Mostrando postagens com marcador Brat. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brat. Mostrar todas as postagens

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Guia de 30 passos para ser uma típica Brat virtual.

Texto de Lilene Leverdi

Acharam que eu ía falar das submissas de alma né... se fuderam! O post de hj é pra você, BRAT(sim, com caps lock...) virtual, modinha e caralho a 4.

1- “Submissa é o caralho! Eu sou BRAT, tá!”. Essa é você se apresentando ao mundo...


2- “Senhor de cu é rola! Ninguém me domina” Essa é você interagindo com qualquer Top em qualquer situação...


3- Todas as submissas são umas tolas acéfalas e, consequentemente, você irá zoar com elas. Motivo: você não tem o que fazer e ser zoeira “faz parte”.

4- Apenas tolere a existência de Doms e submissas. Afinal, tadinhos, são pessoas retrógadas e intolerantes que nunca compreenderão as incríveis BRATS.

5- Se defina em uma palavra: “Indomável!” ... sei...

6- Seja escrota. Quanto pior melhor! 

7- Se te questionarem sobre sua habitual falta de educação, responda sempre que sua "personalidade" é muito forte e você não tem papas na língua.

8- Coleira??? Quem usa isso é cachorro!

9- Se gostar de Petplay, queira sempre ser a gatinha. Gatos tem tudo a ver com BRATS. Ok, não conta isso pro gato ou ele vai partir sua cara.

10- Seja inconveniente. Pratique a arte de perturbar.

11- Se te chamarem de sub rebelde que precisa de um Dom de pulso firme: vá inbox, xingue a pessoa, denuncie o perfil dela e depois bloqueie.

12- Seja o centro das atenções nos grupinhos de BDSM da net. 

13- Mesmo sem CAPS LOCK ativada faça qualquer um reparar em você. Principalmente pelo lado ruim.

14- Faça questão de dizer que ninguém manda em você. Se convença disso tb.

15- Subs de alma = passe livre pra zoeira(e aqui estou falando sério).

16- Seu sonho é que exista um mundo paralelo onde todo mundo goste de BRATS.

17- As demais pessoas também sonham com esse mundo, querida. Principalmente se for pra te mandar pra lá só com passagem de ida. 

18- Faça marketing de si mesma! Fale o tempo todo do quanto você é foda, de personalidade, pauzuda, dona da verdade, diferentona e etc. Se acostume a ser ignorada e brade até no quinto dos infernos do quanto as pessoas são chatas e intolerantes só porque não estão nem aí pra você.

19- Seja o pau que matou a cobra.

20- Forme panelinhas e detone com as pobres subzinhas.

21- Se algum Dom te abordar inbox educadamente, apenas tente humilhá-lo o máximo que puder. Você não se importa que muitas pessoas não fazem ideia do quão fodástica você é.

22- “Eu não tenho Dono e nem preciso disso”. Ok, ninguém é obrigado a querer coleira. Mas como você é retardada, desdenhe o máximo que puder.

23- Ninguém precisa te ensinar nada. Você sabe de tudo. As pessoas é quem deveriam aprender com você.

24- “Como é ser BRAT?” Pergunta alguém. Você sempre responde mostrando a foto de uma guria tentando caber numa saia xadrez que mais parece um cinto com babados.

25- Fale mal de quem leu/assistiu 50 tons de cinza(principalmente as mulheres). Quando alguém vier perguntar sobre seus gostos, já que você é tão exclusiva, diga: São muito peculiares... Aí cite Sade e Masoch. Tão original...

26- Quando alguém questionar qualquer coisa que você posta, comece dizendo: “Foda-se...”

27- Se possível, seja Switcher! Brat Switcher é tendência e agrega valor ao currículo. É tipo Ensino Superior Incompleto: Não serve pra nada mas ta alí enchendo linguiça.

28- Sua foto de perfil? Aquela de sempre da menina meio gótica suave mordendo uma algema... Nossa, tanta rebeldia e nem consegue ser original.

29- Arranjou Dono? Putz, e Dominador? Fudeu né! Calma amiga! Faça outro perfil no facebook onde você vai parecer exatamente aquilo que você discriminava. Mude o nick, encha de fotos bregas, poesias, frases da Clarice Lispector, adorações ao seu querido Dono de Mim e torça pra ninguém te reconhecer sua ex-BRAT fuleira. 

30- O Dono não te aguentou e te deu um chute no rabo? Sem problemas. Suma com o perfil de sub brega e reative o seu antigo perfil de BRAT arruaceira. Faça um post comunicando o seu retorno triunfal e assista ele fracassar sem nenhuma curtida ou comentário pq, ninguém sentiu sua falta.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

SADISMO PSICOLÓGICO X DOMINAÇÃO PSICOLÓGICA

Texto de Don Marco Alighieri


Por "psicológico" entendam tudo aquilo que "não é físico".

