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domingo, 28 de setembro de 2014

"NA BERLINDA BDSM" - DÉBORA GOYA

A entrevista do dia 05/09/14 foi com a Domme Débora Goya, que aconteceu em nosso grupo do facebook.

Abaixo a transcrição da entrevista na íntegra.


Bia Baccellet: Iniciamos agora a entrevista com a Domme Débora Goya. Após a apresentação da entrevistada as perguntas estarão liberadas. Boa noite!!! Apresente-se!!!!

Débora Goya: Boa noite! Sou Débora Goya, 38 anos e sou Domme iniciante, atuando há 1 ano e meio no BDSM. Um prazer estar aqui e grata à Bia Baccellet pela oportunidade!

Bia Baccellet: Como conheceu o BDSM?

Débora Goya: Boa noite, Bia! Bom, o primeiro contato se deu mais ou menos em 99 qdo fui a uma festa totalmente alternativa e chegando lá tinha um cara de quatro no chão, coleira e guia, passeando pelo lugar. Ele parou na minha frente e pediu pra que batesse várias vezes na cara dele. Nem sabia da existência do BDSM propriamente dito, mas gostei da experiência e aí que me falaram do que se tratava e fui pesquisar mais a respeito.

Fernando Resende: Sente-se à vontade quando um sub demonstra o desejo de ser estrangulado (se é que já interagiu, é claro, com algum que tivesse esse fetiche)? É que noto que é uma prática bastante popular entre subs, mas não muito simpática à maioria das dommes, que preferem não praticar...

Débora Goya: Boa noite, Fernando! Sinceramente, eu curto bastante! Mesmo nos meus tempos de bau, eu praticava - de leve rs - isso com um parceiro outro que me permitiam. Ou seja, me sinto sim à vontade quanto a realização desta prática. Mas por saber da minha condição de iniciante, mesmo já experimentado antes, sou cautelosa, às vezes até demais. rs Mas faço numa boa, tenho bastante prazer nisso

Bia Baccellet: Como descobriu sua posição(dominadora)? Nunca teve interesse pelo outro lado do chicote?

Débora Goya: Bia, nas minhas relações baunilhas, eu senti gostei de comandar, tive muitos problemas por conta disso, por ser mandona, autoritária, querer as coisas do meu jeito. rs E conversando uma vez com a Karla sobre isso, foi quando me dei conta desse meu lado Domme de ser. rs Fora estes aspectos, tenho alguns outros q acho q são bem característicos de dominadora, que é ser ciumenta e possessiva. E qto ao outro lado, tem algumas coisas que eu acho legais e até pratico com um sub com quem saio eventualmente, onde domino a maior parte do tempo, mas que me sinto extremamente confortável em permitir que ele faça algumas coisinhas comigo, mas nada demais, nada que chegue ao ponto de me classificar como SW. rs Um puxão de cabelo, uma pegada mais forte, coisas do tipo. E um pouquinho de dor, eu assumo q gosto de sentir, mas só.

Helena Pimenta: Boa noite, Débora Goya, disse acima que seu primeiro contato foi em 99, mas que é Domme iniciante, há 1 ano e meio no BDSM. Por que essa lacuna no tempo? O que a trouxe definitivamente ao BDSM?

Débora Goya: Boa noite, Helena! Bom, essa lacuna se deu justamente por não ter por perto pessoas conhecidas que frequentassem o meio. Nesta festa q fui, fui com um amigo q tb não sabia do que se tratava. Mas sempre li a respeito, tinha o site de Sistinas, onde lia muito sobre o tema, mas nunca me aprofundei, embora gostasse muito. Até que no ano passado, conversando com uma amiga, ela me revelou seu lado sub. E q era casada com seu dono. Aí, ferrou de vez! Passei a pesquisar arduamente sobre o tema, conversava horas com ela pelo skype debatendo sobre o assunto, me interando cada vez mais sobre e até que me mudei de mala, cuia e alguns floggers de que ganhei de presente para o "submundo". rs

Gabriel SrRasputin Souza: Uma de praxe... Quais suas práticas preferidas e qual prática ainda não realizou mas morre de vontade?

Débora Goya: Boa noite, Gabriel! Minhas práticas favoritas são podolatria, spanking e inversão. E uma prática que nunca fiz e tenho muita vontade é mumificação.

Gabriel SrRasputin Souza: O fato de ser iniciante foi citado. Sentiu alguma forma de preconceito por isso?

Débora Goya: Sobre a sua outra pergunta, Gabriel, em relação ao preconceito... Eu nunca senti. Eu não escondo de ninguém que sou iniciante. Se houve preconceito, foi velado. E muito bem, pq nunca senti mesmo. Mas acho que devo ter sofrido sim.

Simone Ana: boa noite Débora Goya, o que acha de slave moneys?

Débora Goya: Boa noite, Simone! Eu nunca tive uma experiência com money slave, ou slave money, como vc colocou. Mas na minha ideia, eu acho que deve ser interessante, mas acho q isso deve ser utilizado apenas no q concerne à sessão ou caso a pessoa seja meu acompanhante numa festa. Não acho legal usufruir disto para assuntos pessoais, como pagar minhas contas e etc. Acho válido para aquisição de acessórios, brinquedos, presentes e mimos pra mim. Além disso, não acho legal, pra mim soa como oportunismo. Mas claro q isso é minha visão. Cada qual com sua negociação.

Cammy Veras: Boa noite! Já passou alguma situação de perigo em uma sessão? Se sim, poderia nos contar como foi?

Débora Goya: Boa noite, Cammy! Nunca passei perigo em nenhuma sessão. Até mesmo pq eu levei um certo tempo até fazer uma sessão mesmo pq eu queria me sentir segura pra realizá-la sob o prisma do SSC, preferi estudar bastante (e continuo estudando) a teoria e por conta disso, não tive muitas sessões. As que tive, sempre foram tranquilas. Sem contratempos ou perigos.

Karla Romero Castellini Dourado: Débora... gostaria de saber sua opinião pessoal sobre o sadismo... Quais fatores dão mais prazer, como acha mais legal desenvolver e conduzir uma cena desta forma...

