consensualidade, etc.

Ex: - "Esquecerei a ideia de um irmão de coleira pra você se fizer isso"
- Dizer que não será um bottom a altura de um TOP como ele se não praticar tal coisa.
- A competição criada que só te torna um verdadeiro botton se pratica a nível extremo
- A competição criada entre irmãos de coleira "ele faz você não consegue"

2 – INDUÇÃO: Utilização indevida de recursos como a indução comportamental, psicologia manipulativa, psicologia reversa, engenharia social, "mind hacking", etc... Para manipular a mente do Bottom sem o seu consentimento. – Tipicamente em benefício exclusivo do Top.

Ex.: - Levar o bottom a acreditar que uma certa ideia ou desejo é do bottom quando na verdade é dele.
- Levar o bottom a acreditar que está pronto para tal prática quando na verdade o TOP está tentando apressar o processo ou mesmo não liga para as consequências.

3 – AMEAÇA: Imposição de ordens do Top em relação ao Bottom, sob ameaça de retaliação. (Punição que não constitua fetiche do Bottom, com a qual ele não concorde consensualmente.)

Ex.: - Espancamento real, cárcere privado, vexame em público, etc.
- Criar no bottom o medo dele perder a coleira
- Criar no bottom o medo de desapontar o TOP
- O medo de ser visto pelo meio BDSM como um mau bottom.

4 – CHANTAGEM: Ameaça do Top em relação ao Bottom de revelar sua intimidade em público, revelar detalhes pessoais dele, fotos ou filmagens íntimas, etc... Com o intuito de forçar este à acatar suas ordens. Havendo também a chantagem emocional, que é caracterizada por ameaças de término de relacionamento, greve de sexo (não confundir com negação de orgasmo, que é um elemento válido em cenas), etc.

5 – LAVAGEM CEREBRAL: Procedimento pelo qual o Top afasta o Bottom da racionalidade e tolhe sua habilidade em questioná-lo. Geralmente é caracterizada pela imposição de um isolamento social, familiar e de recursos que poderiam ajudar o Bottom a perceber a situação de abuso. As vezes inclui uma dependência financeira forçada.

Ex.: - Criar dependência financeira, emocional, psíquica
- Afastar meios de informações (internet, pessoas, etc) que possam questionar as práticas do TOP.

6 – EXPLORAÇÃO DE FRAGILIDADE: O Top escolhe, como Bottom, pessoa portadora de uma fragilidade (carente, autodestrutiva, bulímica, bipolar, viciada em entorpecentes, etc...) e utiliza-se da condição provocada pelo problema. (Evitando que o Bottom se trate adequadamente.)


quinta-feira, 23 de abril de 2015

AS MAIORES BESTEIRAS DITAS EM TERMOS DE BDSM - E como as coisas realmente funcionam.

Texto de Don Marco Alighieri


"DON MARCO ALIGHIERI, SEUS TEXTOS SÃO CONTRA O QUE CONHEÇO COMO FUNDAMENTOS DO BDSM"

- Pois é... 
Porque você está considerando como "fundamentos do BDSM" coisas tiradas ou de blogs, posts e publicações de "entendidos" que tem por aí, de contos que circulam pela internet ou ainda de LITERATURA DE FICÇÃO como "A História de O", "A História de I", "Justine", "120 dias de sodoma", "Crônicas de GOR", "Vênus de Peles", "Trilogia 50 Tons", Etc.

Dica minha? BUSQUE FONTES MELHORES!
Você precisa ler MATERIAL TÉCNICO que é voltado de fato à prática real!
(E parar de dar atenção à coisas que não tem esse fundamento e que em vários casos contradizem o BOM SENSO.)
Vá ler "SM 101 A Realistic introdution" do Jay Wiseman.
Leia "Screw the roses, send me the thorns". Leia "Imaginative Sex" se gosta mesmo do John Norman. Leia "The Leatherman's Handbook" se quiser entender a história do BDSM.

Entre nesse site aqui: 
Entre nesse outro: 
Aproveite para ler isso também se quer ter um clã com dungeon:
Leia isso:
Veja esse outro também:
Cheque este material editado pela NLA sobre ABUSO, que é uma associação séria de praticantes:

DEPOIS de se informar melhor, venha aqui comentar algo.


"A RELAÇÃO É CONSENSUAL PORQUE O BOTTOM PODE SAIR A HORA QUE QUISER."