SADISMO PSICOLÓGICO, em contraste com o sadismo convencional - que é o spanking, trampling, uso de velas, etc... ,é :

- O uso de ofensas, xingamentos, humilhações puramente verbais... (Desde que o Bottom seja masoquista e curta essas práticas.)

- Discurso que crie medo ou receio no Bottom durante a cena. (Um tipo de roleplay muito comum nesse sentido, por exemplo, é quando o Top age e fala como se fosse um carrasco medieval. Ou como se fosse um personagem de filme no estilo do Hannibal Lecter. Ou ainda como se sua cena fosse um ritual de magia negra. Etc... )

Obs.: NÃO confundir roleplay de sadismo psicológico com ameaças reais. Por mais extremos os elementos que entrem na cena, trata-se de um ato consensual.


DISCIPLINA, que por sua vez, é um fetiche inteiramente baseado no psicológico – podendo agregar elementos físicos e outros fetiches nela mas não sendo dependente deles.
Nesse fetiche o Top assume a postura de uma autoridade (professor, instrutora, mestra, lord, rainha, etc...), coloca o Bottom para fazer “tarefas com algum benefício por completá-las” ou “castiga o Bottom por seu mau comportamento”.

- E nesse fetiche, o Bottom não é plenamente obediente como na D/s... Em várias versões, inclusive, o Bottom comporta-se como um “personagem arteiro” para ser castigado de propósito.

Obs.: Sendo, logicamente, tanto prêmios quanto castigos coisas que o Bottom consente em fazer. E a Disciplina deve sempre constituir “um jogo” entre as partes (não um elemento de chantagem, ameaça real, etc...). – Tipicamente é praticada só na cena ou em tarefas pontuais.

DOMINAÇÃO PSICOLÓGICA...?
Eu diria que é a "maior de todas as zebras que eu já vi" no BDSM.
Porque? Bem... Na prática TODA dominação/submissão é, por natureza, puramente psicológica (Ou seja, não depende de implementos e contatos físicos ou de outros fetiches, podendo ou não eles serem utilizados – E tipicamente, qualquer elemento físico na cena cai ou na categoria do BONDAGE ou do SADOMASOQUISMO).
Mas... Esse termo tem lá sua razão de existir... Algumas pessoas utilizam de "recursos avançados" em sua dominação. Chamam isso de Dominação Psicológica.

- E nem sempre isso é coerente com a consensualidade.
Para "separar o joio do trigo", vou mencionar tudo o que entra nesse contexto e marcar o que é prática abusiva ou equivocada.


[COERENTE COM O CONSENSUAL]

1 – NEGOCIAÇÃO: O ato de se convencer o Bottom a realizar uma prática nova ou contra a qual ele tenha um preconceito (opinião SEM nenhum fundamento). Nessa prática o Top vai utilizar seu carisma, dar e manter a palavra de que terá cuidado, passar segurança ou até mesmo oferecer um prêmio ao Bottom por aceitar experimentar aquela prática (este último sendo um componente de Disciplina). 

Obs.: É necessário respeitar um limite confirmado pelo Bottom, pois pode inclusive constituir uma fobia ou trauma. Isso é uma das premissas da negociação. Também é importante que o Bottom sempre esteja consciente dos riscos de todas as práticas – do contrário caracteriza manipulação.

2 – LEITURA: O ato de se utilizar procedimentos para se captar tendências do Bottom, então trazendo a este práticas que sejam afins à suas tendências. Entre os procedimentos poderia citar o mentalismo (leitura quente ou fria), leitura de sinais corporais, dedução lógica, empatia, etc.

Obs.: Essa prática também ajuda muito a tornar a cena mais intuitiva. É praticamente um pré-requisito para quem queira praticar a tríade CCC.

3 – CONDUÇÃO: O ato de se compreender detalhes íntimos do Bottom com técnicas, e de se utilizar esta informação tanto para trazer práticas afins quanto para mentorar o Bottom – ajudando-o à se descobrir. Entre as técnicas, menciono inteligência emocional, programação neolinguística, psicologia, análise, psych profilling, etc.

Obs.: Condução tem um imenso potencial em transformar o Top em uma forte referência para o Bottom, e é excelente força motriz para relacionamentos. Mas não pode constituir manipulação (utilização unilateral, em benefício do Top e detrimento do Bottom).

4 – MAESTRIA: Prática na qual o Top torna-se uma forte referência para o Bottom, conquistando uma profunda confiança e respeito. Basicamente é o ato de honrar sempre a palavra, demonstrar cuidados com o Bottom, respeitar sua constituição física e mental, demonstrar conhecimentos e experiência superiores, etc.