Débora Goya: Boa noite, Karla! O sadismo pra mim, é divertido. Quando comecei, não sabia desse meu lado sádico. Por mais que lá em 99 eu tenha curtido bater na cara do rapaz na festa. rs Mas quando percebi este aspecto em mim, eu quis mais. E percebi q me é muito mais prazeroso tacar o terror psicológico na criatura do que a dor física, embora eu também goste de machucar. rs E a melhor forma de se desenvolver e conduzir este aspecto, sem dúvida alguma é buscando conhecer bem a pessoa com quem vou dar vazão a este meu lado. Seja numa sessão avulsa ou numa D/s. O conhecimento do outro e de si mesmo, acho q é a base para uma boa e segura conduta do sadismo.

Morenah Kesabel: Boa noite à todos! O que considera imprescindível para um sub seu? E porque?

Débora Goya: Boa noite, Morenah! Bom, num primeiro instante, que ele seja solteiro. rs Ou que pelo menos possa ficar marcado. Mas à medida que vamos conversando, acho imprescindível a pessoa estar realmente disposta a servir. Não me refiro, nesse momento, a me entregar seu poder de cara, isso é algo que conquista à medida que a relação cresce. E claro, dependo muito também da forma como conduzo essa relação. O sub tb deve atender ao menos às minhas práticas preferidas, ser educado, saber conversar sobre diversos assuntos e que seja sincero no que realmente busca e quer. E sem enrolações.

Karla Romero Castellini Dourado: Débora, é comum ouvir Dommes que separam o sexo do BDSM, ou até mesmo julgam que determinados atos sexuais não cabem em sexo com submissos.... o que acha a respeito?

Débora Goya: Oi Karla! rs Bom, eu acho que isso é uma opinião pessoal que varia de Domme pra Domme e no meu caso, eu não tenho problemas quanto à isso. Mas, nas sessões que já realizei, sexo com penetração, eu só fiz com um sub apenas. Eu gosto muito de sexo, não acho errado uma Domme permitir a penetração do sub, acho q isso em nada influencia na perda de poder da mesma (eu não me sinto assim), porém, tem muitos subs que não possuem essa visão e confundem as coisas, assumindo algumas vezes posturas indevidas em relação à Domme, desrespeitando-a. Aí cabe à ela conversar e ver qual a melhor forma de resolver essa questão.

Gabriel SrRasputin Souza: Vi que vc é wicca (ou pratica algumas coisas ligadas à esta religião). Existe algum ponto de encontro entre os 2 meios? De que maneira se antagonizam e/ou se completam?

Débora Goya: Gabriel, eu não misturo uma coisa com a outra, acho que não tem sentido mesclar o q pra mim se trata de desenvolvimento espiritual com BDSM. Mas acho que um ponto onde ambos possam se encontrar, talvez seja na liberdade ou no incentivo de simplesmente ser quem você é, assumindo as responsabilidades pelos seus atos.

Helena Pimenta: Débora Goya, a Senhora menciona que gosta de "tocar o terror psicológico na criatura". Daí deduzo que uma das suas práticas é a Dominação Psicológica. Quais os cuidados que a Senhora sente que são necessários para praticar sem causar danos na peça? Quais os cuidados posteriores à sessão e também a relação se for uma D/s finalizada (onde há a transferência de Poder) para trazer de volta ao bottom o seu próprio poder?

Débora Goya: Bom, como disse anteriormente, Helena , a base de tudo é uma conversa franca, uma negociação honesta e clara sobre o q se gosta e limites. Explico muito bem e de forma extremamente sincera como sou e do que gosto e a partir daí, de posse deste conhecimento sobre o outro, conduzo conforme o q me ocorre na hora, sou muito espontânea, mas sempre respeitando limite alheio e observando muito bem a reação do outro, pra evitar danos. Embora má, sou muito carinhosa. rs E muito cinestésica tb, então, se eu percebo q mesmo sem a peça pedir safe, ela ficou um pouco mexida após a sessão, trago sim para o meu colo se achar necessário, dou carinho, afago e converso, pergunto como a pessoa está se sentindo, como foi a sessão, pontos altos e baixos e com base no que ela me responde, vou tentando trazer a pessoa aos poucos de volta. Não tenho como falar mais detalhadamente sobre, pq nunca aconteceu comigo algo que tenha abalado profundamente a peça. Mas, admito, q talvez pela minha pouca experiência, por mais q eu goste de tocar o terror, vou na manha, justamente por temer dar algo errado e eu não saber como conduzir a situação

Simone Ana: curte dar tarefas aos subs? quais costuma aplicar (se for o caso)

Débora Goya: Simone, nunca dei tarefas ao sub, sendo bem sincera. Mas acho a ideia legal, pois é uma demonstração clara de domínio também. Sinto não poder discorrer muito sobre, por não ter tido a experiência ainda.

Edu Castellini Dourado: Débora Goya Boa noite amiga querida...!!! Quais as praticas que considera imprescindíveis em uma boa sessão de FEMDOM que conduza...?

Débora Goya: Boa noite, Edu! Bom, embora eu tenha as minhas preferências, nem sempre todas acabam rolando na sessão. Mas NUNCA dispenso a podolatria. rs Eu já gosto de começar com o sub aos meus pés. Adoooro demais essa prática e o resto, vai rolando de acordo com o desenrolar da sessão. Mas sempre tem humilhação, tapas na cara, na bunda, adoro OTK!

Marco Bauhaus Mishima: Como lida com a distância que existe entre o BDSM real - aquele que praticamos de fato - e o BDSM idealizado - aquele que muitos que leram livros, contos, etc... esperam encontrar - Débora?

Débora Goya: Boa noite, Marco! Bom, eu procuro "sentir" bastante o sub que vem conversar comigo pra saber qual é a visão dele sobre o BDSM e se percebo q ele tem essa idealização toda sobre o tema, passo pra ele a minha visão, que naturalmente foge de muito que é apresentado na literatura. Como muitos são iniciantes tb e até mesmo amigos baus q tem curiosidade sobre o tema, explico que por mais q seja diversão, é algo a ser levado muito a sério e com responsabilidade. E sempre recomendo buscar o máximo de informação a respeito, discutir com outras pessoas sobre, até conseguir se desvincular desta visão romantizada em livros sobre o BDSM. Não sei se consegui responder totalmente sua pergunta, mas é a forma como busco lidar com o q vc me questionou

Bia Baccellet: Sente alguma dificuldade em encontrar subs? Quais são os maiores empecilhos para encontrar um sub?