- Legal isso... Basicamente o Bottom fica preso entre "aturar" e "sair".
Vocês tem noção de que isso é a mesma coisa que uma chantagem emocional se esse bottom tiver um envolvimento afetivo? 
Pois é. Entendam o seguinte de uma vez por todas:
Consentimento no BDSM não é só aquele dado no começo, mas também precisa ser mantido.
TUDO é aberto a questionamentos e conversas adultas.
Isso aqui vale até para uma relação de escravidão TPE.
Tem algo errado? Peça licença e converse com o Top, inclusive porque ele não é infalível. Ele pode cometer uma gafe. E isso é normal.
Tem um Top que não quer conversar, e quer impor tudo? 
Pois é... RED FLAG! Esse Top no caso é apenas uma pessoa com um problema, sendo então um autoritário se julgando dominador.

Dica minha? DISPENSE-O e busque alguém com a mente em ordem para estar contigo! (Gente assim só te dará prejuízos.)


"EU FAÇO A COISA REAL E 'HARDCORE', DAÍ NÃO USO PALAVRA/GESTO DE SEGURANÇA"

- 1000 vezes não... Justamente porque quando a coisa é de fato hardcore é que esses recursos são combinados e usados!
Aqui falamos em cenas aonde o bottom à todo momento grita "pelo amor de deus não faça isso" (parte de um roleplay psicologicamente denso e pesado), e aí quando ele gritar "VERMELHO" o Top sabe que não é roleplay e ele precisa mesmo parar a coisa.
Ou de cenas aonde o Bottom está amordaçado, geralmente gritando e se sacudindo, mas quando ele levanta as duas mãos o Top sabe que é para realmente parar a coisa.


"PASSE-ME SUAS SENHAS DE EMAIL/PERFIL/ETC PARA ME MOSTRAR QUE CONFIA EM MIM"

- Isso aqui é tática de uma pessoa que não confia na outra e está querendo jogar para esta a culpa na coisa.
Quem não confia aqui é justamente quem pede senhas!
Dica minha? CORTEM AS ASAS desse tipo de gente.
Tipicamente pessoas com essa características são ou descontroladamente inseguras, ciumentas e possessivas, ou maníacas por controle (tratando-se então de MANIA, não de um KINK), ou ainda estão querendo aprontar alguma e daí desejam isolar o bottom.
Essa é inclusive uma RED FLAG das mais antigas. (Sinal vermelho, de problemas ou perigo da parte do candidato à parceiro.)


"A VERDADEIRA SUBMISSÃO É UMA ENTREGA DE CORPO E ALMA AONDE BOTTOM FAZ ABSOLUTAMENTE TUDO PARA AGRADAR O SEU TOP"

- Na verdade mesmo? Essa é a FALSA submissão!
A verdadeira é um KINK da parte do Bottom! Uma coisa que o agrada/excita e é feita dentro de seus limites e preferências.
(E daí não é jamais absolutamente ilimitada ou tão extrema ao ponto de se tornar algo tão perto do doentio.)
A falsa é quando isso é feito com segundas intenções, incluindo aqui bajular o Top para ter sua atenção afetiva ou sexual, aturar o BDSM por desespero para manter o parceiro, ser subserviente esquecendo-se de si mesmo, entrar em dependência emocional ou apaixonar-se demasiadamente e confundir isso com submissão, etc... etc... etc...
Esse tipo de bobagem vem de material literário, da cabeça de quem viaja na maionese (tendo visão 'conto de fadas' ou 'ferro e fogo' do BDSM) ou ainda de quem não quer se conscientizar do fato de que seu parceiro é um ser humano e daí tem necessidades, vontades e também limites (mesmo isso não sendo explícito).


"VOCÊ TEM QUE FAZER SEXO SEM PRESERVATIVO COMIGO PORQUE EU DOMINO, ENTÃO EU MANDO E VOCÊ OBEDECE"

- É... Aqui temos ou um IRRESPONSÁVEL querendo se impor usando o BDSM como desculpa ou ainda alguém MAL INTENCIONADO querendo passar uma DST de propósito.
No BDSM, as pessoas tem direito a terem limites. 
"Só fazer sexo com preservativo" qualifica como limite!
Dica minha? Peguem suas coisas, saiam fora e larguem tal pessoa na mão! (E se tal pessoa tentar impedi-los, dêem umas cabeçadas e cotuveladas no meio da cara dela.)


