terça-feira, 6 de junho de 2017

Rituais Individuais e Liturgias - Liturgia


Texto de Uther

Eu raramente escrevo no facebook, mas aqui acredito que valha elucidar alguns pontos sobre "esta tal da liturgia", e de antemão peço desculpas pelo texto longo mas eu ainda estou aprendendo a escrever o que penso.

A palavra liturgia conforme o dicionário e a prática, dá nome ao conjunto de regras de etiqueta ( etiqueta = pequena ética ) de uma religião, a liturgia católica por exemplo diz o momento em que seus fieis devem levantar, cantar, bater palmas, se abraçar, fazer silêncio, a cor ou posição da estola, etc etc etc.

Quando o BDSM começou a se firmar como movimento e começou a organizar-se, viu que esta palavra significava exatamente o que eles queriam demonstrar, ou seja, a liturgia no BDSM tem a função clara e prática de ser um código de etiqueta ( ética ) e como todo código ético visa organizar a vida das pessoas em comunidade.

Vale lembrar que ética não é moral, enquanto moral é um olhar individual sobre o que você não faria mesmo que não tenha ninguém olhando, a ética é um olhar coletivo, é a inteligência coletiva trabalhando para o bom convívio das pessoas.

Assim eu posso definir a liturgia BDSM como:

Liturgia BDSM compreende o conjunto de ritos e etiquetas que tem como principal finalidade ordenar os espaços de convívio entre os participantes de BDSM.

Convivo no meio BDSM há bastante tempo, faz quase 20 anos que fui ao valhala conhecer pessoas que já conversava em chat ( terra e Uol ) como a Sra. Bárbara Reine, Senhora Bela e muitas outras pessoas que compunham o Grupo SoMos (ao qual nunca fiz parte, apenas conheci os participantes), nunca precisei conceituar o que era liturgia porque o ambiente ali era assim, tínhamos horas de rir muito nas mesas, e horas de seriedade nas demonstrações. A liturgia sempre foi muito prática, natural, lógica e presente.

Muitos reclamam que não há uma liturgia escrita mas é fácil de entender que há uma impossibilidade atual de haver apenas um código de ética para tudo, pois o que serve para o bom convívio de médicos não serve para o bom convívio de advogados, aliás cada empresa cria seu próprio código de ética conforme sua realidade, a simples existência de diferenças regionais podem diferenciar o que serve para o convívio dos BDSMers em suas comunidades, ainda sim existem alguns itens que posso citar pois até o momento são comuns em todo contato litúrgico que tive.

1 - ( e mais conhecido ) Pronomes de tratamento. O BDSM é uma escada com 3 degraus, no mais abaixo estão os Bottomns ( submissxs, masoquistas , bondagetes ( quem é amarrado )) e devem tratar com respeito (não obediência) quem ocupa os degraus acima, normalmente utilizando o termo Senhor ou Senhora. No degrau do meio estão os SW e no mais acima os Tops (sádicos, dominadores, bondagistas (quem amarra, priva, prende , lembrando que shibari é uma das variações de bondage ))

2 - Respeito a esta escada, ou seja, respeito a hierarquia. A preferência de tudo é sempre de quem está no degrau acima, este parâmetro pode ser usado para determinar o desenrolar de todo convívio social. 

Vou citar alguns exemplos:
  • Uma submissa não deve ir a uma festa com maquiagem pesada, roupas muito chamativas, e em alguns casos evitar salto, isso porque os adornos de beleza devem ser prioridade para aquele que domina. É para ir feia? Nãoooooo rsrs apenas para não se vestir como Dommes se vestem. Caso seja uma escrava ( tenha coleira ) vá vestida conforme indicação do Dono.
  • No deslocamento de um cômodo a outro por exemplo, dar preferência aos que dominam, para que eles no ambiente novo escolham o lugar que vão ficar, e depois a submissa se acomoda.
  • Um sub não vai sentar no trono, e mesmo entre dominantes, se só há um trono é de bom tom deixar este para o anfitrião, ou dominante mais reconhecido por aquele grupo.
Posso ficar a tarde inteira dando exemplos, mas o importante é o conceito, dar preferência e não oferecer obediência.

3 - Ritos servem para determinar um momento importante, com o qual você queira compartilhar com a comunidade em que você vive, como por exemplo, um encoleiramento, e se continuar a escrever o texto, de imenso vai ficar ainda maior. Mas espero que tenha ficado claro com estes exemplos práticos que a liturgia é perfeitamente aplicável no nosso universo.

Para finalizar, vale ressaltar que toda este etiqueta apesar de ter uma destinação muito clara que é a convivência das pessoas serve muito bem para o relacionamento privado entre aquele que domina e aquele que é dominado, proporcionando a quem usa a possibilidade de viver uma experiência ainda mais rica e intensa.



*Originalmente escrito num debate no Facebook.

terça-feira, 2 de maio de 2017

A sub chantagista e vigarista


Texto de Sr. Jack Napier


Este texto foi estimulado por um comentário por parte de um TOP sobre uma bottom que ameaçou usar a Lei Maria da Penha, portanto achei útil compartilhar algumas ideias.

Pouco se fala dos problemas enfrentados por TOP iniciantes ou que tem compromisso baunilha e de qualquer forma, com pouca experiencia. Claro que estes, cheios de vergonha, nunca irão expor os problemas deles em público, mas talvez enfrentar este assunto, tabu em muitos âmbitos, possa ser útil para alguns.

Neste caso é o TOP quem é atropelado fora da faixa.

Como já falei em outro texto, não é incomum um bottom ao término de uma relação D/s acusar o TOP de abusos, somente para descarregar a própria frustração. Não é incomum o bottom agir também de forma manipuladora e chantagista, e, uma vez que o TOP não aceite este joguinho, o bottom criar falsidades para denegrir o TOP.

Até aqui, tudo bem, normal, acontece.

Mas há uma categoria de bottom que usa o BDSM para fins que são pouco bacanas, com premeditação e com o objetivo de tirar proveito de uma situação. São os chantagistas/vigaristas.

Este tipo de pessoas, são normalmente masoquistas, que aguentam boas pancadas, hematomas extensos, as vezes até na cara, e que caçam TOP sem experiência (que às vezes se dizem experientes), desavisados e ingênuos, com o fim de trazer proveito financeiro. Estabelecem uma D/s a jato, mas cuidam de ter muitos detalhes da vida do TOP “para a segurança deles”, fingem um namoro romântico e bonito na internet, e talvez por umas duas semanas de vida real, com encontros a luz de vela, poesias e promessas de amor. Procuram TOP que tenha uma boa vida financeira e estável, se for casado e a mulher nem desconfiar de nada, é melhor ainda para elas. O TOP ingênuo se abre... no Skype, no Facebook, e também em encontros pessoais, na negociação a jato, fala da sua vida pessoal, dos amigos e trabalho, da família.

Enfim começam as sessões românticas, regadas a frases bonitas e amor, com a sub pedindo spanking intenso, pois amor é amor, mas as pancadas são que a excita... e o TOP tentando fazer o seu melhor, para não decepcionar... bate com força...

Sempre falamos no meio que, se não há prova, não há crime. É muito fácil sair por aí falando e falando, mas sem provas...

E quando há provas?

Quando há um registro de motel que comprova quem esteve lá, fotos (sim, aquela frase... faça fotos com o meu celular que depois te mando) e uma ameaça de B.O. pela Lei Maria da Penha? Quando o bottom conseguiu detalhes sobre sua vida e pode enviar as fotos para o seu trabalho, para a escola de seus filhos, para sua esposa, junto a um B.O.?

Aí entra a chantagem do bottom vigarista... normalmente pedido de dinheiro, e muito, para não expor o TOP na vida baunilha dele, e o TOP normalmente paga, saindo desta situação com grande frustração e com a cauda entre as pernas, frequentemente depois abandonando o BDSM para sempre. Se for um mínimo esperto, pede prova de que pagou e que não há motivo para B.O. pois a relação era consensual.

Neste caso, o TOP foi mais um que cruzou a rua fora da faixa de pedestre, sem olhar dos dois lados, sem prestar atenção se vem um carro ou caminhão e em caso de o cruzamento ter um farol, não olhou para ele.

Quando falamos para conhecer bem as pessoas antes de se aventurar, normalmente falamos aos bottoms, pois são em maioria mais frágeis, mas o mesmo cuidado vale para os TOPs.

Alguns destes TOPs acham que porque se declaram Dominantes e leram algumas coisas na internet já o são, ledo engano. Ser Dominante não é se mostrar fodão e tentar dominar a sub de alma com textos bonitos... significa saber reconhecer os bottoms, saber entender o que realmente são e quais são os anseios reais deles... constituindo uma relação de poder.

Isto não se alcança em pouco tempo, nem com pouca experiência. É um percurso que precisa ser trilhado para entender como funciona o meio, pois assim como na vida baunilha, aqui também temos pessoas boas e ruins e, sendo maior de idade, cabe a você saber distinguir quem é quem.