Débora Goya: Ótima pergunta, Bia! Sim, sinto MUITA dificuldade em encontrar subs. E os maiores empecilhos creio que sejam a minha inexperiência, ainda tenho muito que aprender sobre, o q me deixa às vezes um pco perdida, eu confesso. Tem tb o fato de ser aquele tipo de Domme educada, simpática, atenciosa e alguns vêem isso como razão para não respeitarem a hierarquia. E sem contar que me deparo com muitos "pseudo subs" - rs - que na verdade usam a submissão para chegarem a mim, mas que na verdade só querem praticar a inversão. rs Nada contra, cada um dá o q quiser dar, mas não é só isso q eu procuro, portanto, tb acrescento à esta lista, a falta de sinceridade de alguns, pq muitos falam q querem servir, mas na verdade isso é desculpa pra darem a bunda.

Bia Baccellet: Qual sua opinião sobre cinquenta tons de cinza? Veio pra trazer gente nova ou só atrapalhou a coisa de vez?

Débora Goya: Bom, Bia, eu não li nenhum dos livros da trilogia 50 tons, mas pelo q ouvi e li falar a respeito, acho q foi certamente um pontapé pra muitos q tinham interesse no tema de forma velada, buscarem mais informações sobre, já que virou moda, naquele lance de "todo mundo tá indo, então eu tb vou." Mas infelizmente, uma pequena proporção q tomou conhecimento do BDSM por estes livros, q realmente buscam saber de fato o q é BDSM, enquanto a massa, pensa que é mais porta para putaria, pro sexo fácil. Realmente lamentável.

Bia Baccellet: Domina somente subs homens? Já dominou uma mulher? Se não, dominaria uma mulher?

Débora Goya: Bia, domino apenas homens, embora práticas, tenha realizado algumas com mulheres. Não me vejo dominando mulher, até pq a vejo como igual, mesmo sendo ela submissa.

Bia Baccellet: Entrevista encerrada!!! Muito obrigada a Débora Goya pela entrevista, foi ótimo!!! A todos os membros do grupo boa noite e até a próxima!!!

Débora Goya: Eu quero agradecer à todos q participaram com sua perguntas, espero ter sido clara e coesa nas respostas, peço desculpas pela demora em responder algumas e por não saber detalhar alguns assuntos devido ao fato de ser iniciante, mas fiquei feliz por essa oportunidade de falar o que penso sobre BDSM. Um boa noite à todos e até a próxima! Sejamos felizes!

As entrevistas acontecem semanalmente no grupo do facebook Iniciação ao BDSM.

https://www.facebook.com/groups/233584086812714/permalink/324120461092409/

Para visualizar é necessário ser membro do grupo.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

"NA BERLINDA BDSM" - DANIEL PAULINO

O entrevistado do dia 28/08/2014 foi o Dominador Daniel Paulino, em nosso grupo do Facebook.

Abaixo a entrevista na íntegra.

Bia Baccellet: Iniciamos agora a entrevista com o Dominador Daniel Paulino. Perguntas liberadas após a presentação. Boa noite e por favor apresente-se!!!!

Daniel Paulino: Boa noite a todos. Meu nome é Daniel Paulino, também conhecido como Sr_Beren. São Paulo capital, 25 anos, quase dois anos como Dominador. Um prazer participar da entrevista.

Bia Baccellet: Como conheceu o BDSM Sr_Beren? Fale um pouco de sua trajetória de descoberta.

Daniel Paulino: Então Bia, meu primeiro contato com o BDSM foi enquanto eu morava na Alemanha. Eu tive um relacionamento um pouco complicado com uma brat, que hoje apesar de não ser mais minha, ainda é minha melhor amiga.
A gente teve uma primeira sessão um tanto quanto "acidental" e depois disso eu me descobri no papel de Dominador.

Helena Pimenta: Boa noite, Bia Baccellet e Senhor Daniel Paulino. Senhor, na chamada foi citado que vivenciou o BDSM na Alemanha, o que poderia nos falar sobre... e quais são as diferenças mais marcantes que notou até aqui?

Daniel Paulino: Helena: então, a diferença é bem grande. Acho que tem duas coisas que são as mais gritantes:
1o. os dungeons. Na Europa os dungeons são muito, muito maiores do que aqui no Brasil, lá existem poucas festas onde você não tem mais de 300 pessoas reunidas. A diversidade de cenas publicas é muito maior, e o mais importante, lá não existe esse "preconceito" contra sexo, é a coisa mais comum uma sessão terminar, ou envolver sexo dentro de um dungeon.
2o. as regras. Na Europa as pessoas tem uma visão muito diferente das regras dentro do BDSM. Existe muito menos discussão a respeito de esteriótipos, por exemplo, eu tive algumas amigas Dommes e masocas, que treinavam os escravos pra usar floggers ou bullwhips. Ao mesmo tempo você tem as regras pragmáticas muito mais estritas, as festas costumam todas ter um dresscode absolutamente mandatório, e coisas como submissas acompanhadas sem coleira em uma festa seriam um "pecado mortal".

Cammy Veras: Boa Noite Senhor, o que uma sub deve atender para ser uma boa sub para o senhor?

Daniel Paulino: Boa noite Cammy, bem, acho que o mais importante em uma sub é estar disponível pra se entregar. Uma coisa que eu sempre digo é que submissão não é algo que se "tira" de ninguém. Do mesmo jeito que o Dominante precisa ser uma pessoal 100% confiável e responsável, para merecer essa entrega, se a submissa não estiver disposta a ceder, não pode existir uma relação D/s.

Helena Pimenta: O que quer dizer com: " submissas acompanhadas sem coleira em uma festa seriam um "pecado mortal", poderia falar mais a respeito?

Daniel Paulino: Helena, existem algumas regras de etiqueta que são importantes pra uma festa, especialmente uma onde se espera cenas públicas, funcione direito. Uma delas é que submissas acompanhadas devem sempre usar uma coleira, pra evitar aquela situação chata de "ah, desculpa, eu não posso brincar, meu dono não deixa"

Bia Baccellet: Então prefere um BDSM mais litúrgico, com mais regras?

