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terça-feira, 26 de abril de 2016

10 lições para se tornar uma submissa de alma®




Como devemos aprender com os erros dos outros, afinal não teremos tempo para errar tanto sozinhas, aprenda em dez passos como ser uma sub de alma®:

1- Faça de conta que tá no quartel... junte os calcanhares diga alto: *SIM SENHOR!!!...E BATA CONTINÊNCIA.

2 - Decore todos os poemas da Florbela Espanca e mande via depoimento ao Dominador que estiver no seu nick naquele momento. Mande para TODOS eles.

3- Nunca se esqueça de mandar o relatório com as tarefas cumpridas. Seja criativa, e o que não fizer INVENTE.

4- Caso não puder mandar o e-mail obrigatório no horário previsto, escreva a noite e deixe a senha para uma amiga enviar (isso se você não tiver outlook que programa horário de entrega).

5- Sempre diga que nunca foi tão intensamente dominada. Não importa em que relação esteja, a atual é a dos seus SONHOS.

6- A sub de alma® depois da entrega não se pertence mais, portanto: 
6.1- Ligue antes de sair de casa;
6.2 - Ligue para pedir autorização para ir ao banheiro; 
6.3 - Ligue para pedir autorização para atender ao Chefe; 
6.4 - Ligue para informar que já atendeu ao chefe (mesmo que precise ligar 53 vezes durante o expediente);
6.5- Ligue as 3 da manhã para informar que fez xixi na cama porque ele desligou o celular antes de autorizá-la a ir ao banheiro.

7- Diga que sua alma está entregue por toda a eternidade. Se a relação acabar em uma semana, diga que a física quântica considera que a noção tempo é relativa.

8- Não importa se é Natal em família ou está em reunião de trabalho, use sua coleira e honre-a, ajoelhe para atender as ligações de seu Dono, termine todas as frases com: Sim Senhor DONO DE TUDO EM MIM; repetir "Senhor" nunca é demais.
E se a família te ameaçar internar e seu chefe começar a te olhar enfezado, justifique dizendo que são ordens do SENHOR DONO DA SUA ALMA.

9- Visite canis, petshops e estude o comportamento das cadelas. Comece a andar em casa nas quatro *patas* e se portar como uma. Quando encontrar com seu dono já o comprimente com um Au Auuuuu ...

10 - A regra do BDSM atual é que um Dom só tem valor de mercado se tiver ao menos um blog inteiro dedicado somente à Ele. Saia na frente, tenha 3 blogs, 2 sites e 8 comunidades elogiando as qualidades dEle (não reclame depois da fila de concorrentes...).


(A semelhança com a realidade, é mera coincidência)

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Guia de 30 passos para ser uma típica Brat virtual.

Texto de Lilene Leverdi

Acharam que eu ía falar das submissas de alma né... se fuderam! O post de hj é pra você, BRAT(sim, com caps lock...) virtual, modinha e caralho a 4.

1- “Submissa é o caralho! Eu sou BRAT, tá!”. Essa é você se apresentando ao mundo...


2- “Senhor de cu é rola! Ninguém me domina” Essa é você interagindo com qualquer Top em qualquer situação...


3- Todas as submissas são umas tolas acéfalas e, consequentemente, você irá zoar com elas. Motivo: você não tem o que fazer e ser zoeira “faz parte”.

4- Apenas tolere a existência de Doms e submissas. Afinal, tadinhos, são pessoas retrógadas e intolerantes que nunca compreenderão as incríveis BRATS.

5- Se defina em uma palavra: “Indomável!” ... sei...

6- Seja escrota. Quanto pior melhor! 

7- Se te questionarem sobre sua habitual falta de educação, responda sempre que sua "personalidade" é muito forte e você não tem papas na língua.

8- Coleira??? Quem usa isso é cachorro!

9- Se gostar de Petplay, queira sempre ser a gatinha. Gatos tem tudo a ver com BRATS. Ok, não conta isso pro gato ou ele vai partir sua cara.

10- Seja inconveniente. Pratique a arte de perturbar.

11- Se te chamarem de sub rebelde que precisa de um Dom de pulso firme: vá inbox, xingue a pessoa, denuncie o perfil dela e depois bloqueie.

12- Seja o centro das atenções nos grupinhos de BDSM da net. 

13- Mesmo sem CAPS LOCK ativada faça qualquer um reparar em você. Principalmente pelo lado ruim.

14- Faça questão de dizer que ninguém manda em você. Se convença disso tb.

15- Subs de alma = passe livre pra zoeira(e aqui estou falando sério).

16- Seu sonho é que exista um mundo paralelo onde todo mundo goste de BRATS.

17- As demais pessoas também sonham com esse mundo, querida. Principalmente se for pra te mandar pra lá só com passagem de ida. 

18- Faça marketing de si mesma! Fale o tempo todo do quanto você é foda, de personalidade, pauzuda, dona da verdade, diferentona e etc. Se acostume a ser ignorada e brade até no quinto dos infernos do quanto as pessoas são chatas e intolerantes só porque não estão nem aí pra você.

19- Seja o pau que matou a cobra.

20- Forme panelinhas e detone com as pobres subzinhas.

21- Se algum Dom te abordar inbox educadamente, apenas tente humilhá-lo o máximo que puder. Você não se importa que muitas pessoas não fazem ideia do quão fodástica você é.

22- “Eu não tenho Dono e nem preciso disso”. Ok, ninguém é obrigado a querer coleira. Mas como você é retardada, desdenhe o máximo que puder.

23- Ninguém precisa te ensinar nada. Você sabe de tudo. As pessoas é quem deveriam aprender com você.

24- “Como é ser BRAT?” Pergunta alguém. Você sempre responde mostrando a foto de uma guria tentando caber numa saia xadrez que mais parece um cinto com babados.

25- Fale mal de quem leu/assistiu 50 tons de cinza(principalmente as mulheres). Quando alguém vier perguntar sobre seus gostos, já que você é tão exclusiva, diga: São muito peculiares... Aí cite Sade e Masoch. Tão original...

26- Quando alguém questionar qualquer coisa que você posta, comece dizendo: “Foda-se...”

27- Se possível, seja Switcher! Brat Switcher é tendência e agrega valor ao currículo. É tipo Ensino Superior Incompleto: Não serve pra nada mas ta alí enchendo linguiça.

28- Sua foto de perfil? Aquela de sempre da menina meio gótica suave mordendo uma algema... Nossa, tanta rebeldia e nem consegue ser original.

29- Arranjou Dono? Putz, e Dominador? Fudeu né! Calma amiga! Faça outro perfil no facebook onde você vai parecer exatamente aquilo que você discriminava. Mude o nick, encha de fotos bregas, poesias, frases da Clarice Lispector, adorações ao seu querido Dono de Mim e torça pra ninguém te reconhecer sua ex-BRAT fuleira. 