Então se um dia for vítima de chantagem se pergunte: será que não cruzei a rua sem olhar, sem prestar atenção e fui simplesmente atropelado pelo meu descuido?

segunda-feira, 13 de março de 2017

O CARÁTER, O GOLPE E O GOOGLE - A farsa das redes sociais


Texto de Rainha Shekinah


Entre extensas discussões sobre o que é ou não BDSM, suas bases e práticas, todo o tipo de gente se junta a roda. Não desejo falar dos mais variados tipos de praticantes, hoje quero abordar algo especifico: o farsante.

Num contexto geral e sem entrar em nenhum tipo de regra ou conceito relativo ao meio, hoje quero apenas falar daquilo que é inerente ao ser humano, que por sua vez se reflete no que faz. Quero falar sobre caráter, por entender que antes de falarmos das práticas devemos pensar em quem as realiza.

Se pensarmos a fundo sobre qualquer base ou modelo que um praticante possa estruturar suas relações BDSM, não importa se é SSC, RACK, TPE, a única coisa que rege a proteção de ambas as partes é o caráter. 
Não importa sua idade, ou o tipo de história que você tem com o mundo do fetiche, o que importa no fim é sem sombras de dúvidas o tipo de pessoa que você é, isso sim vai refletir em tudo o que fizer.

Certa vez falei sobre ética e verdade, agora ataco o caráter e a identidade do praticante. No fim, devemos olhar para nós mesmos e para os nossos pares com olhos nus, olhos livres do ego, para poder sentir o que esta dentro de nós. 
Cada um trilha o caminho que quiser em busca do prazer, afinal o prazer é pessoal e não diz respeito ao senso comum. Cada um deve ser capaz de gerir e escolher aquilo que lhe satisfaz, seja respeitando as regras ou escolhendo viver num espaço onde estas não existem.

Eu penso naqueles que se dedicam a construir uma imagem de diplomáticos, que não se posicionam em questões fundamentais, que estão sempre na corda bamba, pajeando o lado mais vantajoso da moeda, se vendendo com palavras que o outro quer ouvir porque no fim não tem base para argumentar nada. 
Penso nos tantos que vejo que utilizam dos sites alheios, de textos e de informações colhidas junto aqueles que de fato dão a cara a tapa para viver o BDSM real, para construir uma imagem de mentores e de grande sabedores. Pessoas estas que muitas das vezes nem sequer manipulam o básico, nem um flogger sabem usar e vivem da ilusão de que possuem um harém ainda não concretizado.

Penso nas pessoas que se aproximam de outras por status, por um trampolim. Pessoas que bebem da bagagem de outro e nunca lembram da referência. Pessoas que em si são o golpe verdadeiro.

Talvez a grande farsa das redes sociais sejam essas pessoas que se escondem atrás de uma vida ilusória inexistente, munidas de uma falsa popularidade nunca exposta. E quando vamos aos eventos e encontros, vemos sempre os mesmos, sempre as mesmas pessoas que estão ali muito mais do que pelo prazer, mas pela troca e pela ausência de medo de ser quem são.

Então é assim que defino quem é real pra mim no BDSM, aquele que não importa a posição vai ao encontro dos seus pares sem medo da troca de experiencia, sem medo de se revelar porque o que construiu ou deseja construir tem verdade.

Informação teórica é fácil, informação técnica não. E de uma certa forma é uma proteção que certos conteúdos só possam ser aprendidos no cara a cara, onde esse outro precisa sim se revelar a alguém.

Eu lamento que tantas pessoas sejam seduzidas por discursos belos e romanceados. Lamento que pessoas achem bonito o elogio constante e não se perguntem sobre a falácia da perfeição. Sigo a mesma premissa da amizade verdadeira, se nunca há criticas, há falta de verdade.

Pessoas são diferentes, umas duras, outras gentis, isso não tem haver com ausência de posicionamento coerente. Não vejo dano em dizer você está errado, olhe aqui o caminho. Mas vejo enorme dano em passar a mão na cabeça pra ter seu afeto.

O grande golpe é este tipo de praticante legalzinho demais, que prega um romance de contos de fadas e esquece que a vida é real e feita de pessoas com suas dores, problemas e dificuldades.
Há incoerência demais. Há muito rosa numa vida que é pigmentada por todas as cores.

Então minha reflexão é sobre o caráter. Sobre refletir ser o que se é, sobre viver o que se prega, sobre falar a verdade, sobre não se nutrir da experiência de alguém pra fazer pseudo fama e por fim, sobre a dignidade de portar e honrar o próprio nome.

Não existe essa de eu teria um submisso por dia se quisesse, isso é desculpa. Quem pode tem e normalmente quem tem nem conta. Desculpas são desculpas, e para todo o resto temos nas redes sociais o grande espelho da humanidade.

Mas nem tudo é tão ruim, porque sempre nesse emaranhado a gente encontra gente real, que se indigna com o mesmo e que torna este caminho justificável.

Não, eu não quero perto de mim quem ilude para comer a coleguinha, quem ilude por status, quem prega respeito através da sedução e tem sua própria posse se oferecendo a qualquer um que apareça. Não quero mesmo bajuladores, não quero nem sequer estar certa porque como ser humano eu erro e gosto muito até de falar sobre isso. Mas não vou botar pó mágico na vida pra te seduzir, nem vou aceitar tudo o que você quiser pra transar com você. Eu respeito o outro independente de tudo, e respeito a mim mesma.

Adoro o prazer, e nunca provei o prazer real sem a verdade de ser o que se é!

terça-feira, 7 de março de 2017

História do BDSM - São Paulo

Texto de: Sra. Gata Selvagem
Postado originalmente em sua page no Facebook.

Uma Aulinha do Tele Gata Madureza sobre História do BDSM Nacional.

- A festa BDSM mais antiga aberta ao público eram as Festas do Valhala, localizado à Rua Francisco Cruz na Vila Mariana.

- O Valhala foi o 1° Bar unicamente BDSM no Brasil, abriu no final de 1999, e era propriedade de Bárbara Reine, Klaus e Anjo Cruel. Em 2002 o nome foi vendido e o ponto passado para Marco Fioritto e a partir deste ano (2002), o Valhala passou a ser uma Casa voltada à Podolatria.

- Antes da abertura do Valhala, aconteciam festas fechadas em Studios /Ateliês entre eles: Surgery, Ateliê Eliane, Dominna Fetish House, Clube Ó, como também encontros em Bares, os mais famosos deles em SP eram no Zyllerthal e Estalagem, ambos em Moema.

- As cenas BDSM fora de SP, ainda eram beeeem pequenas ou inexistentes e a maioria dos praticantes desses Estados, optavam muitas vezes por vir à Sampa.

No Rio de Janeiro existiram, 3 casas BDSM, se não me engano, mas infelizmente com pouco tempo de duração. Se alguém souber mais dessas Casas, toda ajuda é bem-vinda.

- Em 2002 após a venda do Valhala, os praticantes BDSMers ficaram sem lugar de Encontros e foi onde eu passei a fazer Encontros no Finnegan's, um pub situado à Rua Arthur de Azevedo esquina com a Cristiano Vianna em Pinheiros e depois passamos a fazer encontros no Pinheirinho.


- O Clube Dominna de Propriedade de Rainha Walkíria Schneider, Mistress Bela e Roberto, abriu em 2003 na Rua Topázio, antes deste ano chamava-se Dominna Fetish House com abertura em 1998, e era um Studio de Dominação Femdom de Propriedade de Rainha Walkíria Schneider, situado no Largo São Jose do Maranhão, em Tatuapé.

- Em 2007 abriu-se um Bar BDSM chamado Clube Libbens na região de Santana, na Rua Voluntários da Pátria, de propriedade de Mister Krock e mairynka, porém, infelizmente teve pequeno tempo de vida, se não me engano de 06 a 08 meses, mesmo com muita boa vontade por parte dos Donos e praticantes.

- O Clube Dominna possuiu 4 endereços (Topázio, Muniz de Souza, Euclides Pacheco e Raul da Rocha Medeiros), entre 2003 e 2010 data do fechamento de sua sede e entre essas trocas de endereços eu voltava a organizar encontros, entre eles os memoráveis encontros no Cafe do BIxiga na Rua 13 de maio, e sempre que o Dominna reabria eu parava de fazê-los lembrando á Todos que tínhamos uma Casa totalmente preparada para nos encontrar.

- Em julho de 2012, Gata Selvagem (Eu) abre o Bar da Gata (BDSM Clube), Bar totalmente voltado ao estudo, festas e liturgia BDSM, situado no Tatuapé, e a história continua...

Qualquer informação diferente dessas é inverídica e mostra o descaso, a desinformação e a falta de respeito por aqueles que fizeram a história do BDSM no Brasil.

E sim, eu estive em tudo e sou testemunha ocular.

Bom Dia a Todos.

sexta-feira, 3 de março de 2017

BDSM Socorros - Como lidar com um ataque de pânico.

Quando falamos em Dominação, falamos de controlar a mente do bottom, isso vai muito além de sermos apenas persuasivos, jogos psicológicos são fantásticos, mas quando usados na medida certa.

Em uma sessão de disciplina, scareplay, até mesmo uma cena mais pesada no requisito psicológico, o bottom pode apresentar um ataque de pânico, devido ao fato de seu psicológico e físico ser levado ao limite sem que ele possa interferir.