Daniel Paulino: Bia, eu não diria litúrgico. Eu não espero que ninguém, que não minhas submissas, me chame de Senhor ou qualquer coisa do tipo, mas, existem algumas regras que existem pra facilitar o convívio, especialmente em lugares onde acontecem cenas. Agora quanto às minhas próprias submissas, eu gosto de criar a nossa própria "liturgia", acho que as regras acentuam a laço numa relação D/s.

Simone Ana: Boa noite Daniel Paulino, no seu ver então o que o BDSM já "regionalizado" (duro será tentar entender a colocação rs) tende a perder em referencia ao que se vivencia la fora?

Daniel Paulino: Simone, bem a diferença é bem grande entre o BDSM aqui e lá. Acho que a cena aqui no Brasil ainda tem muito o que crescer, muito o que aprender. Mas não me sinto confortavel em dizer pior ou melhor.

Cammy Veras: Quais as práticas que lhe dão prazer? Quais ainda não praticou mas pretende desenvolver e quais não se interessa?

Daniel Paulino: Cammy, das praticas eu sou um apaixonado por flogging. O som, a sensação, as marcas, eu simplesmente adoro. Outra coisa que me dá muito prazer é orgasm training/control/denial, eu costumo dizer que não existem palavras mais doces do que "May I please come, Sr?" Que eu ainda não fiz acho que sobrou só a suspensão, Shibari/Kinbaku são paixões recentes. Que eu não tenho interesse eu diria blood/needle play, e que não faria de forma alguma, scat.

Edu Castellini Dourado: Bom boa noite amigo Daniel Paulino minha primeira pergunta...!!!! Como eram as regras do Dungeon Publico no clube da Alemanha onde praticava....?

Daniel Paulino: Edu, regras oficiais só existiam 3: RED é a safeword universal, Sexo só com camisinha, e sem fotos, em hipótese alguma. Agora, você tem toda a etiqueta, como subs acompanhadas devem usar coleira, sub não devem sentar em lugares mais altos do que os dominantes, etc...

Karla Romero Castellini Dourado: Daniel... é muito comum ouvir uma sub ser indagada sobre o que é pra ela a submissão... o que ela entende por servir... Gostaria de saber sua opinião sobre o oposto.... O que é Dominar para você? O que você entende como conduzir outra pessoa? (em questão de deveres/direitos, etc)

Daniel Paulino: Karla, eu acho que Dominação é acima do que qualquer coisa sobre assumir a responsabilidade. Quando uma submissa se entrega pra você, ela está colocando muita coisa nas suas mãos, e isso faz com que você seja responsável pelo bem estar dela, pela segurança dela, até mesmo o prazer dela passa a ser sua responsabilidade. Ser um bom dominante significa tomar essa responsabilidade pra você, e garantir que durante toda a relação, você esteja usando o poder que aquela pessoa colocou nas suas mão para melhorar a vida dela. O meu prazer como Dom está exatamente nessa transferência de poder, tanto no "controle", em si, que eu exerço na submissa, como nesse cuidado, que é minha obrigação por assumir o controle.

Helena Pimenta: Li em algum lugar que o termo "dominação psicológica" só é visto e usado no Brasil. Quais são as suas impressões a respeito de tal prática?

Daniel Paulino: Não sei onde você viu isso Helena, mas posso te garantir que está errado. No meu circulo nós sempre falávamos sobre dominação psicológica. Pra mim, ela é uma parte fundamental em qualquer relação D/s, e honestamente é minha parte favorita. Poucas coisas me dão mais prazer do que sentir que a minha submissa sente "necessidade" da minha autoridade, da minha autorização.

Simone Ana: Sessões avulsas. Tem alguma posição a respeito?

Daniel Paulino: Simone, não vejo o menor problema com sessões avulsas. Pra mim não é o mesmo prazer de uma relação D/s completa, mas cenas em geral são bem divertidas também.

Marco Bauhaus Mishima: Daniel, boa noite. Muito bacana você também ter uma experiência lá de fora. - É mesmo outro universo. Vamos as minhas perguntas... O que pensa a respeito do que chamam de BDSM Virtual? Da predominância de praticantes deste nos grupos de BDSM na internet Brasileira? E dos conceitos as vezes um tanto quanto idealizados ou exagerados que eles apregoam nos grupos?

Daniel Paulino: Olha Marco, eu sinceramente não tenho o menor interesse por BDSM virtual. Não sei sobre as pessoas que praticam, mas eu não sinto, nem sequer vontade de "dominar" alguém de quem eu nunca senti a "pele". Não acho que pode haver o nível de entrega que uma relação D/s requer em uma relação puramente virtual.

Marcia Leite: Boa noite Daniel Paulino....gostaria de saber sua opinião sobre sessões virtuais? Só virtual, funciona?

(Essa pergunta foi respondida dentro da resposta dada acima a Marco Bauhaus Mishima)

Helena Pimenta: Já que disse ser uma das suas práticas preferidas, poderia, por favor, nos falar a respeito dos cuidados que tal prática (Dominação Psicológica) necessita? Em um possível rompimento da relação, como lida para "devolver" os poderes à sua peça? Faz acompanhamento posterior ao fim da relação?

Daniel Paulino: Olha Helena, D/s é sempre complicado, a troca de poder cria um tipo de relação de dependência que é um pouco imprevisível. Infelizmente todas as minhas relações passadas acabaram de maneiras que impossibilitaram esse "after care", o exemplo mais notável sendo minha última submissa na Alemanha, que não conseguiu lidar com o fato de que nós descobrimos que eu iria mesmo ter que voltar ao Brasil.

Marcia Leite: Qual sua opinião sobre SW?

Daniel Paulino: Marcia, esse é um assunto sobre o qual eu compartilho a opinião do grande amigo Edu. Dominação e submissão não é preto e branco, existe um espectro continuo, e diferentes pessoas se encaixam em diferentes pontos desse espectro. Eu me vejo em um dos extremos desse espectro, na verdade, tenho problemas com autoridade em muitos aspectos da minha vida por isso, mas pra alguém que está mais no centro, nada mais natural do que se submeter a pessoas mais Dominantes e Dominar pessoas mais submissas.

Bia Baccellet: Dominaria um sub homem ou somente domina mulheres?