Surte efeito a longo prazo e não deve ser confundida com o ato de se impressionar o Bottom com declarações falsas, atuações teatrais, simular conhecimento ou coisa parecida.

5 – ADESTRAMENTO: É na prática uma forma de Disciplina, aplicada nas cenas, nas quais o Bottom executa tarefas sob as ordens do Top – podendo receber prêmios e “castigos”. Em alguns casos, são também passadas tarefas fora das cenas, se for o caso de um relacionamento D/s. É na prática um tipo de jogo entre Top e Bottom.

Obs.: Lembrando que o castigo – para ser consensual - tem que ser uma coisa com a qual o Bottom concorde (explicitamente ao combinar a cena ou implicitamente ao não invocar a palavra de segurança ou pedir para renegociar – dependendo do estilo). 


[SITUAÇÃO ATÍPICA]

Em alguns casos, transes hipnóticos, estados meditativos e demais estados alterados de consciência similares obtidos sem o uso de substâncias químicas podem ser componentes de cena. Algumas pessoas chamam erradamente estas práticas de “dominação psicológica”, sendo na realidade “transe erótico” a nomenclatura correta.

Obs.: Estas práticas são de alto risco, mas ainda assim possíveis de serem praticadas consensualmente com pelo menos a concordância do Bottom.


[INCOERENTE COM O CONSENSUAL - NÃO DEVE SER FEITO]

1 – MANIPULAÇÃO: O ato de se forçar a barra com o Bottom, usando falsas promessas, informações deturpadas, mentiras, “liturgias” que atentem contra a consensualidade, etc.

Ex: - "Esquecerei a ideia de um irmão de coleira pra você se fizer isso"
- Dizer que não será um bottom a altura de um TOP como ele se não praticar tal coisa.
- A competição criada que só te torna um verdadeiro botton se pratica a nível extremo
- A competição criada entre irmãos de coleira "ele faz você não consegue"

2 – INDUÇÃO: Utilização indevida de recursos como a indução comportamental, psicologia manipulativa, psicologia reversa, engenharia social, "mind hacking", etc... Para manipular a mente do Bottom sem o seu consentimento. – Tipicamente em benefício exclusivo do Top.

Ex.: - Levar o bottom a acreditar que uma certa ideia ou desejo é do bottom quando na verdade é dele.
- Levar o bottom a acreditar que está pronto para tal prática quando na verdade o TOP está tentando apressar o processo ou mesmo não liga para as consequências.

3 – AMEAÇA: Imposição de ordens do Top em relação ao Bottom, sob ameaça de retaliação. (Punição que não constitua fetiche do Bottom, com a qual ele não concorde consensualmente.)

Ex.: - Espancamento real, cárcere privado, vexame em público, etc.
- Criar no bottom o medo dele perder a coleira
- Criar no bottom o medo de desapontar o TOP
- O medo de ser visto pelo meio BDSM como um mau bottom.

4 – CHANTAGEM: Ameaça do Top em relação ao Bottom de revelar sua intimidade em público, revelar detalhes pessoais dele, fotos ou filmagens íntimas, etc... Com o intuito de forçar este à acatar suas ordens. Havendo também a chantagem emocional, que é caracterizada por ameaças de término de relacionamento, greve de sexo (não confundir com negação de orgasmo, que é um elemento válido em cenas), etc.

5 – LAVAGEM CEREBRAL: Procedimento pelo qual o Top afasta o Bottom da racionalidade e tolhe sua habilidade em questioná-lo. Geralmente é caracterizada pela imposição de um isolamento social, familiar e de recursos que poderiam ajudar o Bottom a perceber a situação de abuso. As vezes inclui uma dependência financeira forçada.

Ex.: - Criar dependência financeira, emocional, psíquica
- Afastar meios de informações (internet, pessoas, etc) que possam questionar as práticas do TOP.

6 – EXPLORAÇÃO DE FRAGILIDADE: O Top escolhe, como Bottom, pessoa portadora de uma fragilidade (carente, autodestrutiva, bulímica, bipolar, viciada em entorpecentes, etc...) e utiliza-se da condição provocada pelo problema. (Evitando que o Bottom se trate adequadamente.)


quinta-feira, 23 de abril de 2015

AS MAIORES BESTEIRAS DITAS EM TERMOS DE BDSM - E como as coisas realmente funcionam.

Texto de Don Marco Alighieri


"DON MARCO ALIGHIERI, SEUS TEXTOS SÃO CONTRA O QUE CONHEÇO COMO FUNDAMENTOS DO BDSM"

- Pois é... 
Porque você está considerando como "fundamentos do BDSM" coisas tiradas ou de blogs, posts e publicações de "entendidos" que tem por aí, de contos que circulam pela internet ou ainda de LITERATURA DE FICÇÃO como "A História de O", "A História de I", "Justine", "120 dias de sodoma", "Crônicas de GOR", "Vênus de Peles", "Trilogia 50 Tons", Etc.