Se o bottom não estiver com a saúde mental plena e consciente, ao invés de chegar ao subspace(geralmente em subspace a pessoa "desliga" e desmaia) este pode ter um ataque de pânico, o Top deve estar preparado e deve saber como agir para controlar este ataque, trazendo o bottom de volta a sua normalidade mental.

1- Reconheça os sintomas.

O bottom se acometido por uma crise de pânico irá apresentar estes sintomas:

-Dor ou desconforto no peito.
-Tontura ou sensação de desmaio.
-Medo de morrer.
-Sensação de asfixia.
-Náuseas ou dores de estômago.
-Dormência ou formigamento nas mãos, nos pés ou no rosto.
-Palpitações ou sensação de coração disparado.
-Sudorese, calafrios ou ondas de calor.
-Tremedeira ou agitação.
-Alucinações.

2- Ajude o bottom a normalizar a respiração.

-Afrouxe as roupas de seu bottom caso o mesmo esteja vestido.
-Coloque-o em posição confortável e faça-o respirar fundo e pausadamente.

3- Não deixe o bottom correr ou se debater.

-Segure-o pelas mãos ou abrace-o falando palavras de conforto a fim de acalmá-lo.

4- Use a Meditação a favor.

-Utilizando técnicas de relaxamento conduza o bottom a uma meditação, até perceber que este entrou numa espécie de transe. Corpo e músculos, completamente relaxados, de preferência fazer o bottom adormecer.

5- Procure ajuda médica.

Um ataque de pânico pode significar que o bottom necessita de acompanhamento especializado, talvez até mesmo o uso de medicamentos.

-Dê todo o suporte possível, marcando a consulta, acompanhando o bottom e ajudando no tratamento do mesmo.
-Atividades físicas, alimentação leve e a não ingestão de substâncias estimulantes ajudam a inibir acessos de síndrome do pânico e transtornos psicológicos.

Lembrem-se a Dominação vai muito além de realizar sessões com técnicas e tempo de prática.
Um bom Dominador precisa estar preparado para lidar com situações inesperadas e adversas.

Até a próxima!
Bloody Kisses.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Bases SSC x RACK - Qual a diferença?

Texto de Bia Baccellet

Antes de qualquer coisa, preciso fazer uma breve explicação sobre o que vem a ser as "bases" do BDSM.

Sabe o significado de "base"? Aquele que diz que "Base é a parte inferior de alguma coisa, considerada como seu suporte" ou "Alicerce" ou ainda "Base - parte ou aspecto essencial de alguma coisa; princípio; origem".

Consultando dicionários mil pela internet afora conseguimos vários significados pra palavra base, todos com a conotação de "princípio", "origem" ou "fundamento".

É exatamente esse significado que as "Bases" do BDSM possuem. Elas são o fundamento, o suporte, o princípio, a origem de uma relação BDSM qualquer que seja, fixa ou não. É o princípio que "guia" a condução de uma relação.

Então a primeira coisa que se deve fazer ao decidir praticar BDSM com alguém é definir a "base" sobre qual essa relação vai se dar. Já que, qualquer coisa que seja, começa pelo começo, pela "base".

Existe uma quantidade razoável de bases, capazes de deixar uma pessoa doida de tanto pensar em como escolher. Mas fundamentalmente o BDSM tem duas bases mais usadas, e é nelas que vamos colocar nossa atenção. Talvez em um outro texto possamos abordar as outras bases, mas acredito que esse será suficiente pra ajudar na sua escolha.

A primeira "base" criada no BDSM foi o SSC. E é ainda hoje a mais usada. Em inglês é Safe, Sane and Consensual e em nossa língua é São, Seguro e Consensual.
Na verdade o SSC foi criado bem antes de o BDSM ter essas quatro letrinhas, ainda se chamava SM, e era uma forma de conscientização entre os praticantes de sadomasoquismo de era necessário ter bom senso para praticar enquanto comunidade. Nosso objetivo não é focar no requisito histórico e sim na funcionalidade. Então prossigamos.

A segunda "base" criada foi o RACK. Criado para trazer um nível maior de conscientização quanto aos riscos, já que a interpretação literal de "seguro" estava sendo levada a extremos de ser "100% seguro". Em inglês é Risk-Aware Consensual Kink e em nossa língua Perversão Consensual Consciente do Risco.
A diferença básica entre o SSC e o RACK é o "Risk-Aware" onde fica explícito que deve haver consciência do risco ao submeter-se às práticas sadomasoquistas.

Até aqui todos vivos? Ou já deu nó na cachola?

Vamos desfazer esse nó então.

Quando uma pessoa diz que pratica com base no SSC, ela quer dizer que:
  • Procura minimizar os riscos ao máximo, diminuindo ou eliminando se possível qualquer possibilidade de algo dar errado. Isso não exclui o fato de que algo pode dar errado, apenas garante que a pessoa fará de tudo pra que esse risco seja o menor possível.(Seguro)
  • Usa o bom senso na escolha dos materiais e dos "brinquedos" que vai usar, respeitando limites previamente acordados.(Seguro)
  • Está consciente e de plenas faculdades mentais, livre do efeito de drogas, entorpecentes legais ou ilegais, tendo capacidade de consentir livremente e de "juízo perfeito".(São-Consensual)
  • Está consciente de que mesmo que seja minimizado o risco, ele existe, mas aceita se submeter às práticas, sendo respeitados os limites previamente acordados.(Consensual)
  • O consentimento pode ser "retraído" a qualquer momento, bastando pra isso proferir uma "palavra de segurança", previamente acordada, sendo essa palavra um "stop" pra o que quer que esteja acontecendo, já que ela "retira" o consentimento naquele momento.(Consensual-Seguro).
Quando uma pessoa diz que pratica com base RACK, ela quer dizer que:
  • Procura não extrapolar os riscos, diminuindo a possibilidade de algo dar errado. Isso não exclui o fato de que algo pode dar errado, apenas garante que a pessoa terá atenção ao nível de risco acordado.(Risk-Aware) 
  • Usa o bom senso na escolha dos materiais e dos "brinquedos" que vai usar, respeitando limites previamente acordados.(Risk-Aware)
  • Está consciente e de plenas faculdades mentais, livre do efeito de drogas, entorpecentes legais ou ilegais, tendo capacidade de consentir livremente e de "juízo perfeito".(Consensual)
  • Está consciente de que mesmo que seja minimizado o risco, ele existe, mas aceita se submeter às práticas, sendo respeitados os limites previamente acordados.(Consensual)
  • O consentimento pode ser "retraído" a qualquer momento, bastando pra isso proferir uma "palavra de segurança", previamente acordada, sendo essa palavra um "stop" pra o que quer que esteja acontecendo, já que ela "retira" o consentimento naquele momento.(Consensual)
E agora a GRANDE DIFERENÇA:
  • Está consciente do nível de risco que cada atividade pode oferecer, tendo estudado previamente quais riscos são esses e administra esses riscos de forma satisfatória pra ambas as partes que "negociam". Ou seja, com a consciência do real risco das práticas que estão no acordo, pode-se negociar um limite de risco maior caso desejem.(Risk-Aware)
Então o SSC é café com leite e o RACK é coisa de gente grande né?

Claro que não. É possível perfeitamente executar práticas muito arriscadas na base SSC, se for respeitada a premissa de que foi feito todo melhor esforço pra reduzir e minimizar o risco que tal prática oferece. (Já que no restante é tudo praticamente igual)

Vou propor uma situação que pode parecer até cômica, mas que é muito recorrente no nosso meio, e que já gerou um bocado de polêmica comigo:

Situação: O Dominador quer ordenar que sua submissa fique por um dia inteiro sem calcinha.

Base SSC:
  • Levar em conta os locais que a submissa frequenta.
  • Levar em conta se ela tem transporte próprio ou usa transporte público
  • Levar em conta se trabalha e se usa banheiro coletivo no trabalho
  • Levar em conta se usa móveis compartilhados no trabalho ou se tem mobiliário exclusivo(cadeiras, bancos e etc)
  • Levar em conta se usa uniforme, vestido, saia...
  • Levar em conta se está menstruada ou se tem algum impeditivo de natureza pessoal
Após analisar isso tudo o Dominador verifica se vai expor a submissa a um risco desnecessário, correndo o risco de contrair doenças/irritações na região genital ou causar constrangimento desnecessário na rua e/ou trabalho, e vai avaliar se vale a pena o risco, e pode fazer "adaptações" de acordo com o que ele avaliar mais seguro naquela situação.

Base RACK:
  • Levar em conta os locais que a submissa frequenta.
  • Levar em conta se ela tem transporte próprio ou usa transporte público
  • Levar em conta se trabalha e se usa banheiro coletivo no trabalho
  • Levar em conta se usa móveis compartilhados no trabalho ou se tem mobiliário exclusivo(cadeiras, bancos e etc)
  • Levar em conta se usa uniforme, vestido, saia...
  • Levar em conta se está menstruada ou se tem algum impeditivo de natureza pessoal
  • Informar à submissa todos os riscos que envolve em "sair sem calcinha"(inclusive de contrair doenças/irritações por conta disso) e quais prejuízos ela pode ter, e se ela mesmo ciente dos riscos, concordar, então a ordem será dada.
Nesse caso, o risco será assumido por ambas as partes, mesmo que haja prejuízo visível, o nível desse risco a ser aceito(Risk-Aware) é decidido de comum acordo, podendo ser maior do que o tolerado no SSC, ou apenas "não minimizado".