Daniel Paulino: Bia, olha faria sim alguma coisa tipo uma cena de spanking ou algo assim com um sub homem, porque o sadismo é um prazer em si só. Agora, não vejo como separar o D/s do aspecto sexual, e portanto, não, eu não dominaria outro homem.

Marcia Leite: Qual sua opiniao sobre cinquenta tons de cinza? Ajudou ou so atrapalhou?

Daniel Paulino: Marcia, olha, eu tenho "mixed feeling" a respeito disso. Por um lado, ajudou a divulgar a cena, o que é bom, atrai gente interessada e diminue o preconceito. Por outro lado, o livro tem uma visão terrivelmente distorcida do que é BDSM, e você precisa sempre corrigir essa visão que as pessoas aprendem por lá.

Bia Baccellet: Hoje conseguiria se desligar completamente do BDSM e levar uma relação completamente baunilha? O quanto esse estilo de vida está impregnado dentro de sua vida cotidiana?

Daniel Paulino: Bia. Eu não acredito nisso. Hoje ser Dom é parte de quem eu sou, e isso vai se manifestar, de um jeito ou de outro, em qualquer relação. Mesmo em relações não romanticas, como eu e meu orientador de doutorado, é possível notar a diferença que o fato de eu assumir a minha tendencia a dominar tem.

Marco Bauhaus Mishima: Eu sabia que responderia isso, Daniel. Penso exatamente o mesmo. E coleira sempre foi tida como um compromisso de altíssima seriedade. Entre pessoas que se conhecem muito bem, e praticam a um tempo. O que acha dos encoleiramentos relâmpago? Pessoas exigindo compromisso de quem mal conhecem e as vezes nem pisou em uma cena com elas?

Daniel Paulino: Marco, minha opinião é a mesma que sobre "casamento relâmpago". É uma aposta de altíssimo risco, pode dar muito certo ou muito errado.

Lino Naderer: por qualquer motivo que seja algo que já foi negociado antes da sessão ou antes do relacionamento teve que ser deixado de lado ou modificado?

Daniel Paulino: Lino, já me aconteceu de limites que a sub achava ser capas de ultrapassar acabarem sendo "hard limits". Mas é uma questão de enxergar isso e respeitar.

Angela De Ícaro: Qual sua opinião sobre as redes sociais.? Mais ajudam, ou mais atrapalham o meio?

Daniel Paulino: Angela, acho que as redes sociais tem um efeito positivo sim. Fica muito mais facil divulgar/organizar as coisas por aqui, e na minha opinião isso compensa de longe os efeitos negativos.

Bia Baccellet: Hoje há uma tendência forte de pessoas que se aproximam do BDSM pelo motivo errado, dizerem que é uma coisa ruim, por conta de experiências negativas. Eu costumo dizer que BDSM não é lugar para gente mal resolvida e que não é consultório psicológico. Por qual motivo acredita que as pessoas vem até o BDSM para curar seus medos e neuras psicológicas?

Daniel Paulino: Olha Bia, quando você está lidando com uma pessoa "centrada", o D/s pode ser uma ferramenta terapêutica fantástica, e isso atrai muita gente. Por exemplo, a maioria das pessoas que se cortavam e pararam com isso, que eu já conheci, tiveram ajuda de um bom Dom(me).
Agora, infelizmente, não dá pra tratar tudo usando D/s, se o que falta na pessoa é o básico de estrutura, ela precisa da ajuda de um profissional que saiba lidar com todos os aspectos do problema dela, e não de um Dominante que, a curto prazo, só pode mexer com comportamento.

Bia Baccellet: Pra você inteligência é fator mandatório para a escolha de uma parceira? Se considera sapiossexual?

Daniel Paulino: Com certeza Bia, uma amiga minha sempre me disse que eu sou um dos poucos filósofos, no sentido original, de uma pessoa apaixonada por entender, e portanto, pra me satisfazer por completo, uma parceira precisa ser capaz de manter um nível de discussão intelectual, por mais arrogante que isso pareça.

Bia Baccellet: Você considera que formar um grupo de amigos, ou um clã, ou uma casa, é fundamental para o crescimento dentro do BDSM? Dividir experiências e conhecimentos e ter amigos praticantes fortalece as relações BDSM?

Daniel Paulino: Bia, eu sou mesmo a favor das tais casas, acho que é sempre útil e agradável estar cercado de pessoas que você confia e admira pra dividir as experiências/construir mais conhecimento. Isso não significa que que viva fechado dentro de uma "panela" e não interaja com as outras pessoas do meio.

Bia Baccellet: Sendo sapiossexual assumido, encontra hoje, dificuldade em encontrar uma parceira? Sei que já possui uma menina, tem intenção em aumentar sua casa?

Daniel Paulino: Hahahaha, Bia, olha essa primeira pergunta é bem salgada viu. Mas, mesmo soando arrogante, eu tenho que admitir o quão feliz eu sou por ter encontrado na minha primeira submissa um par perfeito nesse quesito. Quanto a questão de aumentar a casa, essa eu deixo pro futuro, minha primeira submissa é nova no meio e eu quero que essa relação esteja 100% estruturada antes de pensar em trazer mais alguém pra junto de nós. Agora, sendo um apaixonado pelo "play", playpartners são bem vindas, desde que elas entendam direito qual a minha relação com a minha primeira submissa.

Bia Baccellet: Já aconteceu algum acidente em sessão, ou algo inusitado, talvez engraçado? Pode nos contar?

Daniel Paulino: Hahaha, Bia, minha primeira sessão foi um acidente em um certo sentido. Antes dela eu mal sabia o que era BDSM, só sabia que ela "gostava de apanhar". Essa brat forçou a minha mão até que a sessão "aconteceu". Felizmente nós eramos muito amigos e tudo ficou bem, ela acabou sendo a primeira pessoa pra quem eu dei uma coleira, e até hoje é minha melhor amiga. De engraçado, acho que o melhor foi uma sessão, com essa mesma menina, em que ela veio pra me beijar depois do spanking e eu, gripado, acabei espirando nela. Eu fiquei sem saber o que fazer, mas ela, com toda a elegância deste mundo, abaixou a cabeça e disse "Thank you, Sr".

Bia Baccellet: Entrevista encerrada. Muito obrigada pela ótima entrevista Sr_Beren. Foi realmente incrível ter partilhado sua experiência e vida conosco. Aos demais boa noite e até a próxima!!!!!!