Dica minha? BUSQUE FONTES MELHORES!
Você precisa ler MATERIAL TÉCNICO que é voltado de fato à prática real!
(E parar de dar atenção à coisas que não tem esse fundamento e que em vários casos contradizem o BOM SENSO.)
Vá ler "SM 101 A Realistic introdution" do Jay Wiseman.
Leia "Screw the roses, send me the thorns". Leia "Imaginative Sex" se gosta mesmo do John Norman. Leia "The Leatherman's Handbook" se quiser entender a história do BDSM.

Entre nesse site aqui: 
Entre nesse outro: 
Aproveite para ler isso também se quer ter um clã com dungeon:
Leia isso:
Veja esse outro também:
Cheque este material editado pela NLA sobre ABUSO, que é uma associação séria de praticantes:

DEPOIS de se informar melhor, venha aqui comentar algo.


"A RELAÇÃO É CONSENSUAL PORQUE O BOTTOM PODE SAIR A HORA QUE QUISER."

- Legal isso... Basicamente o Bottom fica preso entre "aturar" e "sair".
Vocês tem noção de que isso é a mesma coisa que uma chantagem emocional se esse bottom tiver um envolvimento afetivo? 
Pois é. Entendam o seguinte de uma vez por todas:
Consentimento no BDSM não é só aquele dado no começo, mas também precisa ser mantido.
TUDO é aberto a questionamentos e conversas adultas.
Isso aqui vale até para uma relação de escravidão TPE.
Tem algo errado? Peça licença e converse com o Top, inclusive porque ele não é infalível. Ele pode cometer uma gafe. E isso é normal.
Tem um Top que não quer conversar, e quer impor tudo? 
Pois é... RED FLAG! Esse Top no caso é apenas uma pessoa com um problema, sendo então um autoritário se julgando dominador.

Dica minha? DISPENSE-O e busque alguém com a mente em ordem para estar contigo! (Gente assim só te dará prejuízos.)


"EU FAÇO A COISA REAL E 'HARDCORE', DAÍ NÃO USO PALAVRA/GESTO DE SEGURANÇA"

- 1000 vezes não... Justamente porque quando a coisa é de fato hardcore é que esses recursos são combinados e usados!
Aqui falamos em cenas aonde o bottom à todo momento grita "pelo amor de deus não faça isso" (parte de um roleplay psicologicamente denso e pesado), e aí quando ele gritar "VERMELHO" o Top sabe que não é roleplay e ele precisa mesmo parar a coisa.
Ou de cenas aonde o Bottom está amordaçado, geralmente gritando e se sacudindo, mas quando ele levanta as duas mãos o Top sabe que é para realmente parar a coisa.


"PASSE-ME SUAS SENHAS DE EMAIL/PERFIL/ETC PARA ME MOSTRAR QUE CONFIA EM MIM"

- Isso aqui é tática de uma pessoa que não confia na outra e está querendo jogar para esta a culpa na coisa.
Quem não confia aqui é justamente quem pede senhas!
Dica minha? CORTEM AS ASAS desse tipo de gente.
Tipicamente pessoas com essa características são ou descontroladamente inseguras, ciumentas e possessivas, ou maníacas por controle (tratando-se então de MANIA, não de um KINK), ou ainda estão querendo aprontar alguma e daí desejam isolar o bottom.
Essa é inclusive uma RED FLAG das mais antigas. (Sinal vermelho, de problemas ou perigo da parte do candidato à parceiro.)


"A VERDADEIRA SUBMISSÃO É UMA ENTREGA DE CORPO E ALMA AONDE BOTTOM FAZ ABSOLUTAMENTE TUDO PARA AGRADAR O SEU TOP"

- Na verdade mesmo? Essa é a FALSA submissão!
A verdadeira é um KINK da parte do Bottom! Uma coisa que o agrada/excita e é feita dentro de seus limites e preferências.
(E daí não é jamais absolutamente ilimitada ou tão extrema ao ponto de se tornar algo tão perto do doentio.)
A falsa é quando isso é feito com segundas intenções, incluindo aqui bajular o Top para ter sua atenção afetiva ou sexual, aturar o BDSM por desespero para manter o parceiro, ser subserviente esquecendo-se de si mesmo, entrar em dependência emocional ou apaixonar-se demasiadamente e confundir isso com submissão, etc... etc... etc...
Esse tipo de bobagem vem de material literário, da cabeça de quem viaja na maionese (tendo visão 'conto de fadas' ou 'ferro e fogo' do BDSM) ou ainda de quem não quer se conscientizar do fato de que seu parceiro é um ser humano e daí tem necessidades, vontades e também limites (mesmo isso não sendo explícito).