Então, a escolha da base nada tem a ver com a prática que vai ser feita, como é comumente falado, que a prática "X" é RACK, ou a prática "Y" é SSC. Qualquer prática pode ser feita usando qualquer uma das bases, pois não é a base que define a prática, a base define o "suporte", o "fundamento", o "alicerce" da relação entre os envolvidos.

Por definição o RACK vai exigir muito mais conhecimento das práticas e atividades pelas pessoas, para que possam definir juntos que nível de risco é aceitável a ambos, ou se, o prazer vale a pena o risco(caso seja muito alto).

Se você é novo ou iniciante e negocia com alguém já experiente e que deseja usar a base RACK com você, é responsabilidade do praticante experiente fazer o ""risk-aware" contigo, explicando todos os riscos que envolve as práticas acordadas e colher seu parecer sobre o nível de risco que você deseja experimentar, a consciência do risco não obriga ninguém a aceitar um nível maior do que suporta/tolera.


Obs.: Lembrando que, SSC ou RACK você deve manter o bom senso sempre, pessoas são sujeitas a limites tanto físicos quanto psicológicos. Respeitar acordos é primordial em qualquer base, seja qual for.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

TOP POSER E SUAS VERDADES ABSOLUTAS

Texto de Lily Switcher

Quem nunca encontrou um desses por aí?

• O que diz não pode ser contestado, afinal suas idéias nasceram de sua experiência de anos no BDSM.

• SEU BDSM é o melhor, afinal ele segue a Liturgia de cabo a rabo (sem trocadilhos por favor).

• Gosta de lidar com iniciantes, afinal ele é o Mestre dos Mestres e tudo vai ensinar aqueles que ainda não tem vícios.

• Chega, chegando nas conversas, afinal ele é o Tal e todos tem que concordar com ele.

• Trata sub mal, afinal subs são seres inferiores e só podem dizer amém.

• Faz questão de Títulos, afinal nesses momentos BDSM não tem regras a seguir e ele se intitula o  que quiser.

• Encobre merdas dos amiguinhos, afinal só os inimigos são os errados.

• Vai moldar os subs, afinal esses são como massinha de modelar e precisam ser moldados à sua vontade.

• Vai fazer o sub evoluir, afinal ele é um Mestre Pókemon.

• Vai criar seu Clã fodástico/Liturgico, afinal o real BDSM precisa ser vivido e disseminado.

• Vai usar o termo sub (reparem q fiz questão de usar também), afinal todo bottom tem que ser igual.


(Se vc é imune a sarcasmo, não leia esse texto)


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Somos todos monstros


Texto de Bia Baccellet

Sempre que faço uma autoanálise, fico me perguntando de onde saíram meus gostos diferentes e vontades de experimentar coisas muito opostas ao consenso geral da moral e dos bons costumes. E cada vez eu fico me perguntando a mesma coisa:

Como alguém pode gostar de BDSM?
  • O BDSM não é bonito e tampouco romântico ou carinhoso. Afinal o que leva alguém a gostar de BDSM então?
  • O que nos motiva a desejar o bizarro, a loucura, a imoralidade, a sujeira e podridão?
  • Haveria um monstro me habitando?
Ao longo dos anos tive várias respostas pra essa pergunta, hoje elas parecem não responder mais a essa questão, parece não mais ser suficientes, ainda permanecendo a incômoda dúvida. O monstro ainda permanece rugindo.

Fazendo uma retrospectiva, posso tentar justificar meus gostos "estranhos" no meu passado, colocando um evento ou outro em voga, desenterrando os ossos da memória e buscando uma resposta. Mas fazendo isso só consigo mais perguntas ao invés de respostas, ainda somando alguns "e se" ao rol de indagações que surgem.

- E se tal evento não tivesse acontecido, eu seria ainda a mesma de hoje?
- Será que foi isso que me mudou pra sempre?
- Essa influência foi tão forte assim?

E acabo chegando à óbvia conclusão que não sou fruto de um único evento do passado, mas sim, de vários eventos somados, que foram me mudando e me tornando a pessoa que sou hoje, ou o monstro que em mim habita.

Os caminhos poderiam ter sido diferentes? Podiam. Mas não foram.

Aqui estou, assim eu sou.

E gosto do que gosto, apesar de não entender porquê exatamente. Apesar de ainda procurar uma resposta pra esse porquê. Não por necessidade de responder a algo, não por culpa ou para pôr culpa, mas para enfim me entender e extrair de mim mesma o máximo que eu puder.

A complexidade que somos nos impede de ligar os pontos numa retrospectiva e traçar uma linha de eventos que nos fez chegar até o BDSM, ou até mesmo entender porque ainda continuamos a gostar dele, apesar de parecer algo tão natural como a luz do dia, apenas gostamos.

Talvez com essa minha constante tentativa infundada e vã de explicar o inexplicável eu consiga trazer sanidade e clareza aos meus pensamentos, finalmente confirmando que nada tenho de errado, que o monstro não é tão feio assim, ou, quem sabe, o monstro não existe, e até mesmo entender que, definitivamente, somos todos monstros.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Eu comecei cedo.


Texto de SW Gata Morena


Desculpem-me vocês que começaram no BDSM tarde, aos 14 ou 15 anos, mas eu comecei cedo. 

Me descobri sub bem cedo. Aos 5 anos tinha um prazer imenso em servir, adorava quando a dona de mim dizia, vamos fazer um bolo: - Ponha leite na bacia, quebra os ovos… ficava radiante com os elogios, muito bem, igual uma mocinha, está grande mesmo…

Aos 8 percebi que era switcher quando tive a minha primeira senzala. Eu ia brincar na rua e a bola era minha, a rede era minha, os golzinhos e até as traves eram meus, os melhores brinquedos eram meus, logo, se eu não ganhasse levava a bola. Adorava brincar de casinha, na verdade brincar de mansão, eu sempre era rica e todos meus empregados.

Aos 11 uni minha senzala com a de um outro top que eu conheci, ele era lindo, tinha brinquedos importados, todo mundo queria brincar com ele. Quando não queríamos brincar… ficávamos rindo de todos sem emprestar nada. 

Aos 13 anos tive minha primeira D/s com uma escrava. Começou quando ela disse que me amava, eu bati nela. Depois a aceitei como namorada e fazia ela pegar tudo para mim: carregar minhas coisas, amarrar meus cadarços, abrir os botões das minhas roupas e tudo mais… acho que só me limpava sozinha. 

Aos 16 descobri meu poder dominante e tive vários escravos… comecei a descobrir os money slaves, os submissos, os escravos... fazia eles pagarem meu refrigerante, carregar minhas coisas, e as coisas das minhas amigas, como recompensa dava beijos nos que mais me agradavam, nos outros era só isso mesmo.

Daí em diante fui só aprimorando minhas práticas dentro do BDSM, e hoje, aos 35 anos, com toda minha experiência posso dizer que tenho 30 anos de BDSM. 

Meu único arrependimento é nunca ter ido ao exterior, deve ser incrível chegar nos aeroportos da América do Norte ou da Europa, onde tem pessoas entregando panfletos que devem dizer “Ei você, pratique o BDSM”, “Jovem, já se submeteu hoje? ”, ou “Aprenda táticas de negociação e dominação em 3 dias”, ou até melhor... APRENDA COMO CRIAR SEU PRÓPRIO BDSM.


Para você que está levando a sério, isso é apenas um deboche de situações que eu vejo por aí...

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Por favor, não me chame de Senhor


Texto de: Vulpes Az


Sim sub litúrgica, isso mesmo que você leu. Saiba que muitas vezes esse chamativo não tem significado algum e soa FALSO. Não precisamos viver (apenas) de aparência... Muito se fala sobre a questão do respeito e como ele deve ser conquistado e não imposto, etc etc etc.... numa evidente linha tênue entre a autoridade e o autoritarismo (falo um pouco sobre isso nesse texto).

O chamativo “Senhor” é uma expressão dessa “autoridade” do Top em relação ao bottom. Quando é articulada, carrega um significado além e “confirma”, “atesta” que o bottom vê , na pessoa daquele Top, uma figura de respeito e/ou autoridade. E isso é muito bom! É uma conquista extremamente satisfatória e recompensadora.

Meu incômodo mesmo é uma pessoa que ainda não entende esses significados, essa “carga” que os signos tem nesse meio. Daí só por que viu outros bottoms replicando “senhor!” aos quatro ventos, copia o comportamento.

Retomando o significado ao tratamento e o que ele representa, não fica estranho uma frase como “e quem é o Senhor?”?

Essa frase, imagino, raramente é dita. Contudo em muitas conversas com pessoas que mandam convite de amizade fica essa sensação no ar. Além de ser uma falta de educação a pessoa te aborda, te convida, pede pra add mas não sabe nada sobre você. E a repetição de “Senhor”, alias... meramente Sr. (pq nem se dão ao trabalho de escrever apropriadamente) vazio, sem significado, simplesmente uma..... palavra... Fica muito feio.