30- O Dono não te aguentou e te deu um chute no rabo? Sem problemas. Suma com o perfil de sub brega e reative o seu antigo perfil de BRAT arruaceira. Faça um post comunicando o seu retorno triunfal e assista ele fracassar sem nenhuma curtida ou comentário pq, ninguém sentiu sua falta.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Guia de 30 passos para ser um típico Dominador Virtual.

moticon pacma
Texto de Lili Leverdi

1- Não importa o que digam, a única base é o SSC.

2- Não importa o que digam, só existe Dom e submissa.

3- Se você não é uma das únicas opções acima então você é um mero FETICHISTA ou, pior, um BAUNILHA APIMENTADO!


4- Apenas tolere a existência de Dommes e submissos. Afinal, tadinhos, são pessoas deslocadas que não entenderam direito o seu lugar no BDSM.

5- E nem venha com papinho de dizer que é Switcher porquê isso é coisa de gente indecisa que estraga o meio.

6- Seja machista.

7- Se for Dominador, sempre diga que já nasceu assim. Não, ninguém precisa saber que tudo o que você faz depende da aprovação da sua mãe ou da sua esposa... Apenas diga que dominar é algo natural para você.

8- Se for casado e sua esposa não souber que você pula a cerca na internet, convença a sua submissa de que traição é super normal no BDSM e que ela está muito bem no seu papel de amante, ops, submissa.

9- É função da sua submissa espalhar aos quatro ventos que você é o Pica dos Senhores. Mesmo que o perfil dela seja apenas um fake seu...

10- Faça questão de que todos te chamem de Senhor.

11- Se não te chamarem de Senhor: vá inbox, xingue a pessoa, denuncie o perfil dela e depois bloqueie.

12- Tente ser o centro das atenções nos grupinhos de BDSM da net.

13- CAPS LOCK ativada fará qualquer um reparar em você.

14- Faça questão de escrever textão sem noção.

15- Faça questão de querer escrever sem saber escrever.

16- Faça questão de ter apenas amigas e de querer arrebanhá-las para o seu canil.

17- Sua submissa, caso realmente possua uma, também deverá empurrar as amiguinhas dela pra cima de você.

18- Faça marketing de si mesmo! Fale o tempo todo do quanto você é sádico, carrasco, pauzudo, dominador de verdade e etc. Se possível, faça uma página no facebook em homenagem a você mesmo! Panflete por aí.

19- Fale que faz coisas que nunca fez e nem irá fazer. Se possível, ensine sobre elas.

20- Forme um grupo no Facebook, ponha todos os seus fakes na moderação e exclua todo mundo que discordar de você.

21- Se ofereça para mentoriar novatas. Principalmente as muito novinhas e gostosinhas.

22- “Eu tenho 30 anos de experiência no BDSM” essa vai ser sempre a sua frase, mesmo que nunca corresponda a sua idade.

23- Ninguém precisa te ensinar nada. Você sabe de tudo. As pessoas é quem deveriam aprender com você.

24- Não, você não vai ensinar nada a ninguém. Você não é obrigado a dividir o conhecimento que você não tem. Você só se dispõe a ensinar menininhas bonitinhas que você quer pegar.

25- Fale mal de quem leu/assistiu 50 tons de cinza. Diga que elas estragam o “nosso meio”, mesmo que elas desconsiderem as fantasias do livro/filme e estejam dispostas a aprender de verdade.

26- Quando alguém questionar qualquer coisa que você posta, comece dizendo: “Eu sou real...”. Afinal, se você não acreditar quem é que vai né?

27- Faça um grupo de estudos de BDSM onde você só posta imagens de pornografia heterossexual comum. Porque a verdadeira dominação tem que ser aprendida de “cabo a rabo”.

28- “Viadagem! Coisa de gente que deturpa o nosso meio!” Essa é sua resposta sempre que alguém mencionar que as raízes do BDSM envolvem norte-americanos gays vestindo harness de couro preto.

29- Sua foto de perfil? Um Dom de terno bonitão que em nada parece com você, subjugando uma sub gostosíssima que você jamais pegará.

30- Se tudo der errado? Comunique na sua TL que está se afastando do meio BDSM pois o mesmo anda infectado de pessoas que não tem consideração alguma pela liturgia(embora você ainda não saiba o que é liturgia). Marque o máximo de pessoas que puder, desabafe sobre como antes de você existir tudo era muito melhor, alfinete uns desafetos aqui e ali, suma por uns dias e depois retorne com outro perfil genérico crente que está abafando.

Por hoje é só. Beijos!
Emoticon kiss

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Rituais Individuais e Liturgias - 5 maneiras de como os rituais podem melhorar seu relacionamento e a dinâmica com seu parceiro.


Traduzido do site Submissive Guide
Escrito por lunaKM
Traduzido por Bia Baccellet


Ritual é uma atividade meditativa focada ou conjunto de comportamentos destinados a conectar com um sentimento específico.

Aqui estão cinco maneiras de como o uso do ritual pode aprofundar o seu sentido de submissão e a conexão que você tem com seu Dominante.

1. Aprofundar a conexão com sua submissão e/ou seu parceiro.

Uma das principais razões pelas quais o ritual é usado na dinâmica de troca de poder é aprofundar a ligação entre as pessoas envolvidas. Muitas vezes, um ritual ajuda a reafirmar os papéis que você já predefiniu, abre a mente para a mentalidade necessária para a troca de poder e fornece um significado especial entre as pessoas envolvidas. É poderoso quando feito direito. O ritual pode reconectá-lo depois de um longo dia duro no trabalho, após um erro e subsequente período de punição ou quando você simplesmente se sente fora de sintonia.

2. Despertar novos desejos para fetiches ou troca de poder.

Em alguns casos, usando um ritual para explorar coisas novas, acrescenta-se um senso de propósito e de segurança para uma atividade que você pode não estar ainda pronto para fazer sem o foco meditativo que o ritual proporciona. Por exemplo, se você estiver interessado em começar o jogo anal, você poderia começar com um ritual de limpeza ou a utilização de um butt plug com o objetivo de pensar sobre o prazer ou repetir/cantar uma frase de contexto sexual para abraçar a experiência.

Além disso, se um mantra ou meditação ajoelhado já é parte de sua submissão, você pode fazer sua mente se concentrar em coisas diferentes durante sua meditação, coisas que deseja trazer para o seu parceiro em uma data posterior, como algo que você gostaria de tentar, ou talvez adicionar à sua dinâmica. Para mim, pessoalmente, é muitas vezes o próprio ritual que me leva a querer adicionar mais protocolo ou ritual ao meu cotidiano.