Daniel Paulino: Meu muito obrigado a todos, em especial a Bia pelo convite, foi um grande prazer! Se alguém tiver alguma duvida ou comentário, sinta-se a vontade para entrar em contato.

As entrevistas acontecem semanalmente no grupo do facebook Iniciação ao BDSM.

https://www.facebook.com/groups/233584086812714/permalink/315667435271045/

É necessário ser membro do grupo para visualizar a entrevista.

"NA BERLINDA BDSM" - SIMONE ANA

No dia 21/08/2014 aconteceu a entrevista da Switcher Simone Ana em nosso grupo do facebook.


Segue abaixo a entrevista na íntegra.


Bia Baccellet: Estamos iniciando agora mais uma entrevista com a switcher Simone Ana. Após a apresentação da entrevistada as perguntas serão liberadas. Boa noite a todos. Por favor apresente-se!!!!!

Simone Ana: Boa noite a todos! Obrigada pelo espaço Bia Baccellet e obrigada pela presença gente.

Simone Ana: Sou a Simone Ana, switcher, sou do interiorrrrrrrrrr de SP.

Diego Silva: Simone, por gentileza, me diga, como foi a sua inicialização no BDSM?

Simone Ana: Diego Silva, eu sou oficialmente uma iniciante. Há anos eu sempre gostei e pratiquei coisas... que eu achava que era meio doente por gostar delas, rs. Me divorciei ha dois anos e tive uma ajudinha tipo empurraozinho pra conhecer o meio, que eu achava na verdade um monte de punk e suruba, e vi que nao era nada disso. QUE pelo contrario era minha praia.... e que eue era normal e nao doente !!!

Bia Baccellet: Sofre algum preconceito por ser switcher?

Simone Ana: Se eu disser que não senti o preconceito me rondando é mentira. Já vi nariz torcendo na minha frente quando me apresentaram como sw. Sinceramente? não ligo, mas também aprendi a ser objetiva : amigos e colegas que me conhecem podem saber da minha natureza numa boa. PAra aqueles que me perguntarem digo o que tenho disponibilidade pro momento kkkkk Domme ou sub... mais fácil e nao tenho que ficar dando explicações e nem aguentando cantada de Dom.... porque parece que o desafio de nos dobrar brilha nos olhos de alguns

James Titus: Boa noite, Simone Ana, boa noite, Bia Baccellet, boa noite a todos. Simone, o que você mais gosta no BDSM ? (muito atrevimento para uma primeira pergunta ?

Simone Ana: James Titus o que eu mais gosto é a "esgrima" de interesses que faz parte da conquista... é chegar na confiança das pessoas.... são os estudos, as diferentes combinações e possibilidades, a costura de limites envolvidos... o material humano me atrai muito!!! HA uma riqueza imensa de opiniões que me fascina! cada uma com um prisma diferente e uma verdade diferente! isso é muito legal!

Bia Baccellet: Você se declarou iniciante. Como faz pra estudar o BDSM e suas práticas? Sente alguma dificuldade em encontrar ajuda?

Simone Ana: Bia Baccellet no dia que fui apresentada ao meio simplesmente me fascinei!! e como dizem alguns...eu tenho um rabo! dei muita sorte desde minha primeira orientaçao até agora! entao com uma semana de ensinamentos eu só me via cada vez mais avida...e cada vez com mais material de estudo, e sempre que me interesso por um tema aparece alguem que sabe e me tira duvidas e sinaliza o caminho, assim como as riquezas de diferentes praticas vão caindo no meu colo como imã!!! adoro tudo isso !!! sou iniciante...mas vivo intensamente o que posso !!! e quero cada vez mais  (vicia essa po$%#@!!!) bem que me avisaram no primeiro dia kkkk) e é porque é bom !!!

Simone Ana: Bia Baccellet me empolguei esqueci de mencionar sobre as práticas.... não sou de ficar esperando muito,.... se tenho o desejo de algo e procuro saber bem sobre isso, ponho em pratica assim que posso.... senao consigo alguém pra praticar comigo me viro com selfies ( dentro do seguro logico), minhas primeiras amarracões sem modelo vivo...kkk foram com um ursinho de pelucia, meu bear slave.

Liine Pessoa: Como você vê as pro Dommes? Faria algo parecido?

Simone Ana: Liine Pessoa, adoro perguntas assim, pq graças a Deus opiniões existem para serem mudadas se houverem argumentos bons. Eu via com maus olhos antes, mas hj vejo diferente. Se há uma pessoa que nao deseja o relacionamento bdsm, mas tem interesse numa sessao SM nao vejo porque deveria condena-las em fazer e cobrar por elas. Eu não faria.

Diego Silva: Simone, E como foi a sua primeira experiência no mundo BDSM?

Simone Ana: Diego Silva, minha primeira experiencia bdsm foi como a da maioria acredito, que chega devagar e curioso abrindo a portinha... foi através de um chat uol... esbarrei de cara com um Dom responsável e litúrgico e em dois dias mergulhei de cabeça em posições básicas de ajoelhamento e apresentação, rs, posições de mãos e cabeça e seus significados, me passou muita leitura e um verdadeiro roll de cuidados por internet ( como mencionei antes muita sorte), o segundo contato foi mais ousado e via skype... e em pouco tempo tb... comecei um treino pra pet, amei!!!.... em duas semanas havia descoberto muita coisa... e tudo de maneira intensa ( e eles sentiram isso em mim e nao vieram com babaquice de posse, rs os tenho em grande conta ate hj !). Ai todos podem me perguntar e o real??? qual o momento??? o meu foi assim que tive confiança em uma pessoa... e isso foi na base de muita conversa sadia... e foi quando fui conhecer o RJ  minha primeira sessao real já foi com deliciosas suspensões e shibari, faceslaping (que eu descobri que amo...) e foi muito boa. Só depois descobri que tem gente que leva anos pra ter uma sessão assim.

Liine Pessoa: Como se sente submetendo mulheres? Ou se submetendo a mulheres?