Isso não mostra que você entende das coisas, somente evidencia que não!

Querendo ou não nesse meio muita coisa é “aparência” e não há nada de errado nisso, mas tem certas coisas que tem por que de ser. A conversa começa a tomar contornos de um certo “teatrinho”.

Essa questão é apenas um simples sintoma de uma problemática maior. É o se preocupar mais em PARECER que SER, é a pressa em ter resultados rápidos e principalmente o achar que “sabe o suficiente e está pronto”.

Não estou falando aqui nesse texto se o chamativo é errado ou não e sim o modo como ele é usado.

sábado, 9 de julho de 2016

Nada a ver com BDSM.

Vai que alguém lê meu blog.

Estou passando por uma fase "turbulenta" e a vida está pedindo mais minha atenção nesses últimos meses. Tá tudo meio bagunçado e desajeitado, sei lá a culpa de quem é, mas tô aqui, tirando o pó e ajeitando a zona. 

Meus amigos e leitores, acho que estamos numa "sazonalidade" meio incomum, porque também nossos amigos escritores e criadores de conteúdo do blog estão quietinhos, quietinhos, devem cada um também estar atendendo as demandas da vida.

Mas tenho certeza que isso passa. 

E a gente volta com carga total.

Não desistam, e tenham certeza que pra publicar qualquer porcaria, a Bia aqui prefere não publicar nada. Melhor o vazio ao medíocre.

Volto já, fui ali atender à vida que chamou de novo.

Bjs.

Bia Baccellet

sábado, 4 de junho de 2016

"NA BERLINDA BDSM" - VULPES AZ

A entrevista abaixo aconteceu no dia 08/01/16 em nosso grupo no facebook, o entrevistado foi o dominador sádico Vulpes Az.


Agatha Magalhaes: Boa noite querido, se apresente pra nós. 
Vulpes Az: Espero poder contribuir e que renda um ótimo debate.

Lino Naderer: Vou começar então, já perdeu o controle em alguma prática, ou algum acidente que exigiu cuidados não programados?
Vulpes Az: Que enorme prazer começar contigo Lino!  Então felizmente nunca tive acidentes. já houveram imprevistos, mas coisas pequenas, nada sério. Todas as praticas que faço eu leio e estudo muito. Qdo é algo físico eu testo em mim primeiro antes de usar na petit para sentir na pele os efeitos da pratica e sempre pratico com cautela e com muita conversa durante a sessão. Além da questão psicológica que eu prezo muito como estar focado, sem uso de álcool ou drogas.

Adriana Dri: Como encontrou o BDSM? E o que ele é pra ti?
Vulpes Az: Eu descobri quando tinha uns 16 anos e assisti (escondido dos meus pais ahah) o filme "a secretária". Nesse filme eu entendi que muitas coisas que eu sentia e ansiava nao eram coisas erradas (e que me faziam me sentir muito culpado e estranho) e que havia outras pessoas que sentiam o mesmo que eu. Assim comecei a pesquisar sobre o assunto mas nada muito aprofundade. Só muitos anos depois que resolvi me jogar de cabeça nesse abismo.

Adriana Dri: Vida bau x BDSM?
Vulpes Az: Desde o começo eu via como duas coisas distintas mas que se completam. Tem aquela ligação peculiar e bem delicada e acho que tem de ser assim para se manter um equilibrio saudável. Nem o mundo bau invadindo o mundo fetichista, nem o mundo fetichista invadindo o mundo civil. Cada qual no seu tempo e local apropriado.

Adriana Dri: Que práticas não faria nunca?
Vulpes Az: As que eu não domino a teoria. Nao existe hoje prática que seja um tabu pra mim. Eu tendo controle e conhecimento para fazer com tranquilidade e sem perigos praticaria praticamente qualquer coisa. Claro, certas coisas que carecem do consentimento como zoo, pedo, necro, praticas com pessoas desmaiadas/inconscientes tb jamais faria.

Agatha Magalhaes: Em casa quem se sobressai mais no dia a dia, o marido ou o Dono?
Vulpes Az: Nós temos um equilibrio muito bem determinado. Fiz questão que nossa vivencia fetichista e sejam muito bem separadas. O BDSM tem hora e local pra rolar, até pq se fosse 24/7 eu ia achar um saco. Mas por outro lado, o vulpes nao é muito diferente do Az (meu apelido ahah) somos bem parecidos em vários aspectos. Eu enquanto dominador NUNCA precisei gritar, ou sequer alterar minha voz, sempre agi da forma que sou normalmente talvez com um pouco mais de imposição e com uma postura mais adequada ao fetiche.

Vickavick Viviane Salvador: Como voce lidaria com a questão das irmas de coleira.
Vulpes Az: A questão de irmã de coleira é algo que não paro muito para pensar já que é algo que é um grande limite da minha sub e tambem pelo fato de sermos hoje casados muda muita coisa. Nossa responsabilidade um com o outro é muito maior. A forma mais fácil de se minar um relacionamento, nao importa o tao forte seja, tao sólido seja e pelo lado de dentro. E só entra quem o casal permite. Meu relacionamento é mais importante que qualquer prática logo não daria chance ao erro. Fora o fato do amor entre eu e ela, nao há necessidade de mais ninguem.

Morenah Kesabel: Como foi sua chegada ao bdsm?
Vulpes Az: Foi devagar... Cheguei com humildade e com a atitude de quem quer aprender. Tb evitei a dependencia, de só acessar as coisas pelo que falam aqui no face (e no fet). vim com a postura de desbravador e como tal corri muito atrás. E mantenho essa atitude até hoje, já que tem muita coisa que não sei. E comento e tantos grupos e faço textao com essa mesma humildade de quem quer debater, ouvir o que o outro pensa e aprender com a discordancia.

Adriana Dri: Preconceito, já foi alvo?
Vulpes Az: Ah com certeza. Muitas pessoas nao entendem que eu tenho um RELACIONAMENTO fora do BDSM e que isso muda TUDO. Coisa mais comum é Dom dando pé na bunda da sub pq "nao rolou", e o contrário tb. Quando se envolve no BDSM com quem vc nao tem uma relaçao bau, é um pouco mais simples. Conciliar é MUITO trabalho e delicado. Nisso muita gente nao entendia certas atitudes principalmente em respeito à minha sub pela responsabilidade que tenho com ela enquanto namorado/marido.

Adriana Dri: Já foi botton? Tem vontade?
Vulpes Az: Desde qdo "descobri" o BDSM sempre me inclinei para o Top, nunca fui botton e nao tenho vontade. Na verdade nem consigo me imaginar na posição... E olha meditei MUITO sobre isso.

Vickavick Viviane Salvador: Houve alguma resistencia da parte dela ou ela também curtia?
Vulpes Az: Teve e tem. Ela NUNCA tinha ouvido falar em nada disso tudo. Foi um processo lento porém muito bem pavimentado... Até hoje existem muitas coisas que nao é um "limite' pra ela, mas eu sei que a faria mal, a deixaria infeliz etc... Aí é o equilibrio que sempre falo, ao exemplo de um texto que escrevi sobre isso o "direção segura".

Vickavick Viviane Salvador: Como você lida com a questão do amor entre vcs?
Vulpes Az: É muito tranquilo. Não há muito "conflito" entre o marido e o Dominador já que o nosso BDSM tem um espaço muito bem determinado na nossa vida. E é justamente meu amor por ela que contribui para a entrega dela, e para o meu esforço como Dom, meu cuidado, meu afinco... O amor torna o dominador muito maior.

Morenah Kesabel: Quais práticas prefere? Alguma que não faria?
Vulpes Az: Eu sou muito mais sádico que dominador. Logo adoro tudo que envolva o sadismo. Práticas que não faria seria aquela que eu não domino ou não tenho conhecimento suficiente. Não há nada que seja um "limite" meu ou um tabu. Tendo conhecimento e domínio eu praticaria qualquer coisa. Claro que práticas que excluam o consensual como zoo,necro, pedo, práticas com pessoas inconscientes ou bêbadas sao as coisas que nunca faria.

Eliane Lima: Você tb é Daddy?? Nos conte do Vulpes Daddy.
Vulpes Az: Não sou Daddy. Na verdade não vejo muita graça no age play, apesar de ter um puta tesão na colegial. Até tenho um pouco de preguiça da própria dominação se for em demasia.

Adriana Dri: Como são casados, como fica as sessões? Pré-programada, ou do sexo pra sessão ou vise e versa?
Vulpes Az: Atualmente não praticamos nada. Demos uma "pausa" por motivos de vida baunilha está mais importante que a vida fetichista e ela perdeu um pouco de espaço no momento. Como disse lá em cima, temos que ter o equilíbrio entre os mundos e um não pode engolir o outro, e pra isso as vezes temos que ter a responsabilidade de saber a hora de diminuir a marcha um pouco. Só agora que estamos voltando a conversar sobre isso e a planejar futuras práticas e esse foi um dos motivos que reabri meu perfil.