3. Fornecer uma atividade de conexão quando estão separados, que afirma o seu lugar na dinâmica.

Muitos rituais costumam acontecer em relacionamentos em que as pessoas ficam um bom tempo longe, ou são de longa distância. A razão para isso é de proporcionar essa ligação um com o outro quando vocês não podem estar fisicamente juntos. 

Quando um casal está longe, mesmo que seja baunilha, você teria(através dos rituais) algo para lembrar de seu parceiro e da conexão que tem, nos momentos em que não podem estar juntos. Poderia ser algo tão simples como tocar o seu anel de casamento quando você sente saudade, ou estar ajoelhado ao pé da cama e cantando seu mantra durante 10 minutos todos os dias. Quando KnightMare e eu estamos separados, ainda tenho todas as minhas regras a seguir, e quando conversamos, a conversa também se torna um ritual, pois usamos liturgia no tratamento para afirmar que ainda somos mestre e escravo. Apesar das milhas nos separam, a nossa liturgia e os rituais nos aproximam.

4. Manter-se na mentalidade certa ou ajudar a chegar lá quando você vacila.

Muitas vezes, o ritual é utilizado para manter a dinâmica à flor da pele, de modo que você não perca essa poderosa conexão com sua submissão ao longo do dia. Uma das minhas coisas favoritas sobre os rituais que tenho é que, se eu estou me sentindo um pouco desconectada da minha submissão eu faço um ritual e me sinto rejuvenescida e reconectada a ela.

A simplicidade sobre ter um ritual que você possa fazer sem o seu parceiro, é te ajudar a entrar novamente em sintonia. E rituais não necessariamente tem que ser feitos com a outra pessoa; especialmente se você precisa de um choque de submissão e mentalidade focada. Algo que eu gosto de fazer é ler poesia submissa. Há algumas boas como: a Oração do Submisso por Screamer Girl, Cotas Submissas e O Exemplo do Escravo de Rosário.

5. Melhorar hábitos e comportamentos.

Em algumas ocasiões, você pode encontrar um ritual que pode ajudá-lo a aprender um novo comportamento ou trabalhar em um mau hábito. Quando você executa uma tarefa ou adota um comportamento simples e adiciona propósito e foco, a tarefa se torna mais importante, mais fácil de seguir e uma influência mais forte para a sua mente.

Tomemos, por exemplo, roer as unhas. Você foi encarregado de parar de roer as unhas. Agora, o ritual que você precisa ter para trabalhar com isso deve desviar você de mastigar suas unhas, então vamos dizer que você tem que se levantar imediatamente e ir ao banheiro quando você se pegar roendo. No banheiro você tem que lavar suas mãos com sabão e a cada uma de suas unhas enquanto pensa em algo como: "Meu senhor gosta de longas e bonitas unhas. Essa é minha tarefa para torná-las apresentáveis ​​para ele. Meu corpo é dele para desfrutar. Eu não vou morder as unhas." No exemplo, você está tentando quebrar o hábito e reafirmar algo de positivo sobre o porquê você não deve roer suas unhas, neste caso, que o seu corpo é dele e ele gosta de bonitas unhas. Para algumas pessoas isso pode funcionar melhor do que um sistema de punição e recompensa para modificação de comportamento.

Então, o que você faz com os rituais, seja apenas explorando tudo o que você pode fazer com eles ou aplicando a certas partes de sua vida, espero que comece a ver a grande variedade de maneiras que um ritual pode melhorar a sua dinâmica de troca de poder  sem que seja uma "Relação 24/7 séria". Rituais podem até mesmo ser feitos como uma parte de uma situação de protocolo pessoal, se você for solteiro! Passe algum tempo a explorar como os rituais podem ser adicionados à sua dinâmica ou continue pesquisando na internet ou compre um livro. Essa pode ser a peça do quebra-cabeça que você está procurando.

sábado, 26 de dezembro de 2015

BDSM - Filosofia de vida ou estilo de vida?

Texto de Don Marco Alighieri
Revisão: Lili Leverdi

"Era uma vez uma FILOSOFIA DE VIDA...
Que avistou um transeunte. Ele olhou para ela. Sorriram.

Paqueraram por um tempo.

E daí, a filosofia de vida foi ao seu rosto, atravessou sua fronte, entrou em seu cérebro - passando então a interceptar muito do que ele via, ouvia, lia e até mesmo sentia em sua vida cotidiana - emitindo então suas opiniões sobre diversas coisas ao seu redor. Dia após dia. Pelo resto de sua vida."

Parece insólito? Estranho até.

Mas é o exato modus operandi de todas as filosofias de vida. Incluindo aquelas que são dogmas religiosos ou pensamentos políticos.

- TODAS darão suas opiniões sobre diversas coisas. Lhe dirão o que é certo ou errado em vários aspectos e o modo como deve encarar as coisas.
Opinam em seu comportamento em relação ao mundo ao seu redor. (A sua vida!)

Exemplos? Vamos lá:

"Animais são nossos semelhantes e não devem ser mortos." - Budismo
"Ninguém deveria mandar em ninguém. O governo é podre." - Anarquismo
"O sistema e a monotonia devem ser combatidos." - Cultura Punk
"Nada tem grande sentido. Não espere finalidades." - Niilismo
"Importe-se acima de tudo com a função. O uso prático." - Pragmatismo
Etc.

Em resumo, 

Se altera sua visão do mundo ao seu redor como um todo, sendo aplicável em várias situações independentes entre si, trata-se de uma filosofia de vida!

Para fazer um contraste:

O futebol rende muito papo para rodas de bar sobre jogos e times. Tem até quem só pensa em futebol!
E, claro, o futebol tem suas "opiniões" também:
"Jogadores só usam os pés. O goleiro pode usar as mãos." - Futebol
Além disso? Futebol rende ótimas analogias. Citações.
"Cicrano é um craque!" "Beltrano é bola murcha!"
Só que futebol não altera em NADA sua visão da vida fora do que diz respeito à ele. Não cria qualquer tipo de dogma, código de moral ou conduta que possa ser aplicado na vida.

Mais dois exemplos de coisas que NÃO são filosofias de vida?

- BDSM e GOR.

Essas duas coisas podem ser - no máximo - ESTILOS de vida.
E isso significa apenas que "você os pratica de forma majoritária".
Ou seja, que estão presentes entre suas práticas, costumes, leituras, hábitos, etc... de várias formas. Até mesmo emprego. - Mas como o futebol (que também pode se tornar um estilo de vida), só se aplicam a si mesmos.

"Ah, mas eu sou Goreano e GOR, afirmo, é uma filosofia de vida!"
R: Joga seu PC e seu celular fora então, porque em GOR o uso de tecnologias como essas é PROIBIDO pelos Priest Kings. E não esqueça de vestir sempre roupas com as cores de sua casta. Todo dia. Sem falar na importância em se ter uma pedra do lar. Beleza?