"VOCÊ TEM QUE FAZER SEXO SEM PRESERVATIVO COMIGO PORQUE EU DOMINO, ENTÃO EU MANDO E VOCÊ OBEDECE"

- É... Aqui temos ou um IRRESPONSÁVEL querendo se impor usando o BDSM como desculpa ou ainda alguém MAL INTENCIONADO querendo passar uma DST de propósito.
No BDSM, as pessoas tem direito a terem limites. 
"Só fazer sexo com preservativo" qualifica como limite!
Dica minha? Peguem suas coisas, saiam fora e larguem tal pessoa na mão! (E se tal pessoa tentar impedi-los, dêem umas cabeçadas e cotuveladas no meio da cara dela.)


"EU NÃO COMBINO CENAS. NEM VOU PERGUNTAR SEUS LIMITES, CURIOSIDADES E PREFERÊNCIAS. DEIXA QUE VEREMOS O QUE FAREMOS NA HORA."

- Sério mesmo que essa pessoa vai levar tudo que é brinquedo dela, e na hora vão ficar escolhendo o que pode ou não ser usado?
E que ela vai correr o risco de marcar sessão com alguém totalmente incompatível e perder a viagem?
Tem algo errado nisso...
No mínimo essa pessoa é um BDSMer que não está nem aí para seu parceiro em sentido algum.
No máximo é alguém querendo simplesmente sexo fácil e usando BDSM como desculpa ou algo muito pior que isso (um pirado ou sem noção que vai aprontar alguma contigo na sessão).
E nenhuma dessas coisas é boa!


"IREI ACEITAR VOCÊ COMO BOTTOM E FAREMOS SESSÃO. ASSINE UM CONTRATO / ACEITE MINHA COLEIRA / COMPROMETA-SE COMIGO / COMECE UMA RELAÇÃO D/S DE ALGUM TIPO COMIGO."

- Tá tudo errado... Isso aqui é o equivalente à um baunilha pedir uma pessoa aleatória em namoro para poder ficar ou transar com ela.
No BDSM primeiro conhecemos a pessoa...
...Então fazemos sessões por um tempo...
...E aí, SE for o caso, cria-se um compromisso de algum tipo.
E isso é um processo LONGO. Tipicamente demora MESES!
Quem coloca o carro na frente dos bois quase sempre é alguém carente, desesperado para se mostrar ou coisa parecida.
Abram os olhos!


"PROVE-ME SUA CONFIANÇA ANTES DE MAIS NADA. ENVIE-ME UMA FOTO OU VÍDEO SEU, AONDE APARECE SEU ROSTO E VOCÊ ESTÁ NÚ E/OU PRATICANDO UM ATO DE SEXO EXPLÍCITO E/OU EXIBINDO UMA PRÁTICA"

- Sério mesmo?
Isso aqui se parece mais com alguém querendo colher material comprometedor de outra pessoa, o qual irá usar para aplicar golpes aonde chantageia-se a pessoa pedindo dinheiro para não divulgar ou até mesmo usa-se isso para obrigá-la a continuar mantendo contato e aceitando ordens.
Dica minha? NÃO registrem suas práticas e mandem para desconhecidos.
Quando muito? Mande apenas para aquele parceiro de vocês com o qual CONVIVEM à ANOS e conhecem até o número de fio de cabelo deles.
(E ainda assim tenham consciência do risco de essas coisas vazarem. Recomendo até que o rosto e detalhes que possam idenfiticá-los não apareçam nesse tipo de foto. A 'Gimp Mask' é ótima para isso.)


"O BDSM VIRTUAL É UM CAMINHO PARA O BDSM REAL. SUBMETA-SE A MIM PELA INTERNET ANTES DE MAIS NADA"

- Vamos lá... No BDSM real, buscamos conhecer bem a pessoa antes de mais nada. Chegamos a conviver um tempo com ela como amigos para isso. Fazemos questão de compreender como ela é antes de qualquer sessão.
No virtual essa etapa é queimada, e cria-se prematuramente uma relação com uma pessoa da qual pouco sabemos. E ainda praticam-se coisas como exibicionismo na webcam, D/S via chat, etc...
Eu diria que o virtual é um DESCAMINHO para o real na grande maioria dos casos. Evitem-o!