Agatha Magalhaes: Sua menina já desejou alguma prática que vc não desejasse? Se sim como resolveu, se não, como resolveria?
Vulpes Az: Nunca chegou esse momento. Mas dependendo da prática (na verdade acho quase qualquer coisa) eu faria sim pois o prazer dela é o mais importante de tudo. Se não for pelo prazer dela não há por que ter sessão, ter dom, ter SM.... Sem contar que ela se permitiu e viveu muita coisa por mim, superou muitos medos e tabus por mim e não custa nada retribuir essa dedicação e entrega dela.

Vickavick Viviane Salvador: Que motivo te levaria a ser mentor e quais não?
Vulpes Az: O motivo de alguém me procurar pra isso!Como disse acima tenho a postura de alguém que quer contribuir e quer crescer e estou SEMPRE aberto a ajudar no que estiver nas minhas possibilidades. Claro que há de salientar que um Mentor não é um DONO e que um mentor não faz sessão, não faz prática nem nada. Só ensina e direciona (mas isso ficará para um texto que quero escrever muitíssimo em breve). Minha mentoria, como eu acho que o papel de um mentor é, se pauta apenas na intelectualidade, no debate, na teoria, no aprofundamento inclusive filosófico de tudo o que é o BDSM.

Adriana Dri: Dando essa pausa, não te fez falta alguma?
Vulpes Az: Nossa faz MUITA falta. eu reabri meu perfil por isso nao aguentava mais ficar longe disso tudo. A nossa prática esta meio parada mas nunca foi completamente largada e em breve retomada pq dá saudade. Repetindo o que já falei. Qdo se tem um relacionamento sério baunilha junto com a D/s (ou qualquer outra relaçao fetichista) é muito trabalhoso, muito delicado. Mas mais delicado ainda é qdo se tem esses tipos de relação separadas com pessoas distintas... Muita gente age irresponsavelmente e sem compromisso dentro do BDSM, escondendo sua historia e seus compromisso na vida baunilha. Entao o fato de me afastar do mundo BDSM nao é, de forma alguma, um sinal de fraqueza ou de falta de domínio ou de imperícia enquanto Top, muito pelo contrário mostra minha responsabilidade, meu caráter, minha sobriedade e compromisso. Não jogo fora o que realmente importa por uma aventura ou por uma gozada e muitas vezes vejo que isso está bem em falta por aqui.

Morenah Kesabel: Em meio a esse boom tecnológico e modinhas de romances hots o bsdm voltou a "vista" da sociedade... isso ajuda ou atrapalha? nos dê sua opinião à respeito.
Vulpes Az: Depende muito. Eu acho que a porta de entrada não é o que importa, mas sim o que se faz depois que entra sabe. Uso por exemplo o 50 tons, independente da qualidade da obra ela meio que serviu ao seu fim. Ela abriu as portas da sexualidade para milhoes de mulheres que viviam vidas sexuais frustradas e relacionamentos frígidos assim como tantas obras que tão surgindo por aí. A romantização do BDSM é um sintoma, mas a "doença" mesmo é a preguiça das pessoas em se aprofundar. O BDSM nao é algo físico, ele é quase que totalmente MENTAL e as pessoas não se ligam nisso. Qual a diferença de dar uma surra e fazer um spanking? o prazer que a pessoa que apanha sente. A dor é a mesma, é física, mas como ela é MENTALMENTE processada pelo sistema nervoso como prazer é outra coisa, entende? Fora o fato que o SM se tornou uma válvula de escape para pessoas insatisfeitas, isso não é 100% culpa das obras mal feitas mas grande contribuição disso é pelo fato de hoje termos acesso ilimitado à qualquer tipo de informação. Se existisse internet a 50 anos atrás seria a mesma coisa, te garanto.

Ayme Felícia: Você teve muita ajuda no início, ou não?
Vulpes Az: Tive pq corri muito atrás e tive a postura e a humildade de quem está aprendendo. Mesmo nao concordando as vezes eu ouvia, pensava, refletia e entendia para depois discordar (se é que eu nao concordasse nesse processo).
O que vejo é que tem gente boa querendo ajudar, mas quem procura a ajuda, só valida quem pensa/age/é igual a ela. Isso nao conta! A pessoa nao adquire pluralidade de conhecimento, de entendimento das coisas e vira todo mundo um grande bando de papagaios de repetição. Uma crítica ao mundo BDSM - BR (nao falo da gringa pq nao conheço) é que basta alguem falar "X" de um jeito mais eloquente (e nem precisa de muito) todo mundo repete "X". Se no dia seguinte alguem falar "Y" um poquiiiiinho melhor, todo mundo passa a repetir "Y".... Maas gente, cadê o resto do alfabeto??

Agatha Magalhaes: Vcs frequentam eventos BDSM? Qual sua opiniao sobre conhecer pessoas do meio, olho no olho.
Vulpes Az: Frequento até hoje. Eu acho fantástico estar em meio à pessoas que vivem/gosta/sao iguais a você. Além do fato que sair do virtual faz TODA a diferença, acho que nada poderá jamais substituir o tete-a-tete.

Adriana Dri: Obter respeito, foi difícil? Ou natural pra ti?
Vulpes Az: Bom, aí vocês que me respondam... eu ajo até hj do mesmo modo que aji no "meu primeiro dia". Nunca corri atrás de ser um "famoso", ser "referencia" nem nada. Eu só tô na minha curtindo a viagem e tentando acrescentar no maximo que eu puder. O que vier disso é consequencia.

Adriana Dri: Pelo que já falou, percebi sua preocupação tanto com sua sub, como com a esposa, como vê esses dons que querem um monte de subs?
Vulpes Az: Bom, nao cabe a mim julgar cada relaçao uma relação. Mas cabe a mim falar de generalizações né? Sempre bato na tecla RESPONSABILIDADE e principalmente HONESTIDADE na conduta do Dom. Vejo muito aí cara frustrado ou fracassado que tenta no SM "compensar" sua falibilidade. Vejo muito cara que não se preocupa com a sub, até toma conta, trata bem... mas só se preocupa no final das contas com o SEU desejo (e qual é o fetiche mais comum entre homens? isso mesmo! o Menage) Muito se fala em "superar limites" no meio BDSM mas o que eu mais vejo é EGOISMO do Top, que usa desculpas institucionalizadas pelo senso comum para satisfazer aos seus desejos. O Top tem a OBRIGAÇAO de saber que se uma coia que ele quer muito irá machucar, magoar, acuar, humilhar (fora do contexto de sessao) a sub ele tem que ter o controle e a hombridade de nao levar adiante. "Na relação D/s impera a vontade do Top" todo mundo fala isso... mas foi mal cara, não é bem assim. Primeiro que o conceito é vago e tras um ranço da vida baunilha do... MACHISMO! da mulherzinha que atende a tudo que o marido manda sem reclamar. Na relação D/s impera a vontade do CASAL, nao é à toa que nas bases há a TROCA DE PODER (Exchange of power) e nao a "doação de poder". Um exemplo: A safe word é o maior exemplo que o poder no fim das contas está todo nas maos do botton. O poder do Top é meramente virtual... pensem nisso.

Lilene Leverdi: Já que é casado com a sua sub, o que acha de relações onde o Top restringe a submissa chegando ao ponto da dependencia financeira? O que acha de relações onde a sub não trabalha e vive a mercê do Top até pra comprar uma paçoca?
Vulpes Az: Eu nao concordo pra MINHA relação, mas eu respeito quem vive assim dentro do sadio e consensual. Existem bottons (não só mulheres mas muitos homens) que gostam de viver assim. Se é algo que é a vontade dos DOIS e não uma mera imposição egoiística do Top, não há o que se falar. POREM, contudo, todavia... como falei ali em cima, coisa mais comum é o Top usar das desculpas institucionalizadas do meio SM para promover esse tipo de relação isolando a sub o maximo possivel justamente pela fragilidade de sua hierarquia, dominação, autoridade... qto menos contato ela tiver mais vendade ela fica. e isso é brecha para abusos.

Eliane Lima: Pra vc uma pessoa casada que vive o Bdsm está ou não traindo sua ou seu parceiro??
Vulpes Az: Traiçao se faz escondido né? se a pessoa está fazendo isso OCULTADO de seu conjuge, traição é. Sempre vejo com muito cuidado com vem aquela galera falando que o BDSM é mega importante na vida dele e não consegue viver sem e que é mais forte que a pessoa e mimimi e por isso pula a cerca e pinta e borda. Eu senti na pele a falta que o BDSM faz, de fato é foda... porém A CARNE É FRACA, MAS A MENTE É DE FERRO. No fim das contas tem que se fazer um opçao e nela nem sempre entra a responsabilidade, a lealdade, a fidelidade.. normalmente entra só o egoísmo mesmo.