"Ah, mas BDSM é a filosofia de vida que eu sigo 24/7."
R: Legal! Show de bola! Você costuma assinar seus documentos como "Fulano posse de Cicrano" ou "Lorde Beltrano"? Seus parentes e colegas de trabalho foram convidados para sua cerimônia de rosas? Você se considera submisso do seu patrão? Ou dono do seu secretário?

Amigos? Entendam de uma vez por todas.

BDSM e GOR tem seus costumes. Suas regras. Seus detalhes. São imersivos a beça. Inserem elementos novos na sua relação afetiva e/ou sexual. Tem subculturas extremamente ricas e diversificadas, com amplas comunidades de praticantes! E neles, muita do que é tabu na sociedade se torna a norma.

São KINKS.

Mas...

Nada do que existe neles vai interferir na sua visão do mundo de fora.
Simplesmente porque NÃO SÃO FILOSOFIAS DE VIDA!



terça-feira, 10 de novembro de 2015

Dominação Psicológica?

Texto de Don Marco Alighieri

Para mim, "Dominação Psicológica" é um termo bastante desnecessário, amplo demais para ser significativo e tão mal utilizado que erguê-lo chega até a ser um risco à reputação de quem dele se utiliza.

1 - O termo é inútil porquê NÃO EXISTE DOMINAÇÃO NÃO-PSICOLÓGICA. Já começa por aí. Toda D/S, seja de sessão ou de relação é apenas verbal. Tudo o que ocorre existe somente na mente dos participantes.

2 - Sim, é possível que alguém que seja altamente empático, dedutivo e observador ou ainda um excelente líder bastante motivador e use o termo "dominação psicológica" para descrever essa habilidade.

Mas? 

O termo técnico correto é muito melhor. Mais específico.
Cabendo até uma parcela de incrementos sobre eles que ficam bem mais interessantes do que copiar uma besteira que qualquer mané escreve na internet.

3 - Tem MUITA gente que usa esse termo aí só pra tentarem se sentir especiais.
Simplesmente porquê são totalmente ineptos, não tem uma única técnica que possam colocar como sendo especialistas e daí erguem esse termo como se fosse um "super poder jedi" só por ele ser chamativo e não significar nada em específico.

Daí, "Dominador Psicológico" quase sempre acaba se tornando sinônimo de WANNABE.

4 - Ainda tem o lado ruim da moeda, que são as pessoas que usam o termo para justificar atitudes abusivas, manipulação, chantagem emocional, exploração canalha de sentimentos do parceiro, etc.

E aqui na verdade são MAUS PRATICANTES. Gente que infringe todas as tríades, não se enquadrando em nenhuma, simplesmente porquê buscam forçar seus parceiros à consentirem sem de fato quererem algo.

- E está aqui o outro RISCO de se erguer esse termo.
  É ser confundido com um desses patifes.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

COMO SELECIONAR PARCEIROS

Por Don Marco Alighieri


Eu costumo recomendar o seguinte ao pessoal...

1 - Antes de pensar em "compatível", pensem em "não-incompatível". É mais importante evitar alguém que lhe causará problemas do que alguém que lhe atenderá no todo que você deseja.


2 - Boa índole e honra são de VITAL IMPORTÂNCIA. Uma pessoa que faz muita besteira com terceiros visivelmente por malícia e uma pessoa que engana aos outros constantemente para ganho próprio será quase sempre um péssimo parceiro.

3 - Cuidado com suas idealizações (ou idealizações importadas de contos ou ficções em geral). Estamos no mundo real, não em um conto de fadas. BDSM também não pode ser interpretado à ferro-e-fogo. Favor não viajar na maionese.

4 - Autoconhecimento. Cuidado com rótulos. Seja Cético-porém-simpático. Analise quem está contigo e à você mesmo. Entenda que as pessoas MUDAM às vezes. Mantenha as coisas à nível do prazer mútuo e NÃO refreie as buscas mútuas por desejos e fantasias que possam ter que incluir outras pessoas ou ainda técnicas que não foram estudadas. O caminho do auto-conhecimento é importante elemento do BDSM (mais importante que alguém erguer um título falsamente). E cuidado com interesseiros (incluindo aqui aqueles que são pessoas carentes, fazendo o possível para ter companhia - e nesse possível estando incluso se sujeitarem à práticas BDSM que não apreciam de verdade).


5 - Autocontrole em ti e no parceiro. De nada adianta encontrar alguém que "parece compatível" se essa pessoa tem uma mania por algo que - para ti - é um kink ou fetiche. O objetivo do BDSM NÃO é exacerbar um comportamento negativo. Quando for este o caso, é importante buscar ajuda!

Dominação e Submissão NÃO É o pareamento de um maníaco por controle ou autoritário com uma pessoa subserviente.

Sadomasoquismo NÃO É o pareamento de uma pessoa cruel com uma autodestrutiva.

CUIDADO com quem se considera BDSMer pelas razões erradas.


6 - Não crie relações, sentimentos e se comprometa com quem não conhece. O BDSM é uma prática para ser feita entre quem CONFIA um no outro.

Não se envolva em relações virtuais.
Use a internet somente para falar com as pessoas, encontre-as pessoalmente e conviva com elas um tempo ANTES de querer uma sessão.

Tenha várias sessões ANTES de criar um compromisso de qualquer tipo que seja.

E lembre-se de que haver teor romântico em relação BDSMer é OPCIONAL.
Alguns namoram podendo isso ser de forma aberta ou poliamorista, outros tem amizades coloridas, etc... Preste atenção nisso ANTES de criar profundos sentimentos por alguém que não irá corresponder.


7 - Falando em corresponder? Tenha cuidado com o modelo de relações daquele que deseja ter como parceiro.
Se a outra pessoa tem um parceiro principal de grande compromisso (cônjuge, por exemplo), é óbvio que não terá o mesmo tempo que tem para o outro disponível para você.

É necessário que suas expectativas se adequem à realidade e possibilidade do outro.

Não caia nas firulas que tem por aí descrevendo o BDSM como sempre parecendo uma relação monogâmica de altíssimo compromisso.
O realmente importante é você estar em uma situação consentida, esclarecida, honrada entre os parceiros e com expectativas realistas.

domingo, 14 de junho de 2015

SUBMISSÃO X SUBSERVIÊNCIA

Texto de Bia Baccellet


Tenho há um tempo tentado rascunhar sobre o assunto de forma mais amena ou mais delicada, mas não tenho visto saída de uma abordagem um pouco agressiva para um assunto tão controverso.

Em minhas andanças e conversas e observações pelo BDSM(real e de internet) venho observando algo muito destrutivo: A exaltação da subserviência como modelo perfeito de submissão.