"NÃO TEM PROBLEMA ALGUM EU SER CASADO COM BAUNILHA PORQUE VIVO O BDSM COMO ESTILO DE VIDA. ENTREGUE-SE COMPLETAMENTE À MIM, DEDIQUE-ME SUA VIDA E PERTENÇA-ME POR COMPLETO"

- Hein??????? Eu ouvi isso direito???????
No BDSM quando falamos em troca de poder, aonde poder é trocado por responsabilidade.
E em responsabilidade há também a questão de não oferecermos atenção que não poderemos dar! Não criarmos falsas expectativas!
Não faz sentido uma pessoa pedir total e completa atenção da outra, quando não pode retribuir isso.
Um bottom em tal situação facilmente cai em problemas afetivos inclusive.
Vai se sentir frustrado ao longo do tempo.
Vai perceber que está se dedicando à uma pessoa que tem ele como passatempo para horas vagas.
Dica minha? OU ponham essa pessoa também como passatempo para horas vagas OU dispensem. Mas JAMAIS deixem-se envolver demais.
(E cuidado com parceiros que são casados com gente que não sabe de suas práticas BDSM. Pra piorar tem a possibilidade de isso gerar sérios problemas depois.)
Acho até que "casados deveriam buscar outros casados", pois tendem dar mais certo juntos rolando inclusive uma empatia poderosa por estarem na mesma situação.
Obs.: E eu honestamente não entendo uma pessoa considerar que vive o BDSM como "estilo de vida" quando ela dedica a mais importante de suas relações à práticas puramente baunilhas. Isso aqui é uma ilusão.


"EU PRATICO DOMINACÃO PSICOLÓGICA. É POR ISSO QUE CHANTAGEIO EMOCIONALMENTE / AMEAÇO COM PUNIÇÕES O LIVRE ARBÍTRIO / CRIO E EXPLORO SENTIMENTOS / CONTROLO TODA A COMUNICAÇÃO / ETC... DE MEUS BOTTOMS"

- Não... O que esse cara faz não é "dominação psicológica".
O que ele faz é usar uma palavra rebuscada como justificativa para esconder que é um canalha no meio!
À partir do ponto em que o bottom está sendo coagido à algo, ele não está dando livre consentimento em mais nada.
E daí não se está mais praticando BDSM em acordo com tríade nenhuma.
Em TODAS o consentimento é LIVRE!
Isso aqui é situação de ABUSO e só isso.
E daí ou tal pessoa é sem noção, viajou na maionese ou é mal intencionada.
Dica minha? Saiam fora!!!!!!


"VIVO O BDSM COMO ESTILO DE VIDA / FILOSOFIA DE VIDA / RELIGIÃO / ETC... DAÍ AQUI EU MANDO, MEUS ESCRAVOS OBEDECEM E QUEM NÃO OBEDECE APANHA. ESTOU DISCIPLINANDO-OS."

- E assim tal pessoa passa por completo sobre a coisa mais importante do BDSM que é o consentimento dos envolvidos?
Entendam o seguinte.
Existe sim a questão do fetiche (Kink) da disciplina.
E aqui entra um bottom que GOSTA de ser punido por alguma coisa, na sessão.
Normalmente é mesmo um KINK em aprontar algo em ser punido.
Ou ainda um KINK em sentir-se disciplinado duramente.
Por vezes isso toma forma até de um "coaching hardcore" quando se estende para fora, aonde o Bottom QUER o Top lhe dê umas chicotadas toda vez que dormir tarde, perder tempo demais jogando, falhar em concurso público, etc... (Tem gosto para tudo e este é um deles.)
Mas? JAMAIS é aceita a situação aonde o Top usa alguma punição para de fato inibir o livre arbítrio do Bottom.
Lembrando aqui que sim - no BDSM qualquer um TEM O DIREITO de interromper práticas e conversar à respeito! 
(Independente de quais sejam.)
Saiu disso? Deixou de ser BDSM, pois não é mais consensual.


"MEU BDSM NÃO É CONSENSUAL, PORQUE EU PRATICO NA TRÍADE X / FILOSOFIA Y / ESTILO Z, E DAÍ EU POSSO OBRIGAR DE FATO MEUS BOTTOMS A FAZEREM COISAS."

- Seguinte...
TODA tríade do BDSM inclui a questão de ser CONSENSUAL.
E quando é consensual, NADA é forçado de fato.
Até mesmo em fetiches aonde temos algo sendo "forçado", isso é puramente parte de um roleplay. Uma interpretação de papéis!
Sissificação Forçada? Inversão forçada? Humilhação forçada? Etc...?
Qualquer um desses cai nessa categoria!
E em qualquer um deles, o bottom PODE PEDIR PARA A COISA PARAR OU ABRANDAR se for o caso!
O "forçado" aí é apenas o estilo que é usado na cena, aonde o Bottom QUER SE SENTIR "OBRIGADO" a fazer certas coisas.
(E isso inclusive é uma forma de ele se sentir menos culpado para conseguir derrubar um tabú, com a ajuda do Top.)
Capiche?

sábado, 28 de março de 2015

BRATS

Muito se fala das tais brats, citados como sendo uma espécie de submisso rebelde que apronta de tudo para perturbar e receber castigos de seu dono. Vamos desmistificar. 