Bia Baccellet: Agora cheguei. Meu amigo. Qual foi a importância de ter uma mentora? Você chegaria onde está hoje sozinho, ou ter alguém pra te dar suporte e ensinar foi de maior valia?
Vulpes Az: Fui mentorado pela Rainha Sarah, uma figura bem controversa aqui do meio e que tem seus desafetos mas isso não cabe agora discutir. Ela me ajudou MUITO, sem a ajuda dela meu caminhar seria muito mais longo e com certeza eu tropeçaria incontáveis vezes. Ter a figura de um mentor sério e responsável faz toda a diferença na formaçao de um BDSMer. Nós discutíamos os termos, e um monte de coisa dentro de uma proposta da filosofia pesada discutindo , aristoteles, platao, descartes, durkhein, schopenhauer e assim vai. Nós nos damos muito certo pq ela me fazia uma coisa que adoro que é PENSAR a sexualidade. 
Vulpes Az: Mas contei tb com a experiencia e conhecimento de muita gente como o Marco, a Vaca profana, (Lia Grecco) O Richard que sempre tiveram muita paciencia para as minhas toneladas de perguntas.

Agatha Magalhaes: Ja tive o prazer de ler seus textos e sou fã demais da sua forma coerente e ao mesmo tempo um tanto a sarcastica de se comunicar, voce escreve por puro prazer ou por achar que devemos contribuir com os que estao chegando?
Vulpes Az: Ambos como dito acima tive ajuda de muita gente e agora eu tenho condições de contribuir um pouco, pq nao ajudar? Claro que nao me ponho aqui numa posição de fodão, de mestre, de entendido... Pelo contrário, me ponho na posição de quem quer trocar ideia para acrescentar e ser acrescentado...eu adoro o debate, adoro discutir, adoro trocar ideias. Sou advogado cara, minha vida é isso!!  Qdo alguem me procura tudo o que eu sei está totalmente à disposição e o que eu nao sei a gente descobre juntos. Tá o sarcasmo faz parte do DNA ´muitas vezes eu apago e reescrevo as coisas pra soar mais de boas... mas tem horas que não dá.

Ayme Felícia: Sua esposa foi sua única parceira ou vc teve outras?
Vulpes Az: Dentro do BDSM de fato, só ela. Mas eu sempre inclui certas práticas do BDSM na minha sexualidade desde sempre (mas nao considero, de fato uma vivencia BDSM entende?)

Adriana Dri: Sessões avulsas? O que pensa sobre?
Vulpes Az: Acho útil, importante e uma grande vítima do preconceito. MUUUUUITA gente trás seus valores baunilha para o BDSM e isso inclui seus preconceitos. Vamo ser bem sincero? só é contra sessão avulsa quem não consegue encontrar parceiros ahahah A sessão avulsa é pro BDSM o que o sexo casual é pro baunilha. Não há NADA de errado, errado, mas aí vem de novo o preconceito e o machismo do mundo bau invadindo o mundo fet, pq sub que faz avulsa "não presta", "é vadia". A sessão avulsa é algo importantíssimo e inclusive um modo que as pessoas podem se proteger de maus praticantes. É na avulsa que vc vê se rola a quimica, se rola compatibilidade de gostos, jeitos, intensidades. Acho muito que as pessoas poderiam parar de se preocupar com o couro alheio e ser feliz.

Adriana Dri: Sw, como os vê?
Vulpes Az: Com normalidade. Nao tenho de forma alguma preconceitos com os Sw, na verdade acho que eles estão numa situação melhor que a minha. Eles vivem o melhor dos dois mundos. Nao concorda que o fato de eu nao conseguir estar na posiçao de sub me torna mais limitado que um switcher que consegue todo pimpão estar dos dois lados do chicote? Os switcher vivem sua sexualidade de forma muito mais plena que eu, no meu ver. Não falando que um é melhor que o outro ou algo do tipo, mas sim falando que de fato eles são muito mais plenos, mais "completos". Eu penso que muito desse "preconceito" que rola com os switchers é um reflexo de homofobia. "O cara é dom, logo é macho... ah não mas se ele curte ser sub significa.

Bia Baccellet: Faria uma sessão com um bottom do sexo masculino?
Vulpes Az: Tranquilamente! pra mim não importa a pessoa e sim a prática. Meu tesão não é na mulher que estaria ali na minha frente, mas sim o ato do spanking/dominação/qualquer prática. É claro que eu como hétero teria mais prazer e mais "animação" em fazer com uma mulher pois me agrada e me atiça. Mas com um homem ainda sim ficaria muito satisfeito, inclusive já pensei em fazer. Isso já foi objeto de discussão mais de uma vez com a minha sub. Nunca fiz pq ELA não se sente a vontade com a idéia de eu fazer sessão com outra pessoa, qualquer que seja (e novamente volta aquele ponto da responsabilidade como Top). Numa festa em BH eu exerci minha autoridade, humilhei (dentro de um contexto fetichista) e dei ordens um podólatra e isso me deu MUITO prazer e satisfação. Nao importava se era um cara, o que importava era que eu estava satisfazendo meu fetiche. Isso nao me torna gay nem bi. Me torna um fetichista que faz a prática pela prática, o tesão é consequencia natural. Além do fato que pra mim ser gay/bi/lesbica vai MUITO além de quem vc pega ou deixa de pegar.

Bia Baccellet: Qual sua opinião sobre esse BDSM pasteurizado e todo limpinho e bonitinho que a gente tem visto por aí?
Vulpes Az: ADOREI!!  Sempre digo para quem quer me ouvir que o BDSM É FEIO, SUJO, FEDIDO, MOLHADO, LAMBUZADO. E é isso que o torna tão bom. Não tem essa de tudo limpo e arrumado, no final da sessão estão ambos suados, descabelados e com a cara vermelha. Se o BDSM fosse algo assim tão propaganda de produto de limpeza nao teria a mesma graça nem o mesmo gosto.

Adriana Dri: Tem preferência por biotipo? Assume isso?
Vulpes Az: Assumo demais. Eu tenho um tipo fisico muito particular que me agrada e que é o que me dá aquele primeiro empurrão de interesse. Mas no fim das contas eu gosto de mentes, e muitas vezes pessoas que os outros achavam "feias" para mim eram bem lindonas (namorei altas assim. Meus amigos e familiares me zuavam mas ele nao entendia que eu tava apaixonado pelo cerebro delas ahahahah). Outra coisa, pode parecer papinho mas eu acho que nao existe pessoa "feia" pra mim todo mundo tem ALGUMA COISA que a torna bela, nem que seja só naquele momento muito específico... pode ser o jeito de sorrir, de caminhar, de gesticular, de espirar etc. Mas eu gosto: magrinha, pele clarinha, cabelo curtinho preto, olhos qto mais escuros, peito e bunda nao grande (do tamanho pra caber na minha mão). Tb curto minas meio androginas.

Bia Baccellet: Foi fácil pra você separar o Dono da Petit do marido?
Vulpes Az: Foi sim. Nosso BDSM sempre foi muito bem estabelecido. Tinha hora e local para começar e acabar. Então a transição de namorado que se via de vez em quando para marido que mora junto foi muito tranquila nesse sentido. 

Bia Baccellet: Já chegou a alguma conclusão sobre o porquê você gosta de BDSM ou já parou de tentar achar uma resposta?
Vulpes Az: A resposta é simples. É pq eu sou safado mesmo.

Agatha Magalhaes: É adepto de praticas mais hards dentro do SM? Se sim quais?
Vulpes Az: Até que não, apesar de procurar saber, entender, aprender... eu sigo o ritmo da pettit e ela nao estava no nível de práticas hard nossa base era a SSS (sao sadio e sensual) e nunca tivemos necessidade de extrapolar demais as coisas.

Adriana Dri: Tu que a inseriu? (Sua esposa)
Vulpes Az: Foi. Ela nunca tinha ouvido falar de NADA. entao aos poucos fui conversando, apresentando textos, ai a gente sentava pra discutir, trocar ideias... ai aos poucos fui apresentando algumas práticas... e de pouquinho em pouquinho ela foi tomando gosto por tudo isso

Agatha Magalhaes: Emprestaria ou compartilharia sua posse?
Vulpes Az: essa é complexa. No nosso caso tem a questao "amor", "casados", "relacionamento baunilha" e isso muda TUDO. Mas eu penso que compartilharia sim se houvesse uma vontade de ambos e se tivéssemos alguem em quem confiássemos (e sentíssemos atraçao) suficiente para isso... Mas isso é uma conjectura muito distante e bemmmm remota de acontecer. Já o emprestar... é mais complicado pq no ato de compartilhar eu estaria ali junto de olho em abusos ou red flags. Jamais deixaria minha posse não mão de outro, por mais que conhecesse e confiasse demais!! Minha posse é minha responsabilidade entao devo vigiar sempre.

Bia Baccellet: Você gosta de escrever, assim como eu. Como isso te ajuda a lidar com o seu BDSM? Tem um objetivo ou são só divagações de um sádico?
Vulpes Az: Eu amo o debate, eu amo conversar, trocar ideias. AMO DISCORDAR!  Eu escrevo (e acho que escrevo pouco, deveria vencer a preguiça e fazer mais) pq acredito que possa estar contribuindo. São divagações sempre, mas também sempre abertas à crítica e à discordância que é nelas que nós podemos progredir mais um pouquinho.

Bia Baccellet: Já precisou lidar com subspace ou topspace? Se sim como foi?
Vulpes Az: A pettit já chegou perto uma vez. Felizmente eu percebi e aos poucos sutilmente fui trazendo ela... fui parando a prática, fui "desviando" a atenção para mim e ela foi se normalizando. Topspace, pelo que eu sei, é algo bem raro de acontecer... nunca nem cheguei perto... acho que talvez pelo fato de eu pensar que o BDSM é uma prática mental, e qdo estou em sessão mantenho minha mente num estado muito específico, focada e concentrada de um modo que fui trabalhando ao longo do tempo.