"EU NÃO COMBINO CENAS. NEM VOU PERGUNTAR SEUS LIMITES, CURIOSIDADES E PREFERÊNCIAS. DEIXA QUE VEREMOS O QUE FAREMOS NA HORA."

- Sério mesmo que essa pessoa vai levar tudo que é brinquedo dela, e na hora vão ficar escolhendo o que pode ou não ser usado?
E que ela vai correr o risco de marcar sessão com alguém totalmente incompatível e perder a viagem?
Tem algo errado nisso...
No mínimo essa pessoa é um BDSMer que não está nem aí para seu parceiro em sentido algum.
No máximo é alguém querendo simplesmente sexo fácil e usando BDSM como desculpa ou algo muito pior que isso (um pirado ou sem noção que vai aprontar alguma contigo na sessão).
E nenhuma dessas coisas é boa!


"IREI ACEITAR VOCÊ COMO BOTTOM E FAREMOS SESSÃO. ASSINE UM CONTRATO / ACEITE MINHA COLEIRA / COMPROMETA-SE COMIGO / COMECE UMA RELAÇÃO D/S DE ALGUM TIPO COMIGO."

- Tá tudo errado... Isso aqui é o equivalente à um baunilha pedir uma pessoa aleatória em namoro para poder ficar ou transar com ela.
No BDSM primeiro conhecemos a pessoa...
...Então fazemos sessões por um tempo...
...E aí, SE for o caso, cria-se um compromisso de algum tipo.
E isso é um processo LONGO. Tipicamente demora MESES!
Quem coloca o carro na frente dos bois quase sempre é alguém carente, desesperado para se mostrar ou coisa parecida.
Abram os olhos!


"PROVE-ME SUA CONFIANÇA ANTES DE MAIS NADA. ENVIE-ME UMA FOTO OU VÍDEO SEU, AONDE APARECE SEU ROSTO E VOCÊ ESTÁ NÚ E/OU PRATICANDO UM ATO DE SEXO EXPLÍCITO E/OU EXIBINDO UMA PRÁTICA"

- Sério mesmo?
Isso aqui se parece mais com alguém querendo colher material comprometedor de outra pessoa, o qual irá usar para aplicar golpes aonde chantageia-se a pessoa pedindo dinheiro para não divulgar ou até mesmo usa-se isso para obrigá-la a continuar mantendo contato e aceitando ordens.
Dica minha? NÃO registrem suas práticas e mandem para desconhecidos.
Quando muito? Mande apenas para aquele parceiro de vocês com o qual CONVIVEM à ANOS e conhecem até o número de fio de cabelo deles.
(E ainda assim tenham consciência do risco de essas coisas vazarem. Recomendo até que o rosto e detalhes que possam idenfiticá-los não apareçam nesse tipo de foto. A 'Gimp Mask' é ótima para isso.)


"O BDSM VIRTUAL É UM CAMINHO PARA O BDSM REAL. SUBMETA-SE A MIM PELA INTERNET ANTES DE MAIS NADA"

- Vamos lá... No BDSM real, buscamos conhecer bem a pessoa antes de mais nada. Chegamos a conviver um tempo com ela como amigos para isso. Fazemos questão de compreender como ela é antes de qualquer sessão.
No virtual essa etapa é queimada, e cria-se prematuramente uma relação com uma pessoa da qual pouco sabemos. E ainda praticam-se coisas como exibicionismo na webcam, D/S via chat, etc...
Eu diria que o virtual é um DESCAMINHO para o real na grande maioria dos casos. Evitem-o!


"NÃO TEM PROBLEMA ALGUM EU SER CASADO COM BAUNILHA PORQUE VIVO O BDSM COMO ESTILO DE VIDA. ENTREGUE-SE COMPLETAMENTE À MIM, DEDIQUE-ME SUA VIDA E PERTENÇA-ME POR COMPLETO"

- Hein??????? Eu ouvi isso direito???????
No BDSM quando falamos em troca de poder, aonde poder é trocado por responsabilidade.
E em responsabilidade há também a questão de não oferecermos atenção que não poderemos dar! Não criarmos falsas expectativas!
Não faz sentido uma pessoa pedir total e completa atenção da outra, quando não pode retribuir isso.
Um bottom em tal situação facilmente cai em problemas afetivos inclusive.
Vai se sentir frustrado ao longo do tempo.
Vai perceber que está se dedicando à uma pessoa que tem ele como passatempo para horas vagas.
Dica minha? OU ponham essa pessoa também como passatempo para horas vagas OU dispensem. Mas JAMAIS deixem-se envolver demais.
(E cuidado com parceiros que são casados com gente que não sabe de suas práticas BDSM. Pra piorar tem a possibilidade de isso gerar sérios problemas depois.)
Acho até que "casados deveriam buscar outros casados", pois tendem dar mais certo juntos rolando inclusive uma empatia poderosa por estarem na mesma situação.
Obs.: E eu honestamente não entendo uma pessoa considerar que vive o BDSM como "estilo de vida" quando ela dedica a mais importante de suas relações à práticas puramente baunilhas. Isso aqui é uma ilusão.