O que é um brat?

Brat é um tipo de bottom focado na Disciplina. Não são submissos pois não sentem prazer em se submeter. Seu prazer consiste em provocar o Top de diversas formas, de acordo com sua personalidade, bem como impor resistência durante as sessões, mas sempre mantendo o respeito à limites do parceiro. Essa provocação já é algo esperado pelo Top, pois faz parte do jogo de disciplina, e este, então, reage à provocação "castigando o bottom" (praticando então o sadomasoquismo e/ou bondage).
A palavra "brat" é de língua inglesa e significa "fedelho ou pirralho(a)".
A origem desse bottom remete a prática do ageplay, mais precisamente ao infantilismo e a efebofilia - que dentro da cronofilia seria atração por adolescentes - onde o Top e o bottom realizam um roleplay nos papéis Daddy Dom ou Mommy Domme e Little Boy ou Little Girl. O brat surgiu como uma criança/adolescente bastante arteira e mimada interagindo com o Top em várias situações de malcriação e castigo, causa e consequência, etc. Na prática do ageplay encontramos as maiores referências aos brats, incluindo a cena clássica de punição onde o Top, sentado numa cadeira tendo o bottom brat de bruços em seu colo, dá fortes palmadas na bunda deste, por vezes com a nomenclatura "spanking the spoiled brat" (batendo no pirralho birrento).

Por que brat não é um tipo de submisso? Sempre leio isso por aí.

Brat não é submisso porque não tem prazer algum específico na submissão. Obedece quando quer, quando lhe é conveniente ou quando está sendo subjugado, mas dificilmente porque alguém espera que ele obedeça. Esse não é seu papel, foge da sua essência. O brat sempre vai tentar tirar partido das situações, da forma que mais lhe favoreça. Exemplos: um brat masoquista sempre vai tentar conseguir mais punições dolorosas pra se satisfazer, e vai usar de seus ardis pra irritar o Top se for preciso, seja questionando sua posição, seja questionando seus métodos ou a sua capacidade para certos feitos e falhando em tarefas. Aliás, questionar faz parte da provocação típica de alguns brats. É o típico: "Me domine se for capaz!". Um brat no bondage vai estar sempre tentando se soltar. No shibari, de vez em quando vai se mexer e tentar desfazer o trabalho de seu Top. No petplay vai ser um animal dificil de amansar, ou esnobe demais, ou excessivamente carente a ponto de irritar, ou preguiçoso a ponto de não querer brincar e etc. No military fetish corresponde a um soldado que falha ou questiona ordens.
Mas por que brat não é submisso?
Simples, um ser que desobedece e provoca sempre que vê oportunidade pode ter alguma essência submissa?! Submissos são focados em Dominação e submissão (D/s), brats em Disciplina (D). Logo, não devemos nomear como sendo submisso quem não está nem aí para a submissão. No entanto? Brat NÃO é um Bottom que desrespeite seu Top, que faça coisas fora dos limites deste, que ponha em perigo uma cena com elementos arriscados (velas, fogo, agulhas, facas, etc.) nem alguém que na relação vá abusar de seu parceiro minando sua paciência.

E os tais submissos rebeldes? São brats?

Não! Muitos Dominadores chamam de “bratty subs”, até de forma pejorativa, mas são Submissos que, por algum motivo, se rebelaram contra seus tops, passaram a agir de forma não esperada e/ou quebraram a hierarquia. “Submissos rebeldes” normalmente teriam prazer em submissão. Se o motivo for puramente pirraça ou algum "teste", estes Subs aprontam com seus Tops mas logo se arrependem retornando ao seu comportamento normal, sendo a rebeldia um estado momentâneo, passageiro. Um brat, em contrapartida, provoca e sente prazer em ter provocado. É parte do seu prazer e de sua maneira de proceder em cena.
Em outros casos, trata-se de reação normal de revolta e/ou imposição de limites, quando o Top gera algum tipo de insatisfação por falhar em dialogar na relação, desrespeitar seus limites, fomentar ciúme e/ou receios com irmãos ou irmãs de coleira, ter má conduta dentro do meio BDSM, ameaçar ou praticar o abandono do bottom, desrespeitar seus sentimentos e/ou objetivo do relacionamento, etc. – o que, nesse caso não é rebeldia, mas um protesto coerente.
Há também as situações em que foi colocado como submisso um Bottom SAM a característica de sentir prazer na Submissão, ou que talvez tenha preferência por uma submissão mais branda ou somente em cena, ou ainda um Switcher – ou alguém que esteja se descobrindo um Switcher - com vontade de praticar seu lado dominante de alguma forma e, por consequência, sentindo-se tolhido. E então este Bottom não aguenta a situação a longo prazo e protesta, sendo esta uma situação em que houve erro de um dos parceiros (ou de ambos): falta de entendimento mútuo, empolgação demasiada, O rótulo foi imposto pelo Top ou ainda houve tentativa de "agradar o Top à qualquer custo" por parte do bottom. E - claro - não nos esqueçamos do famoso SAM (Smart assed Masochist) que seria uma pessoa masoquista porém não-submissa colocada no papel de submisso e que na realidade vai tentar mandar na cena e/ou no Top, agindo como um "espertinho" no mau sentido. (E este não é um Brat... Aqui teríamos uma pessoa que se sairia muito melhor como Masoquista-não submisso, Dominador Masoquista ou coisa parecida, mas que age de forma manipulativa adotando o rótulo de submisso OU trata-se de alguém que foi colocado erradamente no papel de submisso por um Top inapto em reconhecer seus traços.)
Ou seja: subs rebeldes não são brats. São apenas subs agindo de forma que seus donos não compreendem e, portanto, recebem apelidos que seus Tops considerem pejorativos.