Adriana Dri: Exige ser chamado de Senhor? Como te abordar? E como aborda outros, independente da posição?
Vulpes Az: É "você" pra todo mundo, inclusive pras subs que falam comigo. O chamativo "senhor" é um sinal de "respeito à autoridade" e ele deve ser conquistado e nao imposto. Se o bottom me reconhece como uma autoridade e a valida e em respeito À isso me chama de senhor eu acho lindo e me deixar muitíssimo satisfeito... agora vem de "senhor" pra lá e pra cá pq é "liturgica" acho vazio, sem sentido, falso e muito feio. Tem texto sobre isso também.

Bia Baccellet: Diga, o que vem à sua mente, lá no fundinho dela, quando vc se depara com um dos sem noção que circulam por aqui e por acolá? Se considera naturalmente um treteiro, ou você é da turma da vaquinha(caga e anda)?
Vulpes Az: Treteiro sou não, sou deboísta... mas o meu lado sátiro chega coça ahahaha muitas vezes dá preguiça e nem vale a pena se dar ao trabalho de falar alguma coisa. Mas muitas vezes não dá pra deixar passar e aí dá-lhe textão. Nao sei qual a impressão que eu passo qdo pego pra discordar de alguma coisa, mas nunca é no intúito de diminuir ninguem (mentira algumas vezes sim ahahah) mas meu intuito é SEMPRE chamar à reflexao e ao debate. Pq eu penso que muitas vezes o proprio post que rola uma bobagens colossais sao os melhores campos para se plantar uma coisa boa. Treteiro nao sou, mas sou da zueira...e o sátiro nunca se cansa!!

Bia Baccellet: Você vê o BDSM como um "estilo de vida" ou tem uma visão mais particular? Família e amigos sabem dessas suas preferências?
Vulpes Az: Eu tava pensando sobre isso HOJE inclusive...e cheguei numa conclusao que é bemm diferente da que eu tinha antes. Antes pensava que o BDSM nao era um estilo de vida, ou uma filosofia de vida pq "lá fora", no mundo baunilha eu nao sou Vulpes, o fetichista... sou o Az, o cara normal... a gente nao "vive" o BDSM na "vida normal' ninguem trata como Dom a todas as pessoas, o cara pode ser o maior Dom de todos os tempos, mas "lá fora" ele deve satisfação pro chefe, pro síndico, pro policial, pro juiz, etc. Mas hj eu cheguei a outra conclusão. O BDSM pode sim ser um estilo de vida e eu vi que o sigo na minha vida, pois o BDSM prega certos valores e virtudes como o respeito, responsabilidade, controle, HONRA, etc.. e eu levo esses valores e virtudes pra minha vida "civil", entao nesse sentido eu acho que é sim um estilo de vida.  Familiares e amigos nao sabem do Vulpes. Se eu fosse solteiro com certeza usaria meu perfil baunilha, mas fora meus famliares, meus clientes eu tenho a familia da Pettit no face, como explicar pra eles?? Eu criei o Vulpes mais para resgardá-la do que a mim mesmo.

Marco Bauhaus Mishima: Quais são as práticas que você experimentou e percebeu que não eram para você, Vulpes?
E quais foram aquelas que um bottom pediu e você já teve que puxar o freio (Seja por questão da prática em si ou da intensidade que eles queriam)?
Vulpes Az: Acho que das que eu experimentei até agora todas foram pra mim ahahah. Disse lá em cima em algum lugar que tendo conhecimento e técnica eu faço qualquer coisa. Sub, nos limites da palavra, só tive a pettit, apesar de viver certas praticas relacionadas ao BDSM na minha sexualidade desde a juventude. Já tive que frear uma mina que queria spanking mas ela empolgou tanto que começou a tentar me agredir. A cama tava virando ringue... foi, no mínimo, inesperado pq ela era uma mocinha muito doce e meiguinha ahahah No mais nunca precisei frear nada pq sempre ia "na onda" do momento... enquanto dominador nao precisei pq sempre consegui manter minhas sessões com a pettit no ritmo e intensidade que eu queria.

Bia Baccellet: Muita gente usa o BDSM pra "dar tapa na cara da sociedade" e fala que não deve nada a ninguém e coisa e tal. Quando essa pessoa descobre que o buraco é bem mais embaixo, fica de mimimi, dizendo ser discriminado, que a sociedade é preconceituosa e blá, blá, blá. Qual sua opinião sobre essa atitude meio recorrente?
Vulpes Az: Essa foi boa.  Sinceramente eu nao acho nada sabe. todo mundo aqui é crescidinho e vacinado... todo mundo sabe muito bem o que tá fazendo aqui e muitas vezes vem pagar de judiado. BDSM e descolado, coisa de gente diferentona... mas se é pra tirar onda, tem que aguentar manter também. A sociedade NAO está pronta, existe uma "liberdade" hipócrita em que tudo é permitido, mas nada é aceito... e tem certos tipos de exposição que não valem a pena. Mas cada caso é um caso. Tem muita gente que aguenta a onda de boas e leva sua vida fetichista abertamente com muita garra e isso é importante pra gente, pois são pessoas que tem essa coragem que abre muitas portas para a gente no futuro.

Adriana Dri: Se relacionaria com uma Sw? Sem medo?
Vulpes Az: Com certeza e seria muito divertido!! Até tentei fazer da Pettit uma switcher. Mas por uma coerência hierárquica e lógica de relação D/s eu exigiria que minha autoridade respingue nos subs desse Sw entende? O Sw, teria um sub, mas tb um dono. Quem pode mais pode menos.

Adriana Dri: Um conselho para quem está iniciando?
Vulpes Az: BOA!!! Quem sou eu pra dar conselhos, né? Mas eu posso falar do que vi que dá certo.  Seja humilde, "escute" muito, e tenha a consciência que você só pode percorrer esse caminho pelas próprias pernas. Então corre atrás, nao fica dependendo de ninguém. Principalmente os bottoms, antes de se relacionar tenha conhecimento, saiba o que esta acontecendo. nao se esqueça que é TEU COURO que tá na reta. E o mais importante duvide de metade do que ouve e de tudo que lê. Busque as respostas você mesmo. A gente que já tá calejado aqui pode só te mostrar a direção mas é você quem deve chegar lá.

Adriana Dri: E um exemplo a seguir?
Vulpes Az: Cara melhor que seguir exemplos siga seus valores. Tua cabeça é teu guia nao tem erro.

Simone Ana: Como Advogado, qual o tipo de crença comum que vc ve por ai na comunidade, e que lhe da ate arrepio no saco?
Vulpes Az: Como assim crença comum?
Simone Ana: hummm...Crença na segurança que os contratos geram... Crença na validade das relaçoes perante a justiça, na segurança da garantia da palavra consensual e fazer um spanking etc.
Vulpes Az: Juridicamente, tá tudo errado! Certas práticas vão totalmente contra o ordenamento jurícidos e mesmo que aja "consentimento" de ambos não pode ser levado à cabo. O tal contrato mesmo que escrito e registrado em cartório (na hipotese do cartorio registrar) nao tem valor nenhum que nao o simbólico entre as partes. Já o spanking pode até ser que juridicamente não dê nada, já que temos a liberdade sexual e a prática consensual que nao seja uma agressão de fato nao configure crime. Mas até falar que focinho de porco não é tomada.

Simone Ana: Tem muita politica no Bdsm pra vc?
Vulpes Az: Pra mim tem muita "politicagem"

Simone Ana: As pessoas tendem a ver as que são empreendedoras no meio como aproveitadores etc, Vc vê como o papel dessas pessoas no cenário BDSM hj?
Vulpes Az: Empreendedora é diferente de aproveitadora. Empreende quem corre atrás, quem se esforça pra ter uma "carreira" sólida e respeitável. Eu acho isso uma atitude massa e nesse sentido poderia até dizer que eu sou um empreendedor.

Simone Ana: Vc considera um espelho do carater a maneira que as pessoas agem no meio bdsm, assim como no baunilha? mesmo elas se sentindo a vontade pra reclamarem aqui de intolerancia, preconceito e blablabla?
Vulpes Az: Nossa adorei essa!! com certeza é o mesmo principio da "teoria do garçom" que vc vê o real carater de alguem pelo modo como a pessoa trata a quem te serve. Aqui é exponencia pois além das visoes deturpadas do que é submissão e hierarquia ainda tem o problema de vc ser "quem quiser", já que nao ta mostrando sua carinha feia.

Simone Ana: O que mais te espantou nesse retorno apos o tempinho que deu da gente?
Vulpes Az: Que nada mudou cara

Bia Baccellet: Obrigada pela maravilhoooooooosa entrevista Vulpes Az. Abriu nosso ano com chave de ouro. Boa noite a todos e obrigada pela participação!

*Em construção mas disponibilizada para leitura.(Entrevista ainda em processo de edição, lembrando que os erros de digitação se devem ao fato de as pessoas também usarem o celular para escrever)