Aqui não vou colocar significados de dicionários para as palavras, já que o contexto delas é bem mais amplo do que o "pai dos burros" diz.

O conceito básico de submissão no BDSM é: Alguém que entrega o poder ou controle a outro. O nível de entrega é definido de acordo com o que os parceiros combinam, podendo ser mais superficial, somente no contexto sexual(EPE) ou pode ser mais profundo, levando a um controle de aspectos externos ou fora do sexo(PPE ou TPE). Leva-se em conta que, algo só pode ser entregue a outro quando a pessoa que entrega o possui, ou seja, só posso entregar o controle a outro se eu possuir esse controle. Só entrega poder, quem tem poder.

Uma pessoa submissa, dentro do BDSM, é alguém completamente capaz de ter o controle de sua própria vida, mas escolhe fazer isso por prazer e não por necessidade.

E a subserviência?

Seria exatamente o oposto da submissão. Alguém que não possui capacidade de controlar sua própria vida e coloca nas mãos de outra pessoa esse controle, não por escolha mas por necessidade. Uma pessoa subserviente precisa que alguém esteja no controle de sua vida, pois ela não é capaz disso. Torna-se dependente do outro para todas as decisões de sua vida, não porque ela tem prazer em ser controlada, mas porque precisa ser controlada, e se não acontecer assim, ela se torna incapaz de ter vida normal e produtiva. 

Quando a submissão deixa de ser por escolha, por prazer e passa a ser uma necessidade, dependência, chegou ao nível da subserviência.

Um indivíduo submisso é completamente capaz de retomar o controle de sua vida quando a relação D/s acaba. É capaz de trabalhar, interagir e decidir tudo em sua vida sem necessitar que alguém esteja no comando. A submissão é concedida a quem ele julga capaz de lidar de forma saudável e harmoniosa com suas necessidades e desejos. Ou seja, um indivíduo submisso não pensa somente no prazer do outro, mas também no seu próprio prazer, e se esse requisito não for preenchido, o controle é retomado, ele é perfeitamente capaz de avaliar se suas necessidades estão sendo preenchidas.

Um indivíduo subserviente não é capaz de retomar o controle de sua vida quando a relação D/s acaba. Torna-se incapaz de de qualquer tarefa simples, como vestir-se, comer ou trabalhar. Torna-se dependente emocional e psicologicamente do outro, desenvolvendo uma carência afetiva exagerada, isolando-se de família e amigos. Um indivíduo subserviente pensa somente em satisfazer o prazer do outro, mesmo que isso o desagrade, como tentativa de cativar o parceiro, mostrando uma obediência cega e desmedida, sem mesmo avaliar potenciais riscos e danos à sua saúde física e mental. Mesmo quando é desagradado, o subserviente não demonstra repulsa, e não é capaz de avaliar se suas necessidades estão sendo preenchidas.

Pessoas subservientes são alvos fáceis para aproveitadores e abusadores em geral, pois elas tendem a mostrar profundo apego em muito pouco tempo, basta receber atenção. Apaixonam-se com uma velocidade muito grande, possuem muita carência afetiva, e precisam o tempo todo ser motivadas a fazer algo, basta uma "ordem". Ao mesmo tempo em que subservientes costumam "minar" muito rápido seus relacionamentos, pois são carentes compulsivos, indo do riso ao choro em pouco tempo, acusando o parceiro de não se importar devidamente com seu bem estar e não estar no controle como ela gostaria. Costumam sofrer em demasia por relacionamentos muito curtos, mas ao mesmo tempo procuram alguém que supra sua necessidade de controle.

Um amigo muito querido, Don Marco Alighieri, definiu 4 filtros para detectar um bom praticante de BDSM, e aplicou esses filtros para indivíduos subservientes. Resultado:


1 - Ter autocontrole

O subserviente não tem. O que ele faz é uma compulsão movida à carência afetiva sexual ou de atenção, paixão descontrolada sem amor próprio, problemas em gerir sua vida ou distúrbios similares.


2 - Ter zelo pelo parceiro

O subserviente tem, mas só na aparência.
Porque se analisarmos à fundo, o que ele tenta criar é uma relação de irrestrita dependência, que à longo prazo prejudica à ambos.


3 - Ter motivação coerente

O subserviente desagrada à si mesmo para tentar cativar ao parceiro. Daí não é um kink em sentido algum, é uma mania.
E sua atitude é auto-destrutiva à longo prazo.
Ele maximiza suas próprias carências ao focar tudo em uma só pessoa, enquanto que tipicamente isola-se de parentes e amigos.


4 - Ter interação fluída

A grande tendência do subserviente é ser extremamente aberto ao parceiro exceto quando aconselhado à tratar-se.
É teimoso em tudo que de fato o contraria.
E tende à fechar-se à todo e qualquer aconselhamento externo.


sexta-feira, 8 de maio de 2015

Controlar amizades do bottom submisso. Insegurança ou proteção?

Artigo de Don Marco Alighieri
Postado originalmente em uma discussão no grupo BDSM Brasil



Independente da temática e de acordos de BDSM, a mesma situação cabe em N possibilidades.

Vamos ver elas uma-a-uma:

1 - Na mais virtuosa das possibilidades? Temos um Top que age como líder, tem muito bom senso, confiabilidade e/ou sólida base de conhecimento sobre o meio e daí o Bottom o tem como referência.
E nisso o Bottom vai querer sua opinião sobre quem deve ou não adicionar, simplesmente porque seu Top é o melhor conselheiro que poderia ter nisso.
E isso aqui é cabível não só em uma relação entre parceiros de práticas BDSM (entre "pessoas que fazem sessão entre si", seja de que tipo for), mas também em uma relação BDSM de proteção ou mentoria - aonde o objetivo é auxiliar o progresso do outro praticante. Em qualquer um dos casos, trata-se de uma situação bastante profunda e de uma legítima simbiose. Ultrapassando inclusive a questão de ser um fetiche, e passando ser algo de fato construtivo e proveitoso - recheado de fundamentos sólidos. 
(Infelizmente uma coisa RARA de se ver. Mas definitivamente bela.)

2 - Temos também outra possibilidade virtuosa, que é quando há um forte fetiche (KINK) entre os envolvidos em sentirem-se atrelados um ao outro como "quem manda e quem obedece" E em demonstrarem isso ao coletivo. Daí o que existe é um procedimento padrão, que não deixa de ser também uma forma de demarcar território, além de ser oportunidade para exibirem suas características em público. É parte opcional da prática do BDSM haver uma hierarquia.
Estas duas pessoas apreciam isto e optam pela expansão desta para uma área aonde sentem prazer também em seu exibicionismo.