E por quê uma boa parte dos Tops não gosta de brats, ao ponto de usarem o termo pejorativamente?

A maioria dos Tops brasileiros se identifica com o tipo Dominador (Dom) e a maioria dos bottoms se identifica como sendo submissos (subs). O tipo Dom não é nem de longe o ideal para um brat. Brat não dá certo em D/s, pois a intenção do Dom será a de tentar “converter” esse brat num tipo submisso, coisa que não está na essência e nem nos planos deste bottom. É um cabo de guerra sem fim, onde um vai ficar medindo forças com o outro e não vão chegar a lugar algum. Geralmente se torna uma relação bastante aborrecida de se viver. Na maioria das vezes que Top do tipo Dom diz que não gosta de brats, é devido a dois motivos:
1- Se interessou por uma e depois se deu mal porque quis transformar ela numa submissa. 2- Ouviu outros Doms dizerem que não gostam de brats e resolveu recitar o mantra sem nem ao menos entender que nem só de Dom e sub, vive o BDSM.

E qual é o Top que gosta de brat?

É o Tamer! Tamer significa "domador" em inglês. É um Top que não sente prazer na sessão em dominar, mas sim em disciplinar constantemente uma pessoa rebelde. Por vezes gosta de sentir-se "castigando-a" com as práticas. E tudo isso faz parte da mecânica da Disciplina. Nesse ponto a Disciplina de um Brat é muito mais baseada nos "castigos", e são estes que criam contextos para a prática de Sadomasoquismo ou Bondage (dentro dos limites e das preferências do Brat). Estas práticas, aliadas à sensação de punição, são parte do jogo entre Brat e Tamer . Enquanto que a Disciplina com outros tipos de Bottoms geralmente coloca suas práticas favoritas e alguns agrados como "prêmios" para suas ações, e como "castigos" coisas percebidas como enfadonhas (colocar o Bottom sentado sozinho em um canto) ou que não sejam suas favoritas mas que estejam ainda assim dentro de seus limites.
Quem geralmente se torna um bom Tamer?
Tipicamente quem não goste de bottom muito submisso, escravo ou obediente demais. Que esteja disposto a conhecer e respeitar esse bottom da forma que ele é. Que entenda e goste desse jogo de disciplina sem ambicionar, posteriormente, transformar esse bottom em algum outro tipo que lhe agrade mais. Quem aspira a se tornar um Top desse tipo deve também entender a diferença básica entre ter um bottom que se submete a ele (Submisso) e ter um bottom a quem ele deve subjugar (Brat). O submisso oferece sua submissão ao Top prometendo ser obediente, bom submisso, servil, gentil, e etc. O brat não tem submissão nenhuma pra oferecer, sendo parte da mecânica da relação o Top ter que subjugá-lo para que este se dê por vencido. E quando consegue isso, é algo temporário. Não existe promessa de obediência por parte do brat. Quando menos se espera, mais cedo ou mais tarde, ele aprontará outra vez, e outra vez, e outra vez.

É possível trabalhar Brats e Subs na mesma sessão?

Sim. Em primeiro lugar, o Top logicamente precisa compreender e apreciar ambas as mecânicas (ser Tamer e Dominador). Em segundo? Combinar a sessão para que todos ajam dentro de seus papéis SEM que o brat atrapalhe a interação do Top com o Submisso. Em terceiro? Aproveitar a sinergia na qual: - As interações com o Submisso, aonde ele obedece o Top à risca e recebe as práticas, geram contexto para o Brat se rebelar quando for a vez dele. - As interações com o Brat, aonde ele se rebela e é "punido" por sua audácia, geram ao Submisso uma impressão maior ainda de poder do Top.

Autores: Lili Leverdi e Don Marco Alighieri