"EU PRATICO DOMINACÃO PSICOLÓGICA. É POR ISSO QUE CHANTAGEIO EMOCIONALMENTE / AMEAÇO COM PUNIÇÕES O LIVRE ARBÍTRIO / CRIO E EXPLORO SENTIMENTOS / CONTROLO TODA A COMUNICAÇÃO / ETC... DE MEUS BOTTOMS"

- Não... O que esse cara faz não é "dominação psicológica".
O que ele faz é usar uma palavra rebuscada como justificativa para esconder que é um canalha no meio!
À partir do ponto em que o bottom está sendo coagido à algo, ele não está dando livre consentimento em mais nada.
E daí não se está mais praticando BDSM em acordo com tríade nenhuma.
Em TODAS o consentimento é LIVRE!
Isso aqui é situação de ABUSO e só isso.
E daí ou tal pessoa é sem noção, viajou na maionese ou é mal intencionada.
Dica minha? Saiam fora!!!!!!


"VIVO O BDSM COMO ESTILO DE VIDA / FILOSOFIA DE VIDA / RELIGIÃO / ETC... DAÍ AQUI EU MANDO, MEUS ESCRAVOS OBEDECEM E QUEM NÃO OBEDECE APANHA. ESTOU DISCIPLINANDO-OS."

- E assim tal pessoa passa por completo sobre a coisa mais importante do BDSM que é o consentimento dos envolvidos?
Entendam o seguinte.
Existe sim a questão do fetiche (Kink) da disciplina.
E aqui entra um bottom que GOSTA de ser punido por alguma coisa, na sessão.
Normalmente é mesmo um KINK em aprontar algo em ser punido.
Ou ainda um KINK em sentir-se disciplinado duramente.
Por vezes isso toma forma até de um "coaching hardcore" quando se estende para fora, aonde o Bottom QUER o Top lhe dê umas chicotadas toda vez que dormir tarde, perder tempo demais jogando, falhar em concurso público, etc... (Tem gosto para tudo e este é um deles.)
Mas? JAMAIS é aceita a situação aonde o Top usa alguma punição para de fato inibir o livre arbítrio do Bottom.
Lembrando aqui que sim - no BDSM qualquer um TEM O DIREITO de interromper práticas e conversar à respeito! 
(Independente de quais sejam.)
Saiu disso? Deixou de ser BDSM, pois não é mais consensual.


"MEU BDSM NÃO É CONSENSUAL, PORQUE EU PRATICO NA TRÍADE X / FILOSOFIA Y / ESTILO Z, E DAÍ EU POSSO OBRIGAR DE FATO MEUS BOTTOMS A FAZEREM COISAS."

- Seguinte...
TODA tríade do BDSM inclui a questão de ser CONSENSUAL.
E quando é consensual, NADA é forçado de fato.
Até mesmo em fetiches aonde temos algo sendo "forçado", isso é puramente parte de um roleplay. Uma interpretação de papéis!
Sissificação Forçada? Inversão forçada? Humilhação forçada? Etc...?
Qualquer um desses cai nessa categoria!
E em qualquer um deles, o bottom PODE PEDIR PARA A COISA PARAR OU ABRANDAR se for o caso!
O "forçado" aí é apenas o estilo que é usado na cena, aonde o Bottom QUER SE SENTIR "OBRIGADO" a fazer certas coisas.
(E isso inclusive é uma forma de ele se sentir menos culpado para conseguir derrubar um tabú, com a ajuda do Top.)
Capiche?

domingo, 19 de abril de 2015

HABILIDADES SUBMISSAS - TOPPING PARA O PRAZER DO DOMINANTE

Texto traduzido do blog SubmissiveGuide
Escrito por lunaKM

A dinâmica de todos os relacionamentos é diferente. Se você segue este blog por qualquer período de tempo, você foi exposto a alguns relacionamentos muito particulares e os submissos dentro desses relacionamentos. Há submissos que são animais de estimação(Pets), alguns que são escravos, outros que, como você já leu recentemente, são vagabundas de caça para seus donos. Hoje vou falar sobre outra forma de submisso; aquele que eu acho que pode aparentar que tiveram seus papéis trocados.