Geralmente? 
Este tipo de praticante demonstraria isso orgulhosamente e acintosamente em playparties. Mas no caso usam a internet como se fosse um "meio BDSM". São "duas pessoas se divertindo do jeito delas" no final das contas. 
Por vezes, a coisa é superficial. Mas visivelmente é apreciada por ambos. - E daí nada há de errado nisso. 

3 - Temos também Bottoms que usam isso como uma inteligível desculpa para se livrarem de chatos. Nesse caso aqui é um recurso válido também. "Tenho que falar com meu dono." -> E a pessoa nunca mais te responde, deste modo tendo se livrado de ti.
Por vezes nem falam com o Dono. Ou ainda nem tem dono. Mas neste momento estão pesquisando sobre quem os tentou adicionar, ou ainda os ignorando completamente.

(E sim, tem também a "versão cafajeste" da coisa, que é quando um bottom solteiro faz isso para "engavetar" tops que não o interessaram de primeira, e só volta a ter contato quando cansa-se de um alvo mais prioritário.)
Em qualquer caso? Falamos aqui de uma gambiarra...

4 - E temos sim, claro, também Tops inseguros, possessivos e/ou ciumentos que simplesmente tem receio de perderem seus bottoms para outras pessoas. Nestes casos, é flagrante a forma "seletiva" como agem, pela qual removem qualquer um que possa ser um candidato melhor que eles ou ainda alguém que os ponha em condição de inferioridade se comparados com eles. Geralmente se olhado mais de perto percebe-se que este "relacionamento D/S" é totalmente baseado em sentimentos baunilha na prática... 
O grande pilar que sustenta a coisa é a paixão, Top e Bottom são totalmente dirigidos por seus sentimentos, etc...
A coisa aqui é muito longe do ideal, eu diria, pois apenas usa-se o BDSM como pretexto para se dar asas à ao que de fato é uma fraqueza de personalidade. 
Essencialmente falta de autoconhecimento e autocontrole lado a lado com a carência do entendimento de que uma relação D/S precisa ou de uma base sólida e construtiva, ou de um gostoso kink para funcionar direito no longo prazo.
- E estariam melhor buscando melhorar isso no lugar de piorar...

Grande fato sobre a paixão? 
Além de turvar a mente se for maximizada, fenece com o tempo...
Engrandece ciúmes, e por vezes nos faz aceitar coisas contra nossa real vontade só para agradar a outrem.
"Péssimo pilar para uma prática que requer absoluta sobriedade", como diria meu mentor nas palavras dele...

5 - Outro caso bem mais complicado, é quando temos um Top "maníaco-controlador-paranóico" e que tem uma forma de agir autoritária, coercitiva e/ou manipulativa. Aqui o que existe é uma mania, não um KINK ou qualquer coisa que tenha alguma virtude (e nem mesmo sentimentos baunilha), aonde o Top simplesmente apresenta um comportamento paranóico e utiliza o BDSM como estratégia e para submeter o Bottom a que é na realidade um desequilíbrio psíquico seu. Trata-se de uma pessoa com ciúmes e possessividade doentia.
E estes tendem a isolar muito ou ainda completamente seus Bottoms... Quase sempre tomam-lhes suas senhas e negam boa parte dos contatos. Interceptam comunicações. Etc. Usam toda sorte de táticas sujas para conseguirem este nível de controle, geralmente chantagem emocional (o clássico "se não fizer o que mando eu te largo", sem qualquer respeito por limites do Bottom), ameaça de represálias e punições (com a desculpa de serem "prática BDSM", novamente sem respeitarem o direito à limites e a necessidade de TUDO ser livremente consentido), etc.

Em resumo?
Estes "Tops" na verdade são pessoas que deveriam estar bem longe daqui, e sendo tratados em uma terapia...
Bottoms nunca passam por eles sem quebrarem em algum momento e quase sempre saem traumatizados da situação.

6 - E aqui temos a variante maliciosa...
Temos um Top que é:
> Charlatão se passando por "praticante experiente" e tentando esconder que não entende patavinas de BDSM.
> Cafajeste buscando amante cativo para sexo fácil ou alguma coisa parecida, e usando o BDSM como desculpa.
> Mal caráter querendo explorar ou aplicar golpes financeiros no Bottom e tentando evitar que este o perceba como tal.
...E daí tal Top faz o possível para isolar o Bottom de todo o resto da comunidade de BDSMers. Não por ciúmes descontrolados, nem por uma paranóia doentia, mas sim porque ele sabe muito bem que se tal Bottom adquirir conhecimentos profundos sobre a prática, ou ainda buscar a opinião de pessoas mais experientes, este o irá desmascarar. E daí também fazem uso de táticas sujas como chantagem emocional, ameaças de represálias e punições, etc... sem qualquer apreço pelas boas práticas do BDSM.
São pessoas que também não deveriam estar na comunidade de BDSM... 
Sujam nosso meio com os estragos que causam em seus Bottoms, e os traumatizam de diversas formas.

7 - N.D.A. ...
Aquelas situações que não caem em nada do que descrevi, mas que geralmente passam longe de serem virtuosas.
Temos gente que lê besteiras na internet e/ou livros de ficção e tenta fazer igual sem ter uma boa noção das coisas.
Temos gente que se afunda em "BDSM Virtual", anseia por interação que jamais teriam na vida real e daí força a barra em práticas controladoras na internet para compensar.
Temos trolls que se passam por praticantes, ficam pendurados na internet obrigando-os à se comportarem de forma ridícula e acham graça nos estragos que causam no meio.
Etc... Etc... Etc... 
(Ponha aí uns 1000 Etcéteras, dada a imensa criatividade do ser humano em fazer besteira.)

Bom, creio que escrevi um mini-artigo por aqui...
Mas, é isso o que vejo.
Se escrevesse menos, seria incompleto.


quinta-feira, 23 de abril de 2015

AS MAIORES BESTEIRAS DITAS EM TERMOS DE BDSM - E como as coisas realmente funcionam.

Texto de Don Marco Alighieri


"DON MARCO ALIGHIERI, SEUS TEXTOS SÃO CONTRA O QUE CONHEÇO COMO FUNDAMENTOS DO BDSM"

- Pois é... 
Porque você está considerando como "fundamentos do BDSM" coisas tiradas ou de blogs, posts e publicações de "entendidos" que tem por aí, de contos que circulam pela internet ou ainda de LITERATURA DE FICÇÃO como "A História de O", "A História de I", "Justine", "120 dias de sodoma", "Crônicas de GOR", "Vênus de Peles", "Trilogia 50 Tons", Etc.

Dica minha? BUSQUE FONTES MELHORES!
Você precisa ler MATERIAL TÉCNICO que é voltado de fato à prática real!
(E parar de dar atenção à coisas que não tem esse fundamento e que em vários casos contradizem o BOM SENSO.)
Vá ler "SM 101 A Realistic introdution" do Jay Wiseman.
Leia "Screw the roses, send me the thorns". Leia "Imaginative Sex" se gosta mesmo do John Norman. Leia "The Leatherman's Handbook" se quiser entender a história do BDSM.