Simone Ana: Liine Pessoa, adorei a experiencia de submeter mulher, sempre tive vontade!!!! é diferente e parece que a sensibilidade feminina se toca em outro espectro de energia!!! submeterei quantas mais for possivel!!!! kkkk Quanto a me submeter... ja pensei nisso, mas vai cair na mesma historia de submissao a um Top, teria que haver conquista, e conquista não é me fazer se apaixonar nem nada disso, rs é me fazer ter confiança e desejo de entregar meus joelhos dobrados.

Helena Pimenta: Simone Ana, boa noite! O que desperta em você a vontade de se submeter ou de Dominar? Como concilia em si mesma vontades tão antagônicas e como as diferencia?

Simone Ana: Helena Pimenta Amei a pergunta! parte dela acho que foi respondida em outra resposta que dei, mas a parte essencial da sua que é como sei diferenciar, pra mim é facil. So nao sei se sera facil explicar kkkk Vamos lá, bora tentar : eu tenho muito desejo de receber o ato SM, portanto conseguiria separar por ex a vontade e o fato de realizar sessoes avulsas para satisfazer isso... no problems. Já a D/s ( o lado submissa) tem que haver a conquista, e esse meu lado nao se manifesta por desejo meu simplesmente, ele aparece. E esse não aceitaria sessões avulsas, ele gostaria de uma relaçao D/s, mas ai entra uma barreira, ainda nao achei alguem que saiba lidar totalmente comigo ... pela presenca da Dominadora..... kkkkkk entao tive duas tentativas, e ambas me trouxeram experiencias pelos erros... e pelos acertos tb. O maior acerto é nao querer mudar minha essencia. ser submissa dentro da minha aceitacao do que é saudavel para mim ser nesse papel

Cammy Veras: Simone Ana, quais as práticas que deseja desenvolver sendo sw? Há algo que espera superar?

Simone Ana: Cammy Veras, sou uma curiosa nata, desejo desenvolver todos os lados que eu puder e todas as práticas que eu tiver condições de aprender e desenvolver... e mesmo assim sei que sempre terá muito mais, no momento preciso aprender mais sobre disciplinar meu ímpeto como submissa.

Simone Ana: Cammy Veras tenho apreciaçao por coisas que me estimulem capacidade e tecnicas mais estudadas, amo escarificação e isso ja fiz bem feito e duradouramente, tenho muito gosto por sangue..., tenho paixao para aprender needleplay... vontade imensa de achar uma cobaia para branding.

Mell Souza: Olá, Simone Ana boa noite, Como descobriu que era uma Sw?

Simone Ana: Mell Souza, fácil, ja fazia parte de mim. Sempre fiz as coisas (SM) dentro do casamento (10 anos) e eu sempre desejei muuuuuuuiiito receber tambem, e ficava frustrada pela nao obtenção. Os meus primeiros contatos que adoraram me ver descobrindo as coisas e ME descobrindo me deixaram livre pra ver o que eu sentia, e quando disse que tava na duvida e que eu gostava muito das duas coisas e que nao conseguiria escolher.... RIRAM de mim... e disseram que ja sabia....kkkk ai me apresentaram a nomenclatura Switcher... não tive problemas com assimilar a posição assim.

Daniel Paulino: Simone, você se assume sw, você tem preferência por algum dos lados? Já esteve em uma relação de ambos os lados da coleira?

Simone Ana: Daniel Paulino, eu sempre pratiquei muito mais o lado Top, e sempre desejei muito o Botton, tive oportunidade sim de ja experimentar o chicote no lombo...kkkk mas confesso que sou fraquinha pra spanking, meu lado masoquista curte muito mais outras torturas se me entende e gostei muito de faceslaping.

Giulia Farnese: Cara Simone Ana, como se intitulou iniciante, gostaria de saber sobre sua experiência no meio. Já teve algum problema quando entrou? Exemplo: Tops se apresentando como Mestre e no entanto foi um enorme problema. Se teve algum problema desse tipo, como lidou com isso e o que aconselha, ou aconselharia, para os iniciantes em situações como essa.

Simone Ana: Giulia Farnese, ai vc me pega, o fato de eu ser iniciante não se contrapoe a outro tipo de experiencia que eu tenho. Ja vi muita gente cair em conversa fiada facil de outras que se dizem isso ou aquilo, mas, ai é um pouco pessoal. Eu sou ex de policial, fui praticamente treinada ao longo dos anos exaustivamente pra descobrir uma mentira e uma intenção escondida em quase tudo, então por natureza eu desconfio de tudo e mesmo assim não sou imune!!! Acredito que bom senso nessa hora é a melhor coisa e pé no chao... e conhecer cobre o que se fala tb!!! quanto mais se conhece mais facil de identificar um fake por exemplo.

Amanda Coburgo: Simone Ana, boa noite! Vc poderia nos falar sobre o roll de cuidados pela internet. Já que hj em dia esse comportamento (BDSM virtual) tem se difundido?

Simone Ana: Amanda Coburgo são tantos!!! Vou tentar passar os que me passaram, e irei citá-los mesmo que pareçam óbvios para mim ou para outros, mas alguém pode não ter esse cuidado... e mesmo assim posso esquecer de varios ok??  o Primeiro é nao passar dados pessoais jamais, parece feio, mas eu nao diria nem o nome verdadeiro de inicio, não fazer uso de skype pessoal, abrir um SM para esses fins, em primeiros contatos não mostrar o rosto, há quadrilhas especializadas que procuram pessoas mais inocentes e desavisadas que se mostram em cam e gravam isso, pode ser simplesmente solto na internet como pode ser alvo de chantagem, e em caso de partir para encontros reais, o primeiro não custa nada ser um capuccino em local publico, se o cara achar ruim, melhor pra vc, significa que o interesse ja era outro mesmo.... Deixar sempre uma pessoa ciente de onde está e trocar palavras de segurança de que ta tudo ok por msg...etc... deve ter mais... mas esqueci

Daniel Paulino: Simone, e quanto a relações mesmo? Conheçum bom numero de SWs de cena, mas são poucos que conseguem lidar com ambos os lados de um relação D/s.

Simone Ana: Daniel Paulino, infelizmente sou nova pra responder essa pergunta  mas acredito que é e será o principal desafio que terei ao longo dos meus futuros dias, tentar estabelecer uma relação com base forte e que respeite a lida com os dois lados... verei o que o futuro me reserva.... e tambem sou muito pratica...odeio Discussao de Relacao isso pode me ajudar...ou nao.