Eu estou falando sobre o submisso que aplica a prática no dominante. Isto não tem nada a ver com topping from the bottom. Este é um acordo de papéis na cena em que o submisso aplica práticas no dominante durante o jogo. Não é tão incomum como se poderia pensar que um Dominante poderia ser masoquista e precisasse de um sádico para satisfazer as suas necessidades. Também é muito comum que submissos podem ser ou se tornar um sádico. Esta combinação pode florescer em uma dinâmica saudável para o casal.

Então, o que é topping? Topping, neste contexto é qualquer atividade sensual, sexual ou jogos em que submissos executam práticas em seus dominantes, agindo como Tops. Poderia ser bondage, CBT, spanking ou outras formas de causar dor. Poderia ser a negação sexual ou a hipersensibilidade erótica. Qualquer coisa que um sádico possa proporcionar a um masoquista.

O mito de que dominantes não podem, eventualmente, ser masoquistas, precisa ser compreendido. Sadismo e masoquismo são separados de Dominância e submissão. Eles são, de fato, ligados diretamente à sua personalidade sexual e não a sua personalidade mental. É por isso que o sadismo e masoquismo podem existir sem elementos de D/s. É puramente a perversão física que muitos de nós apreciamos.

Eu conheço uma Dominante que tem dificuldade em encontrar parceiros, porque ela não quer apenas uma submissa, mas também uma sádica. Ela quer alguém que possa direcionar para açoitá-la corretamente, ou amarrar os seios dolorosamente apertado. Se ela quer ser atingida com mais força, ela espera que o submisso obedeça. Submissos que estão dispostos a aprender as atividades de um sádico (e um feeling para ser Dominante-eventual apenas) são raros.

Agora pense sobre qual a impressão que você teria de alguém, se você visse amarrado à cruz e sendo açoitado, mas direcionando toda a cena quase golpe por golpe? O que você acha da pessoa que administra a flagelação, se silenciosamente e calmamente obedece às ordens do flagelado? Será que você acharia que ele(topping) não é muito Dominante ou que aquele na cruz não é um bom submisso? Bem, você estaria certo. Para este exemplo, o Dominante é o flagelado e o submisso está a empunhar o chicote. Para eles, isso funciona e é tão emocionante quanto o contrário. Julgar pode embaçar a sua percepção do que pode realmente estar acontecendo.

Em ocasiões pratico topping quando meu Mestre solicita. É parte do que torna a nossa relação única. Isso não foi fácil para mim porque eu tinha algumas das mesmas percepções que descrevi anteriormente. Eu pensei que, se eu executo práticas em meu Mestre, que eu não seria submissa ou que ele perderia seu domínio. Isso não aconteceu. Isso acabou ampliando meu conjunto de habilidades e me tornou valiosa para o meu Mestre. Ele sabe que, se o bichinho do masoquismo incomodar, eu vou servir como sua sádica até que a necessidade desapareça. Isso não faz dele menos meu dono e de mim menos submissa.

Aceitar o meu lugar nesse relacionamento exigiu muita reflexão e desenvolvimento do meu entendimento de que o sadismo e masoquismo são, como já descrito acima, completamente separados de nossos papéis dinâmicos. Ainda há momentos em que eu me pego na minha própria teia de confusões e o Mestre está ali, me ajudando a passar através delas. Como pode um top submisso? Como pode o Dominante realmente gostar disso? Estas são apenas algumas das perguntas que permaneciam passando pela minha cabeça. Felizmente eu o sirvo muito melhor do que antes e descobri que eu aprecio muito esses momentos.

Em última análise, isso significa que você tem que aprender a fazer as atividades solicitadas com segurança e bem executadas. Eu passei a ler sobre o que meu Mestre gosta e a aprender os aspectos de segurança, bem como formas de melhorar a execução das práticas quando ele as solicitar. Eu me deleito em meu novo aprendizado e abraço a chance de ampliar meu conjunto de habilidades. Esta é uma forma de servir que eu nunca pensei que eu estaria proporcionando.

Traduzido por Bia Baccellet