Entre nesse site aqui: 
Entre nesse outro: 
Aproveite para ler isso também se quer ter um clã com dungeon:
Leia isso:
Veja esse outro também:
Cheque este material editado pela NLA sobre ABUSO, que é uma associação séria de praticantes:

DEPOIS de se informar melhor, venha aqui comentar algo.


"A RELAÇÃO É CONSENSUAL PORQUE O BOTTOM PODE SAIR A HORA QUE QUISER."

- Legal isso... Basicamente o Bottom fica preso entre "aturar" e "sair".
Vocês tem noção de que isso é a mesma coisa que uma chantagem emocional se esse bottom tiver um envolvimento afetivo? 
Pois é. Entendam o seguinte de uma vez por todas:
Consentimento no BDSM não é só aquele dado no começo, mas também precisa ser mantido.
TUDO é aberto a questionamentos e conversas adultas.
Isso aqui vale até para uma relação de escravidão TPE.
Tem algo errado? Peça licença e converse com o Top, inclusive porque ele não é infalível. Ele pode cometer uma gafe. E isso é normal.
Tem um Top que não quer conversar, e quer impor tudo? 
Pois é... RED FLAG! Esse Top no caso é apenas uma pessoa com um problema, sendo então um autoritário se julgando dominador.

Dica minha? DISPENSE-O e busque alguém com a mente em ordem para estar contigo! (Gente assim só te dará prejuízos.)


"EU FAÇO A COISA REAL E 'HARDCORE', DAÍ NÃO USO PALAVRA/GESTO DE SEGURANÇA"

- 1000 vezes não... Justamente porque quando a coisa é de fato hardcore é que esses recursos são combinados e usados!
Aqui falamos em cenas aonde o bottom à todo momento grita "pelo amor de deus não faça isso" (parte de um roleplay psicologicamente denso e pesado), e aí quando ele gritar "VERMELHO" o Top sabe que não é roleplay e ele precisa mesmo parar a coisa.
Ou de cenas aonde o Bottom está amordaçado, geralmente gritando e se sacudindo, mas quando ele levanta as duas mãos o Top sabe que é para realmente parar a coisa.


"PASSE-ME SUAS SENHAS DE EMAIL/PERFIL/ETC PARA ME MOSTRAR QUE CONFIA EM MIM"

- Isso aqui é tática de uma pessoa que não confia na outra e está querendo jogar para esta a culpa na coisa.
Quem não confia aqui é justamente quem pede senhas!
Dica minha? CORTEM AS ASAS desse tipo de gente.
Tipicamente pessoas com essa características são ou descontroladamente inseguras, ciumentas e possessivas, ou maníacas por controle (tratando-se então de MANIA, não de um KINK), ou ainda estão querendo aprontar alguma e daí desejam isolar o bottom.
Essa é inclusive uma RED FLAG das mais antigas. (Sinal vermelho, de problemas ou perigo da parte do candidato à parceiro.)


"A VERDADEIRA SUBMISSÃO É UMA ENTREGA DE CORPO E ALMA AONDE BOTTOM FAZ ABSOLUTAMENTE TUDO PARA AGRADAR O SEU TOP"

- Na verdade mesmo? Essa é a FALSA submissão!
A verdadeira é um KINK da parte do Bottom! Uma coisa que o agrada/excita e é feita dentro de seus limites e preferências.
(E daí não é jamais absolutamente ilimitada ou tão extrema ao ponto de se tornar algo tão perto do doentio.)
A falsa é quando isso é feito com segundas intenções, incluindo aqui bajular o Top para ter sua atenção afetiva ou sexual, aturar o BDSM por desespero para manter o parceiro, ser subserviente esquecendo-se de si mesmo, entrar em dependência emocional ou apaixonar-se demasiadamente e confundir isso com submissão, etc... etc... etc...
Esse tipo de bobagem vem de material literário, da cabeça de quem viaja na maionese (tendo visão 'conto de fadas' ou 'ferro e fogo' do BDSM) ou ainda de quem não quer se conscientizar do fato de que seu parceiro é um ser humano e daí tem necessidades, vontades e também limites (mesmo isso não sendo explícito).


"VOCÊ TEM QUE FAZER SEXO SEM PRESERVATIVO COMIGO PORQUE EU DOMINO, ENTÃO EU MANDO E VOCÊ OBEDECE"

- É... Aqui temos ou um IRRESPONSÁVEL querendo se impor usando o BDSM como desculpa ou ainda alguém MAL INTENCIONADO querendo passar uma DST de propósito.
No BDSM, as pessoas tem direito a terem limites. 
"Só fazer sexo com preservativo" qualifica como limite!
Dica minha? Peguem suas coisas, saiam fora e larguem tal pessoa na mão! (E se tal pessoa tentar impedi-los, dêem umas cabeçadas e cotuveladas no meio da cara dela.)


"EU NÃO COMBINO CENAS. NEM VOU PERGUNTAR SEUS LIMITES, CURIOSIDADES E PREFERÊNCIAS. DEIXA QUE VEREMOS O QUE FAREMOS NA HORA."

- Sério mesmo que essa pessoa vai levar tudo que é brinquedo dela, e na hora vão ficar escolhendo o que pode ou não ser usado?
E que ela vai correr o risco de marcar sessão com alguém totalmente incompatível e perder a viagem?
Tem algo errado nisso...
No mínimo essa pessoa é um BDSMer que não está nem aí para seu parceiro em sentido algum.
No máximo é alguém querendo simplesmente sexo fácil e usando BDSM como desculpa ou algo muito pior que isso (um pirado ou sem noção que vai aprontar alguma contigo na sessão).
E nenhuma dessas coisas é boa!


"IREI ACEITAR VOCÊ COMO BOTTOM E FAREMOS SESSÃO. ASSINE UM CONTRATO / ACEITE MINHA COLEIRA / COMPROMETA-SE COMIGO / COMECE UMA RELAÇÃO D/S DE ALGUM TIPO COMIGO."

- Tá tudo errado... Isso aqui é o equivalente à um baunilha pedir uma pessoa aleatória em namoro para poder ficar ou transar com ela.
No BDSM primeiro conhecemos a pessoa...
...Então fazemos sessões por um tempo...
...E aí, SE for o caso, cria-se um compromisso de algum tipo.
E isso é um processo LONGO. Tipicamente demora MESES!
Quem coloca o carro na frente dos bois quase sempre é alguém carente, desesperado para se mostrar ou coisa parecida.
Abram os olhos!