Karla Romero Castellini Dourado: Simone Ana, li que é SW. Normalmente as pessoas se preocupam com um SW se relacionando ou com alguém dominante ou alguém submisso, mas dificilmente vejo as pessoas questionando sobre um relacionamento entre dois SW. O que você acha disso? acredita ser uma relação viável, onde hora um domina, hora outro?

Simone Ana: Karla Romero Castellini Dourado, sabia que no inicio eu achava que uma relação entre dois sw seria a solucao para findar os problemas??? Não vejo tao bem assim, posso mudar de ideia. Primeiro que descobri que existem varios tipos de sw, com relacao a forma de pensar, de agir etc... Não acredito que meu lado sub masoka queira um sw, talvez EU ( to falando de mim especificamente rs) não veja no olhar o pulso forte que eu espero! em um sw eu provocaria sabendo qu há brecha para ceder.... nao ia dar certo. e Meu lado Top não cederia facilmente o que poderia frustar a outra parte. descobri que entre sws o que mais acontece é o roleplay. Não creio que é o que me agradaria no momento... sei la a vida muda

Helena Pimenta: Simone Ana, você se mostra muito segura e com boas argumentações, bons pontos no quesito "defesa pessoal em ambiente virtual". Costuma fazer pesquisa dos teus contatos? Contar com apoio de outras pessoas com referências para encontros pessoais? Acredita que referências façam a diferença no quesito segurança?

Simone Ana: Helena Pimenta procuro saber sim sobre as pessoas que acabo aceitando ou convidando para o meu perfil e assim diretamente do que faço por hora...rs, recomendação é fundamental, e mesmo assim pode ser furada sempre pergunto pra alguem in box sobre fulano,ou cicrano, se ninguem tiver como me dar referencia eu pego a pessoa e converso muito... quando se conversa muito alguma coisa vc pega, ou que a pessoa é boa de papo e possui fluidez ou que é só frase pronta, interjeiçoes ai xiiiii... não da nao. mas a partir de um laço, se estabelecem outros, que mesmo virtual vc sabe que a pessoa existe e pode vir a ser uma boa amiga ou bom amigo e isso é sempre bem vindo...

Bia Baccellet: Como vê a prática de BDSM virtual? Considera essa forma de relacionamento legítima como BDSM?

Simone Ana: Bia Baccellet, eu sempre vi o virtual como ferramenta para uma aproximacao real. EU, Simone, tenho necessidade de sentir a CARNE..., mas tem muitas pessoas que se satisfazem so com o nivel 1 e 2, que é o teorico e o ludico, nao posso julgar o prazer dessas pessoas como certo e errado. E eu mesma estou passando por uma situação inusitada, que eu nao esperava e to gostando! tenho uma escrava, ela é virtual, entendo isso pela distancia, mas virou uma realacao muito boa, e assim que possivel sera real. Mas sefor levar ao pe da letra BDSM só virtual nao é possivel ao meu ver. D/s sim. SM meio dificil

Bia Baccellet: Como sub teria relação com irmã de coleira? Como Domme teria um canil?

Simone Ana: Bia Baccellet, entao...... se eu tivesse muita afinidade com a "sister" ate rolava, mas eu acredito que eu teria muita dificuldade de lidar com isso.... olha eu admitindo minhas fraquezas. Eu acho que eu seria uma sub possessiva, rs. Mas com uma boa sister... sem duvida!!!  Como Domme, eu poderia ter um Dog sim...mais nao me interessa muito nao. Descobri que tenho verdadeira paixão por subs com diferentes fetiches e adeptos de praticas bem diferenciadas... tipo Domme colecionadora de fetiches.

Helena Pimenta: Mas vamos às perguntas.... Simone Ana,quais os teus limites, tanto enquanto Domme como quando em sub?

Simone Ana: Helena Pimenta, meu limite mágico e incontestavel ate duas semanas e meia atras seria o famoso Scat. Porem, minha maldita curiosidade foi assediada por tres praticantes dessa pratica nos ultimos tempos.... e começei a estudar o lado deles... dos receptores. Eis que me vi e imaginei fazendo a cena, e pior... gostando.... mas entre o nivel 2 (ludico ) e o real tem um grande degrau, nao sei se conseguirei fazer, e se me trara prazer pela humilhacao imposta pela pratica, vou experimentar pq sou aberta. minha opiniao com relacao a esse limite so terei depois!. Mas um limite taxativo pra mim é asfixia. tenho asma, e isso me levaria com certeza para o hospital!!! nao aceitaria branding em mim, embora eu faria sem problemas em outro... ENTAO resumindo... scat faria como Domme, sub nao. Asfixia Como Domme, sub jamais, Branding idem

Simone Ana: ok...vamos la... Simone Ana, ja fez alguma sessao com hipnose? qual tua opiniao a respeito?(Aqui Simone se faz uma pergunta)

Simone Ana: Simone Ana com relacao a sua experiencia e seu proprio questionamento: Minha mãe é profissional nessa arte, regressao com hipnose, levo a serio isso. E já tenho experiencia com o assunto ha muitos anos, inclusive para promover bloqueios em sessoes de hipnose... o que nao é tão facil. quando vi isso de hipnose para ajudar na sessao o botton a entrar num estado de melhor aproveitamento da sessao, minha pulga atras da orelha coçou e arrepiou, e minha curiosidade maldita me impeliu a degustar do doce.... fui ver do que se tratava devidamente preparada. Pode ser que tenha realmente gente seria que venha a usar hipnose em sessao para fins decentes, entretanto a experiencia que tive so me fez ver como tem gente calhorda que se aproveita da situacao de confiança de quem se entrega. Não gostei do que vi, muito menos do que seria o provavel resultado caso o efeito esperado surtisse efeito e deixo meu alerta para que esta pratica seja muito analisada antes de ser consentida.

Bia Baccellet: Entrevista encerrada! Muito obrigada Simone Ana pela disponibilidade e pela ótima entrevista. Parabéns!!!! A todos boa noite!!!

Simone Ana: No mais agradeço a todos pela participação e paciencia... e desculpa os erros de portugues e etc.



As entrevistas acontecem semanalmente no grupo do facebook Iniciação ao BDSM. https://www.facebook.com/groups/233584086812714/





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