"PROVE-ME SUA CONFIANÇA ANTES DE MAIS NADA. ENVIE-ME UMA FOTO OU VÍDEO SEU, AONDE APARECE SEU ROSTO E VOCÊ ESTÁ NÚ E/OU PRATICANDO UM ATO DE SEXO EXPLÍCITO E/OU EXIBINDO UMA PRÁTICA"

- Sério mesmo?
Isso aqui se parece mais com alguém querendo colher material comprometedor de outra pessoa, o qual irá usar para aplicar golpes aonde chantageia-se a pessoa pedindo dinheiro para não divulgar ou até mesmo usa-se isso para obrigá-la a continuar mantendo contato e aceitando ordens.
Dica minha? NÃO registrem suas práticas e mandem para desconhecidos.
Quando muito? Mande apenas para aquele parceiro de vocês com o qual CONVIVEM à ANOS e conhecem até o número de fio de cabelo deles.
(E ainda assim tenham consciência do risco de essas coisas vazarem. Recomendo até que o rosto e detalhes que possam idenfiticá-los não apareçam nesse tipo de foto. A 'Gimp Mask' é ótima para isso.)


"O BDSM VIRTUAL É UM CAMINHO PARA O BDSM REAL. SUBMETA-SE A MIM PELA INTERNET ANTES DE MAIS NADA"

- Vamos lá... No BDSM real, buscamos conhecer bem a pessoa antes de mais nada. Chegamos a conviver um tempo com ela como amigos para isso. Fazemos questão de compreender como ela é antes de qualquer sessão.
No virtual essa etapa é queimada, e cria-se prematuramente uma relação com uma pessoa da qual pouco sabemos. E ainda praticam-se coisas como exibicionismo na webcam, D/S via chat, etc...
Eu diria que o virtual é um DESCAMINHO para o real na grande maioria dos casos. Evitem-o!


"NÃO TEM PROBLEMA ALGUM EU SER CASADO COM BAUNILHA PORQUE VIVO O BDSM COMO ESTILO DE VIDA. ENTREGUE-SE COMPLETAMENTE À MIM, DEDIQUE-ME SUA VIDA E PERTENÇA-ME POR COMPLETO"

- Hein??????? Eu ouvi isso direito???????
No BDSM quando falamos em troca de poder, aonde poder é trocado por responsabilidade.
E em responsabilidade há também a questão de não oferecermos atenção que não poderemos dar! Não criarmos falsas expectativas!
Não faz sentido uma pessoa pedir total e completa atenção da outra, quando não pode retribuir isso.
Um bottom em tal situação facilmente cai em problemas afetivos inclusive.
Vai se sentir frustrado ao longo do tempo.
Vai perceber que está se dedicando à uma pessoa que tem ele como passatempo para horas vagas.
Dica minha? OU ponham essa pessoa também como passatempo para horas vagas OU dispensem. Mas JAMAIS deixem-se envolver demais.
(E cuidado com parceiros que são casados com gente que não sabe de suas práticas BDSM. Pra piorar tem a possibilidade de isso gerar sérios problemas depois.)
Acho até que "casados deveriam buscar outros casados", pois tendem dar mais certo juntos rolando inclusive uma empatia poderosa por estarem na mesma situação.
Obs.: E eu honestamente não entendo uma pessoa considerar que vive o BDSM como "estilo de vida" quando ela dedica a mais importante de suas relações à práticas puramente baunilhas. Isso aqui é uma ilusão.


"EU PRATICO DOMINACÃO PSICOLÓGICA. É POR ISSO QUE CHANTAGEIO EMOCIONALMENTE / AMEAÇO COM PUNIÇÕES O LIVRE ARBÍTRIO / CRIO E EXPLORO SENTIMENTOS / CONTROLO TODA A COMUNICAÇÃO / ETC... DE MEUS BOTTOMS"

- Não... O que esse cara faz não é "dominação psicológica".
O que ele faz é usar uma palavra rebuscada como justificativa para esconder que é um canalha no meio!
À partir do ponto em que o bottom está sendo coagido à algo, ele não está dando livre consentimento em mais nada.
E daí não se está mais praticando BDSM em acordo com tríade nenhuma.
Em TODAS o consentimento é LIVRE!
Isso aqui é situação de ABUSO e só isso.
E daí ou tal pessoa é sem noção, viajou na maionese ou é mal intencionada.
Dica minha? Saiam fora!!!!!!


"VIVO O BDSM COMO ESTILO DE VIDA / FILOSOFIA DE VIDA / RELIGIÃO / ETC... DAÍ AQUI EU MANDO, MEUS ESCRAVOS OBEDECEM E QUEM NÃO OBEDECE APANHA. ESTOU DISCIPLINANDO-OS."

- E assim tal pessoa passa por completo sobre a coisa mais importante do BDSM que é o consentimento dos envolvidos?
Entendam o seguinte.
Existe sim a questão do fetiche (Kink) da disciplina.
E aqui entra um bottom que GOSTA de ser punido por alguma coisa, na sessão.
Normalmente é mesmo um KINK em aprontar algo em ser punido.
Ou ainda um KINK em sentir-se disciplinado duramente.
Por vezes isso toma forma até de um "coaching hardcore" quando se estende para fora, aonde o Bottom QUER o Top lhe dê umas chicotadas toda vez que dormir tarde, perder tempo demais jogando, falhar em concurso público, etc... (Tem gosto para tudo e este é um deles.)
Mas? JAMAIS é aceita a situação aonde o Top usa alguma punição para de fato inibir o livre arbítrio do Bottom.
Lembrando aqui que sim - no BDSM qualquer um TEM O DIREITO de interromper práticas e conversar à respeito! 
(Independente de quais sejam.)
Saiu disso? Deixou de ser BDSM, pois não é mais consensual.


"MEU BDSM NÃO É CONSENSUAL, PORQUE EU PRATICO NA TRÍADE X / FILOSOFIA Y / ESTILO Z, E DAÍ EU POSSO OBRIGAR DE FATO MEUS BOTTOMS A FAZEREM COISAS."

- Seguinte...
TODA tríade do BDSM inclui a questão de ser CONSENSUAL.
E quando é consensual, NADA é forçado de fato.
Até mesmo em fetiches aonde temos algo sendo "forçado", isso é puramente parte de um roleplay. Uma interpretação de papéis!
Sissificação Forçada? Inversão forçada? Humilhação forçada? Etc...?
Qualquer um desses cai nessa categoria!
E em qualquer um deles, o bottom PODE PEDIR PARA A COISA PARAR OU ABRANDAR se for o caso!
O "forçado" aí é apenas o estilo que é usado na cena, aonde o Bottom QUER SE SENTIR "OBRIGADO" a fazer certas coisas.
(E isso inclusive é uma forma de ele se sentir menos culpado para conseguir derrubar um tabú, com a ajuda do Top.)
Capiche?